sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Felizmente você ainda vai ter um eReader

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Vivemos em um mundo acelerado.

Não tenho tanta experiência assim (leia-se idade) mas lembro quando começamos a trocar nossas fitas K7 por CDs, quando passamos a ver Blu-Ray (não, não é BluE-Ray) em vez de DVD e finalmente, obviamente, lembro de quando paramos de comprar CDs e passamos a comprar (!) MP3.
Sobre o MP3, ainda existe um grupo seleto de pessoas que gasta uma fortuna em toca-discos (ou lasers-disc) para ouvir a música na sua mais “profunda qualidade”. Eu que não sou audiófilo (mesmo tendo comprado fones de ouvido de ótima qualidade) não consigo realmente perceber a diferença entre um MP3 de 160Kbps e um de 256Kbps. Mas respeito quem consegue ou diz que consegue. 
Ainda assim, o que gira a roda é o volume de vendas. O que fez o MP3 vingar foram as centenas de tocadores de MP3 que surgiram lá pelos idos de 1998 (ainda que anos depois MP3 tenha virado sinônimo de iPod). Só para informar, hoje temos tocadores intitulados de MP15, uma verdadeira orgia digital. Só não sei se presta!
Com os livros não será diferente. Ou melhor, não foi diferente. Em 19 de maio deste ano a Amazon informou que já estava vendendo mais livros digitais do que em papel. Vale lembrar que o Kindle foi lançado em 2007.
Claro que o mercado americano é “levemente” diferente do nosso. Lá os leitores digitais não recebem o status de “chique”, eles simplesmente fazem parte do cotidiano, eles são uma ferramenta não um brinquedo, eles são o meio, não o fim.
Já no Brasil, muitos acreditam que qualquer coisa que tenha tela e não seja para assistir TV é objeto de consumo apenas da classe alta ou dos metidos intelectuais. Sério, o Senado ainda discute se livro digital é mesmo livro e portanto merecedor de isenção de impostos. E discutem isso desde 2010.
Voltando ao assunto do livro digital, não acredito que vão existir grupos saudosistas, como os audiófilos. Afinal, enquanto alguns notam diferenças entre músicas compactadas, pode-se dizer o mesmo quanto a livros digitais e impressos? O que seria? O preto do livro impresso é mais bonito que o preto digital? Ou será que aquele cheirinho de livro novo é o suficiente para não comprar sua versão digital? Não creio.
A aceitação do livro digital está sendo rápida e indolor, menos claro, para as editoras, eternas temerárias da pirataria. Mas se a Apple descobriu como vender MP3 em uma época em que tínhamos todas as músicas do mundo gratuitamente à distância de um clique, porque outra empresa (Amazon?) não pode fazer o mesmo com os livros?
Esta semana tive uma conversa interessante com um amigo. Ele disse “meu sonho é ter uma biblioteca em casa” e eu respondi “meu sonho é me desfazer da minha”.
Veja bem, adoro livros, adoro ler, tenho muitos e muitos livros. Mas prefiro ter espaço em casa e alguns bilhões de ácaros a menos. 
Chegará o dia em que teremos todos os nossos livros em um aparelho que cabe no bolso.  Ou melhor, este dia já chegou, infelizmente ainda não para nós brasileiros. 
Abraços.
Alex Godoy

10 comentários:

  1. Entendo seu ponto e eu, pessoalmente, concordo e acompanho a opinião.
    Mas o grupo de bibliófilos que eu conheço diz que prefere morrer a pegar um e-reader. Que gosta do cheiro de livro novo e livro enfeitando a estante - é questão de status, você mostra pras pessoas como é rico e culto por ter muitos livros e, mais ainda tempo para "gastar" lendo-os.
    Ainda vou escreveer mais longamente sobre isso ;)

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  2. May

    Os grupos específicos sempre vão existir (audiófilos, bibliófilos e outras filias).

    A questão é que (penso eu) estes grupos não são grandes o suficiente para causar o atraso ou diminuição da utilização de uma determinada tecnologia, como os audiófilos em relação ao MP3 bem como aos bibliófilos em relação ao livro digital.

    Enquanto houver ser humano haverá grupalização.

    Já sobre o status eu concordo com você, uma estante cheia de livros aparenta um dono culto. O que é uma besteira porque status não coloca comida na mesa, ou coloca, sei lá. Como eu gosto é de informação e não de status, para mim uma estante cheia de livros é sinônimo de estante cheia de ácaros.

    Separamos dias atrás várias caixas com livros para doação. Foi a melhor coisa que fiz em muito tempo.

    Abraços.

    Alex Godoy

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  3. acho que quem tá chegando aos 30 anos como eu ,ainda tem a lembrança muito forte dessas coisas "antigas",como fita k7,vhs,livros impresso!!!!.
    Até hoje tenho umas fitas aqui,uns vhs,ate vinil de algumas bandas tem aqui.
    Realmente se pode ter qualquer musica ja feita em um clique,mas no meu caso quando comecei a baixar musicas a rodo,nao achava a mesma coisa,a gente comprava um CD,era algo fisico que a gente tinha,nao so arquivos em um aparelho,eu enchia a boca pra falar q tinha comprado o ultimo CD do metallica,ficava vendo o encarte,cuidando para nao riscar,esse CD alias foi o ultimo q comprei anos atras.
    Eu gosto muito d ler,acho bacana quando compro um livro novo,akele cheirinho é sensacional,mas as coisas mudam nao é mesmo..

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  4. LIVROS, o que importa mesmo é lê-los e não simplesmente tê-los no suporte papel!
    Tenho uma biblioteca de cerca de 2.000 livros que começo a me desfazer porque não há mais espaço físico em casa. Quero ler/ reler clássicos e outros autores e não me preocupar onde armazenar o suporte destes conteúdos. Isto sem mencionar os livros de referência, enormes que poderiam apenas ocupar alguns bytes e ficar ao alcance de 1 ou 2 "cliques" no meu e-reader
    Abraços
    Fernando

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  5. Belo texto, gostei muito das ideias apresentadas.

    Bem, eu tenho minha pequena biblioteca em casa, mas depois de começar a ler em um kindle, nota-se a enorme vantagem.

    Porém, ainda tenho restrições: kindle só para "novels"; quando se trata de livros técnicos ou didáticos o papel ainda apresenta benefícios inestimáveis.

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  6. Tirando poucos livros de valor sentimental, uns raros e outros mais por questão estética mesmo (que li e reli, não sou do tipo que tem estante para enfeite), eu trocaria meus livros pelo formato digital (o que, na verdade já estou fazendo).

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  7. Alex, creio que com a vinda da Amazon para cá naturalmente ela buscará parcerias com as editoras e aumentar o acervo de literatura na nossa língua. Se vai conseguir, não sei, mas é uma chance.

    O que me chateia é a cultura da pirataria, e essa creio é um grande empecilho para as editoras disporem os livros digitais em massa no mercado.

    Foi-se o tempo que as pessoas não podiam pagar um livro, um MP3, locar um vídeo ou comprar um mapa de GPS, os preços baixaram e ficaram acessíveis, mas o que acontece aqui? As pessoas compram um GPS (porque é hardware) e o mais barato, que é o mapa, em média 49,00 reais, que é ali que está a utilidade do serviço, o conhecimento, o benefício, um compra e mil (que podem pagar) pirateiam, como se não tivessem o mínimo de respeito com o conhecimento técnico das equipes que o produzem e o mantém atualizado. AInda bem que não são todos que pirateiam porque deixaria de viabilizar as empresas para levarem adiante esse serviço.

    Em contrapartida, nas culturas europeia e norte-americana as coisas no mundo digital funcionam, as pessoas pagam. Assim vale a pena para as empresas investirem para ter retorno.

    Aqui não temos muitos produtos e serviços ainda, como esse de livros digitais, por puro medo das editoras de os livros, de papel, virarem "pó" com a pirataria, para elas é mais adequado vender em papel (ainda), que garante o sustento delas.

    Penso que é absolutamente necessário mudar essa cultura para que todos saiam ganhando, inclusive ficaria tudo mais barato com maior demanda.

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  8. Fred

    Concordo plenamente com você.

    Tudo gira em torno de preço e disponibilidade. O que faz a pessoa pagar pelo produto em vez de piratear é o valor de determinado produto e a facilidade de adquirir o mesmo.

    Se um filme, um livro, um MP3 for barato e fácil de comprar, a grande maioria vai comprar. Torne o produto mais caro do que o povo "sente" que ele vale, ou, torne a compra complicada, muitos vão se esforçar para conseguir de forma alternativa.

    Sabe qual a maior invenção (na minha opinião)nos últimos anos? A compra pela internet. Seja no computador, no telefone, no gadget. Olhou, clicou, comprou.

    Mas complique este processo com DRMs, preços altos, cadastros complexos ou baixa disponibilidade, as pessoas vão atrás do plano B.

    Quer um exemplo? Compre hoje o Guerra dos Tronos em epub em português. Não tem para vender. Já para baixar...

    Abs.

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  9. Alex gostei muito da matéria, eu também estou me desfazendo aos poucos dos meus livros, depois de comprar meu primeiro e-reader o Cool-er, passei a ler e-books e agora com o Kindle sou compradora fiel da Amazon, o que gastava em livros em livrarias brasileiras hoje compro mais por menor preço na Amazon.
    Lendo os comentários dos compradores do New Kindle $79 doláres, eles dizem que é melhor do que o K3, além de bem mais leve, como eu não uso o kindle para fazer anotações somente para leitura acho que ano que vem eu encomendo o meu, o Kindle touch eu não gostei muito, eles deveriam ter posto que nem o Nook touch os botões de virar as páginas que fica fácil segurar e clicar do que ter que toda a hora ir tocando na tela para virar, touch é bom para algumas coisas, mas para virar as páginas ainda prefiro os botões do lado para mim são mais práticos.

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  10. Digamos que eu seja um tipo muito peculiar d e"bibliófila"... agrada-me o objeto e vou mantê-los, apesar dos ácaros. Continuo comprando-os (talvez porque não tenho à disposição em e-book todos os títulos que me interessam) em maior volume do que efetuo compras de e-books, mas acho que não é só a resistência das editoras que mantém isso, o preço dos e-readers é certamente uma razão importante.

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