sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Redefinindo o conceito de livro eletrônico

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Segundo análise do New York Times, as editoras tradicionais têm mais um motivo para se preocupar: um novo conceito de livro eletrônico está chegando ao mercado, com volumes que são mais compridos do que uma matéria de revista, porém mais breves do que um livro tradicional.


Além da gigante Amazon (que abre as portas para edições feitas para o Kindle de clássicos la literatura que já caíram no domínio público e há muito tempo deixaram de ser impressos pelas editoras) e dos escritores independentes (que publicam seus próprios livros, conquistam leitores nas redes sociais e, em alguns casos, chegam a ganhar uma bela renda sem ter que pagar comissão para os editores), novos empreendimentos estão se especializando no segmento da não-ficção que dá para ler em apenas uma sentada.

The Atavist e Byliner são dois exemplos dos novos nomes que estão mudando as regras do jogo, com livros sobre política, ciências, artes e turismo. The Huffington Post, um jornal virtual de cunho editorial e opinativo (celebridades geralmente publicam seus textos por lá) e que conta com uma legião de seguidores e colaboradores on-line, está se aproveitando da popularidade para publicar séries de reportagens que já foram distribuidas gratuitamente no site, mas que passam a ser vendidas em uma nova roupagem para gerar mais lucros para a empresa.

Em entrevista para o New York Times, o agente literário Eric Simonoff atribuiu a conveniência dos leitores eletrônicos a esse fenômeno: "Por um lado, o Kindle ou o Nook são perfeitos para quem quer ler um livro de mil páginas, como os do George R. R. Martin. Por outro lado, esses aparelhos são ideais para conteúdo de comprimento médio, que não cabem mais nas revistas que têm cada vez menos páginas por edição e ficariam finos demais caso fossem impressos no formato dos livros tradicionais".

9 comentários:

  1. E não podemos esquecer de novos formatos como os "app-books", livros com uma linha de produção mais requintada.

    www1.folha.uol.com.br/tec/966877-depois-dos-e-books-editoras-se-arriscam-nos-app-books.shtml

    O que me preocupa nessa estória de as editoras perderem seu poder é que qualquer lixo poderá facilmente ser colocado à venda. Explico: bem ou mal a maioria das editoras até então têm sido "filtros". As editoras de obras científicas buscam avaliar a colocação no mercado de uma obra baseada num rigorosismo técnico para não venderem pseudociência, outro exemplo.

    Preocupa-me agora que cada um podendo ser potencialmente uma editora, ou simplesmente implodindo a necessidade dela, se produza muito lixo.

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  2. Fora do Brasil pode ser realidade, mas o único filtro que as editoras brasileiras parecem colocar é "é bestseller lá fora?".
    Isso enfraquece a nossa produção cultural, enfraquece a variedade nas livrarias e dificulta a livre concorrência, já que as livrarias também não querem os livros que não sejam "bestseller lá fora".
    Com sorte (e um empurrãozinho aqui) isso muda.

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  3. Fred

    Penso eu que se um livro independente for posto à venda por um preço muito baixo, tipo $5, e, se ele for bom, naturalmente vai nascendo um marketing boca-a-boca até o livro "estourar".

    Se ele for ruim, vai cair no esquecimento rapidamente.

    Isso ocorre hoje com os Apps do iOS. As pessoas não se sentem enganadas de pagar barato em algo que não foi tão bom assim.

    Assim, na balança, acho mais produtivo corrermos o risco de descobrirmos novos ótimos escritores no modelo independente do que ficarmos presos aos grandes distribuidores.

    Acho que existe espaço para todos, ainda que precise existir alguma forma de filtrarmos os produtos disponíveis.

    HOJE temos milhares de lixos nas prateleiras que por algum motivo passaram pelo crivo das distribuidoras, a diferença é que todos são caros, o prejuízo é sentido no bolso de quem compra algo ruim.

    Abs.

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  4. Só para colocar mais lenha na fogueira desse debate (e já trazendo a sardinha pro meu lado), podemos dizer também com toda convicção que há muito "lixo" nas prateleiras que supostamente passou pelo controle de qualidade das editoras e foi muito mal traduzido (daí a qualidade de "lixo"). Isso quando não se trata de plágio, ou seja, uma "reciclada" em uma tradução antiga, como o nome de um tradutor fantasma, só para as editoras embolsarem 100% dos lucros, sem pagar direitos autorais ou gastos com tradução.

    Sobre o assunto, vale a pena conferir o excelente blog de Denise Bottmann "Não gosto de plágio" (http://bit.ly/oUgQ31), que está colocando a boca no trombone contra editoras brasileiras que fazem uso dessa prática em detrimento do espólio da família de um tradutor falecido (dependendo do acordo assinado quando da tradução original) e tirando a chance de tradutores contemporâneos não só revisarem erros em traduções anteriores, como também darem uma nova voz a grandes clássicos.

    Se as editoras brasileiras começassem a se concentrar mais nos livros eletrônicos e entrassem para esse mercado lucrativo, todos sairiam ganhando. Por exemplo, hoje eu posso comprar por US$ 10.99 a tradução em inglês da biografia oficial que Fernando Morais escreveu sobre Paulo Coelho e começar a ler agora mesmo no Kindle, porém o original em português nas livrarias brasileiras sai por R$ 39 a R$ 50 (dependendo de onde você procurar) e só existe no papel.

    Pronto, desabafei ;-)

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  5. Rafa porque você não traduz uns clássicos que estão em domínio público e bota pra vender na Amazon?

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  6. Paulo, vontade é que não falta! Tenho alguns contratos com autores independentes e fico sempre de olho nos clássicos. Assim que a agenda permitir, vou me dedicar mais à tradução literária em vez da técnica ;-)

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  7. Concordo com vocês, May, Alex e a Rafa. Com certeza há lixos aos montes nas prateleiras (mesmo com as editoras "filtrando"), há a situação descrita pela Rafa com relação ao lixo das traduções, enfim, só penso que a exponenciação do lixo diminuiria a eficiência da velocidade do "filtro" pelas pessoas, mais ou menos como acontece na internet. Na internet, para se ler algo confiável, não se tem outro caminho (e mais rápido) a não ser buscar as mesmas referências de fontes de informação que já conhecíamos antes dela aparecer, as empresas de mídia tradicional. A tecnologia facilitada, menores custos, etc.. não ocasionaram o aparecimento de novas fontes de informação (respeitáveis) em volume. Nem a Wikipédia é confiável, exatamente pela liberdade de qualquer um poder escrever lá, mesmo que se possa aferir um pouco de qualidade pela abertura da participação dos próprios leitores.

    Hoje mais gostaria de ter acesso a publicações de edições de obras antigas do que o novo que vai aparecer aos borbotões. Mantenho a expectativa de que será disponibilizado, na forma de livros digitais, mais dia menos dia, todo o acervo do Google Books, escaneado das principais bibliotecas do mundo, boa parte do acervo esse que nunca mais seria relançado em papel.

    Acessei agora o store da Google e só estão liberando a venda para os EUA. Não sei se as obras já à venda estão os livros antigos escaneados, mas fico na torcida para que em breve tenhamos novidades (e que vendam para o fomato Kindle). Localmente, a Editora da Folha informou que até o final do ano inciará suas vendas de livros no formato digital.

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  8. Fred, creio que essa diferença, esse filtro, será feito pelos blogs.
    A minha opinião é que os blogueiros que lêem livros e resenham serão as pessoas que irão influenciar as compras de e-books - as resenhas, sejam em blogs ou na própria Amazon (ou Goodreads) é que motivarão as compras e, então, passamos a nos guiar por pessoas que gostam da mesma coisa que nós e não apenas uma meia dúzia de editores com gosto duvidoso.

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  9. acho que sempre tem uma forma de "focar" em livros bem escritos. existem criticos literarios em jornais e revistas, alem dos blogueiros. por mais que algum destes possam previlegiar obras de grandes editoras, nao poderao ficar alheios a uma nova realidade.

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