quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Para Jack London "Chegou a Hora dos e-livros"

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Por indicação de Jessiê Schypula (muito obrigado pela dica), entrei em um artigo do site Pequenas Empresas Grandes Negócios de autoria de Jack London, que tomo a liberdade de transcrever abaixo (o original está em 

Chegou a hora dos e-livros


A crescente venda das publicações em formato eletrônico e a possibilidade de inclusão da plataforma na rede pública de ensino mudam as perspectivas para o futuro


Antes de conversar sobre o assunto, um pequeno acordo entre colunista e leitores: nem e-book, a versão inglesa, nem livro eletrônico, expressão esdrúxula e desagradável. Prefiro a opção e-livro, pelo formato simples e mais cordial.

Três fatos recentes nos levam a acreditar que a hora do e-livro chegou. Não como perspectiva para o futuro, com ressalvas e dúvidas, mas sim como realidade palpável, para já, para ontem. Prepare-se: o e-livro chegou definitivamente.

Vamos aos fatos.

1. Em 19 de maio de 2011, a Amazon divulgou um número histórico, numa data que no futuro será conhecida como Dia Internacional do Livro – que hoje é comemorado no dia 23 de abril, data da morte de Shakespeare. Naquele dia, a Amazon vendeu mais cópias de e-books do que cópias de livros em papel. Para cada 100 livros tradicionais, foram 105 eletrônicos. Um Kindle, que já custou US$ 350, hoje tem versões de até US$ 114. Apenas quatro anos separam esse marco histórico do dia do lançamento do primeiro Kindle. Mais de 500 anos de livros de papel nos separam da Bíblia de Gutenberg. A significativa redução dos preços dos e-livros e de seu conteúdo, num momento de crise econômica nos países desenvolvidos, aponta para uma tendência de crescimento exponencial dessa plataforma. A própria Amazon prevê que, dentro de 12 meses, estará vendendo 200 e-livros para cada 100 livros de papel.

2. Reunidos no final de julho de 2011, os editores brasileiros vieram a público anunciar que preveem debandada geral de todas as editoras brasileiras para a educação digital. Os editores brasileiros de livros didáticos iniciaram uma corrida para se adequar ao Livro Didático Digital, iniciativa já sinalizada pelo governo federal para ser implantada nos próximos dois anos.

Gastamos por ano R$ 1,2 bilhão em livros didáticos. Os editores estimam que o custo desses livros cairá para R$ 240 milhões por ano com a introdução do Livro Didático Digital, ou seja, uma diferença de R$ 960 milhões. Temos hoje cerca de 24 milhões de alunos na rede pública de ensino fundamental e 2,45 milhões no ensino médio. Sem qualquer despesa acessória, o governo federal poderá adquirir das (quatorze!!!) fábricas brasileiras cerca de 4,8 milhões de tablets no primeiro ano dessa nova política, para fornecê-los gratuitamente a todos os jovens brasileiros de 9 a 18 anos que frequentam a rede pública de ensino. A partir daí, haverá quase R$ 1 bilhão a menos de gasto por ano nesse programa, e a possibilidade de abastecer, a qualquer momento, esses tablets com a quantidade de livros que quiserem.

Em vez das velhas discussões sobre como melhorar ou ampliar as bibliotecas brasileiras, serão 4,8 milhões de bibliotecas a mais no país. Transformação, mudança, revolução é o nome desse jogo. Escolham o que quiserem.

Imaginem o impacto emocional e social desta medida. O que farão esses jovens com um tablet na mão a partir dos 9 anos, podendo estabelecer padrões de alfabetização intensiva que deixam no passado os resultados regulares de leitura de hoje?

Menos gráficas, menos celulose, menos tintas, menos transportes, menos movimento para correios e toda a infraestrutura que se segue. Imaginem as possibilidades desse mercado para jornais, livros e revistas. 


* Jack London é fundador da Booknet, primeiro negócio virtual que ganhou fama no Brasil, e da Tix, empresa de comercialização de ingressos on-line. Atualmente é professor, consultor e empreendedor 

3 comentários:

  1. O governo paga verbas de pesquisa e salários a pesquisadores e professores em virtualmente todas as áreas do conhecimento que abrangem a educação primária, secundária e até universitária. Se nos próximos contratos exigir que tais pessoas escrevam apenas um capítulo em sua especialidade para domínio público, teremos farto material educacional de qualidade sem gastar nada a mais! É uma questão de otimizar gastos!
    Abraço,
    Alex

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  2. O Jack London sempre foi um cara visionário.
    Ele tem razão, um e-livro na mão de cada aluno do ensino fundamental se transformará numa e-biblioteca na mão de cada aluno do ensino médio; mas tem um porem: os ratos da esplanada ainda não farejaram como vão ganhar dinheiro na liberação de verbas públicas para aquisição (futura) dos aparelhinhos. Quando a hora que o London fala, chegar, vai ser como a merenda escolar: uns dias não tem conteúdo, noutros não tem manual, noutros o aparelho foi desviado, e assim por diante. Acho que cabe a cada um de nós criar "pontos de segurança" fiscalizando para que nunca falte conteúdo e que o mesmo seja adequando (para a nova ferramenta), para que a cultura de uso do e-livro parta das pessoas que já dominam seu uso, assim como a escolha dos equipamentos seja feita com base no preço, funcionalidade e assistência técnica. Assim - quem sabe - o futuro e-aluno se transforme num verdadeiro e-leitor.
    Vamos tentar ser mais rápidos que os ratos!

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  3. É, muito empolgante a matéria, mas ela não leva em consideração os ratos das licitações. Já trabalhei em empresa que vende somente para órgãos públicos e digo com experiencia vivida que existe mais ratos nas empresas privadas que na adm pública, e olha que na adm publica tem bastante.

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