quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Inclusão Digital no Brasil? Tô Fora!

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Cuidado com esta inclusão
Ah o Brasil. 
Temos o melhor futebol do mundo (na verdade não temos mais), o carro mais caro do mundo, o iPhone mais caro do mundo, o Big Mac mais caro do mundo. 
Quando ouço falar da inclusão digital o Brasil, lembro imediatamente daquela piada já velha, onde o(a) presidente do Brasil acha graça quando descobre que um certo país sem mar possui um Ministro da Marinha e então lhe perguntam porque o Brasil possui Ministro da Cultura da Saúde e da Justiça.
A nossa tão sonhada inclusão digital vai demorar muito mais do que nossos sonhos. Não é apenas uma questão de preço e disponibilidade de produtos, mas também de cultura social. 
Primeiro, vamos à questão preços: se por um lado a nobre presidente Dilma quer popularizar tablets como o iPad por até R$500,00, por outro, estamos longe de podermos comprar lixo por este preço. Vejamos por exemplo o novo Positivo Ypy, o tablet “inspirado no consumidor brasileiro”. Por meros R$999,00 você leva para casa este formidável aparelho defasado que ninguém que conhece tecnologia quer.
Enquanto isso, nos EUA, país da recessão, a Amazon acaba de anunciar o Kindle fire. Não vou entrar aqui nos detalhes do Kindle fire, basta informar que ele custará meros $199. Isso mesmo, menos de R$380,00.
Ah mas ele não conta, ele é para ler livros (ver filmes, ouvir músicas, jogar). Tá bom, vamos comparar com o também da Positivo, Alfa. Enquanto o Kindle de entrada vai cair para meros $79 nos EUA, o nosso Alfa, defasado, lento mas brasileiríssimo, custa a bagatela de R$799,00. Ah sim, dá pra dividir em 12x sem juros. Quero dois!
Aqui o seu desconto

No Brasil as coisas não acontecem como deveriam. Aqui a livre iniciativa não significa livre concorrência. Vejamos o exemplo da indústria automobilística, o   governo não baixa os impostos das montadoras nacionais, mas bastou a indústria    chinesa morder a quantia de 2% (isso mesmo, dois por cento) do mercado para o governo aumentar o IPI em 30%.
No mercado americano o Kindle básico chegou a custar $399. Com o chegada do iPad ele caiu para $149. Depois, com a chegada do Nook ele baixou mais, foi para $99. Agora vai cair para meros $79.
Falando em EUA, adoraria ver aqui o exemplo do que ocorre lá, onde você tem na etiqueta o preço do produto sem impostos. Ao comprar você é informado de quanto vai pagar de imposto. Já pensou entrar na concessionária para comprar um Honda City e ver na etiqueta de preço: R$40 mil + Imposto de R$16 mil, seria frustrante porém honesto.
Vai levar muito tempo para termos aqui produtos de qualidade e por preços realistas e justos. Se nem um leitor digital custa R$500, como um iPad (ou equivalente) vai custar?

Agora vamos à questão cultural. 

Caros amigos do Orkut...
Se a barreira dos preços é grande, a barreira cultural é gigantesca. Voltaremos ao exemplo dos gadgets para leitura, seja Kindle ou iPad.
Nos EUA é comum vermos pessoas lendo nas ruas, no metrô, nos parques. Existe a cultura da leitura, da informação. Ainda estamos engatinhando neste sentido.
Se você for em um dia de sol ao Central Park, verá dezenas de pessoas deitadas na grama lendo seus livros, sejam eles físicos ou através de Kindles, iPads, Nooks, Positivo Alfa, opa, este não.
E a questão cultural esbarra na questão segurança. Como alguém faria isso no Brasil? Quando vou ao parque evito colocar até meu relógio de pulso para não ser assaltado. 
Não temos hoje segurança suficiente para proteger nossa população. Quem quer se aventurar em pagar uma fortuna por um leitor, pensar que vai poder ler deitado ao sol no parque e, ser assaltado, ficando apenas com a lembrança e as doze prestações restantes?
De que adianta sonharmos que teremos gadgets bons e baratos (e parcelados) se não poderemos exibir nossa triunfante conquista em plena luz do sol?
Isso vai mudar um dia, eu sei, mas temo que nem eu nem meu filho (que eu ainda nem tenho) vai presenciar este dia.
Abraços.

Alex Godoy

8 comentários:

  1. Excelente reflexão. Parte da culpa é do próprio brasileiro, que aceita pagar valores exorbitantes cobrados aqui, seja por um simples leitor digital ou celular, seja por um automóvel.

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  2. Falou tudo! Sabe quando estas coisas irão melhorar por aqui? NUNCA! Só pra dar um exemplo sobre a questão cultural: Costumo ler uns 90 livros/ano (ainda não tenho o Kindle) e já perdi a conta das pessoas que frequentemente me perguntam com cara de nojo, para que eu leio tanto...Fico imaginando quando estiver com meu Kindle em mãos...

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  3. alex,

    mais um ótimo post. num país onde o último presidente se orgulha de nunca ter lido um livro, e a atual diz que lê, mas não lembra o nome (fuma, mas não traga), é daqui para pior.

    []'s

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  4. Gente, obrigado pelos comentários.

    Nelson, nunca esqueço do dia em que o presidente anterior falou que o primeiro diploma dele era o de Presidente do Brasil. Enquanto muitos se emocionaram, eu particularmente pensei que aquilo era o ponto alto do absurdo de um país sem educação e cultura.
    Nada contra a pobreza. Mas eu posso advogar sem ter estudado? Eu posso operar pessoas sem ter estudado? Então porque eu poderia dirigir um país sem o mínimo de conhecimento? Mas isso é outro papo...

    Abs.

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  5. Alex ótimo post. Faço suas palavras as minhas. Nossa República Federativa do Brasil é marcada, infelizmente, pela inversão de valores.

    O cenário está cada dia mais caótico: Em que políticos votam seus próprios salários, um povo miserável que vangloria e enriquece jogadores de futebol (que em sua maioria são analfabetos funcionais), profissionais da educação e da saúde que lutam diariamente para educar e salvaguardar toda forma de vida de uma nação, dentre outros...

    Hoje, vivemos uma ditadura velada em que o conhecimento é poder.

    Deprimente nossa realidade...

    Abs

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  6. Meu amigo, e o custo Brasil?
    Para onde vai o valor dos juros? Ninguém aqui investe (nem empresa internacional) sem financiamentos, e temos o juro mais alto do mundo. Vai para o preço.
    Para onde vai o valor dos altos impostos cobrados? Para o preço.
    Para onde vai o custo das importações de praticamente todos os componentes nessa área? Vai para o preço preço.
    Só que o salário é local.

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  7. Luiz

    Pois é, eu acreditava no tal preço Brasil, até ler aquela matéria que fala do lucro exorbitante da indústria automobilística do Brasil (está reproduzida no Blog do Edson Tandello).

    Eu já não sei de mais nada agora!

    Abs!

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  8. hshshs,

    seu eu ganhasse na megasena (se eu acreditasse em papai noel...) A primeira coisa que eu faria era me mudar dessa bodega/Brasil...

    Também passo por isso o tempo topo, se vc estuda (ou é inteligente) vc é discriminado, se não estuda pode até virar presidente um dia...

    O Brasil deixa de investir nos futuros cientistas mas sempre tem como apoiar os futuros craques do futebol...

    Como eu vou educar minha filha num país desse? Qual vai ser o incentivo? Vai ser assim: Siga o exemplo do presidente: ele era negro, pobre, família sem nenhum prestígio. Estudou, casou com uma mulher de valor e lutou... Sabem de quem estou falando...

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