terça-feira, 20 de setembro de 2011

Educação, Computadores, E-readers e a Vida Contemporânea

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Dias passam, semanas, meses e anos e tudo que vemos é a ruína progressiva do nosso sistema educacional, no intuito de evitar o inevitável, colocamos nossos filhos em escolas particulares, pagamos caro, muitas vezes com sacrifício, mas a derrocada não é exclusividade do sistema público, atinge todo o ensino, mesmo o particular, de forma mais lenta. Há algo de muito errado em nossa escola e universidades.

O cotidiano é que faz esta percepção mais evidente, o ensino vem a séculos no mesmo trilho, é o mundo moderno tão rápido e dinâmico que agora se choca com os antigos ideais escolares. Em tempos passados o acesso a informação não era tão simples, hoje qualquer um com um celular conectado pode encontrar a informação mais complicada nas páginas da web, da mesma maneira como se carregasse o livro abaixo do braço o tempo todo, com a grande diferença que este livro contém toda a informação do conhecimento mundial.

É imperativo salientar que muito do tempo gasto nos bancos escolares e no conseqüente estudo caseiro é dedicado à simples e estúpida tarefa da memorização, conteúdo que será vomitado momentos mais tarde em uma prova que exige apenas isto do aluno. É um modelo viciado, ineficaz, que as páginas dos mecanismos de busca tornaram completamente obsoleto.

Hoje mais do que nunca, o que diferencia as pessoas não é a quantidade de informação que acumulam, mas como processam seus conteúdos. Tive um professor de matemática que dizia: “memorizar é tarefa que qualquer folha de papel faz melhor que o ser humano, mesmo tendo o QI de meia samambaia plástica”. Não ouso discordar, é a mais profunda realidade, por mais que decoradores de lista telefônica possam ser inteligentes de salão, declamando tudo de forma maquinal, ficaram obsoletos diante da rede; é a pessoa que sabe tirar sentido, pensar criticamente e operacionalizar os conteúdos que faz a diferença.

Os computadores invadem as escolas, em vez de usarmos o seu grande potencial, usamo-los como propagandas pirotécnicas com propostas educacionais medíocres, joguinhos coloridos e barulhentos para fazer o mesmo que os cansados professores não deveriam. E eis a grande realidade, computadores são meras ferramentas, se não souber como usa-los para educação efetiva, não só não vão auxiliar como vão atrapalhar. Às vezes pergunto a um aluno o motivo de algo, e com freqüência a resposta que recebo é: “ isto é assim pois o professor disse que é assim...”, não há crítica, nem pensamento a elaborar uma resposta lógica, a fala do professor foi o único material de consulta, aceito de forma passiva sem qualquer processamento, upload do professor e download do aluno, atividade que o computador QI de meia samambaia plástica faz melhor que nós.

As crianças hoje ficam cinco a seis horas diárias na sala de aula, se perguntar o que descobriram não saberão dizer, divagaram, conversaram com colegas, tudo menos envolver-se com os conteúdos propostos pelo professor, não é para menos, muitos alunos entram mudos e saem calados, muitos professores não gostam de perguntas, outros ainda, entram, enchem um quadro negro, os alunos copiam em seus cadernos e a aula termina. Que me condene ao fogo eterno quem nunca viu isto acontecer. Comum? Sim! Correto? Nunca!

Os meios informáticos são benção ou maldição, ainda ontem vi professores fazendo abaixo assinado para não usar tablets nas escolas, pois os alunos sabiam utilizar estes aparelhos melhor que seus professores. Isto é atitude de um mestre? Nas escolas mais preparadas o aluno terá um livro didático para auxiliá-lo, é a informação lá contida que será toda sua fonte. Os tais livros didáticos são derivações de conteúdo, quando passamos a aprender de maneira correta sempre nos foi ensinado a ir à fonte original, está longe do livro didático que na maioria das vezes estripa toda a lógica dos raciocínios, apresentando conteúdo sem sentido racional, na melhor das hipóteses só serve para ser decorado. O e-reader permite a biblioteca na ponta dos dedos com uma grande variedade de textos, todos originais e em domínio público, a física de colégio tem apenas trezentos anos... Qual o motivo dos livros didáticos serem atualizados anualmente se o conteúdo não muda em décadas? Lógico, fomentar a venda do livro didático, o maior mercado editorial do Brasil. Assim o irmão mais novo terá que comprar novos livros, não poderá usar o do mais velho, apesar do conteúdo não ser diferente dos livros utilizados por seus pais.

Tablet ou e-reader? O e-reader permite ler por períodos prolongados sem cansar a vista, é análogo ao papel utilizado por anos, pode portar os livros de leitura e textos de estudo, mas não é colorido e não mostra vídeos, coisa que o tablet faz tão bem. Qual motivo de não ter todas as aulas do ano já gravadas em vídeo? Existem professores que ano após ano entram em sala e falam as exatas mesmas coisas, tem até bons, quem duvidar do que digo, ouça uma aula gravada a muito tempo de um tal Feynman, intitulada “Lectures on Physics”, mestral e ainda atual e útil. Não gostou de um professor? Pode ter seis versões da mesma aula com professores diferentes para assistir quando tiver atenção e não no primeiro horário da manhã ainda com sono. Sim, o tablet tem vantagens, mas não tem teclado e portanto pode ser substituído pelo laptop, mas não há o que substitua o e-reader, sem ele conteúdos mais complexos que exigem leitura intensa do aluno não podem ser acessados. A escolha cai para laptop e e-reader em conjunto.

E agora? O que sobra para os professores fazerem? O que sempre deveriam ter feito, conversar com os alunos, responder perguntas, contamina-los com o prazer pelo conhecimento, partilhar esta paixão. O computador, o tablet e o e-reader com QI de meia samambaia plástica não podem substituir o professor, deve fazer o que estes dispositivos nunca poderão, nunca reduzir-se a mera máquina. Assim teremos bom ensino, estimulante para professores e alunos.

Alex

2 comentários:

  1. O melhor texto que eu já li!!!

    Educação X Atualidade.

    Professor a unica peça que nunca vai ser substituida outra verdade.

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  2. Precisamos valorizar os bons professores; os professores precisam valorizar-se, evitar a massificação maquinal e priorizar a educação crítica.

    Abraço,
    Alex

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