sábado, 6 de agosto de 2011

O Perigo dos Ebooks por Richard Stallman

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Como prometido, segue abaixo a tradução do artigo de Richard Stallman (na foto ao lado). Richard Stallman é considerado o verdadeiro pai do software livre.


O Perigo dos Ebooks
Richard Stallman

Em uma época onde o negócio domina nossos governos e escreve nossas leis, todo avanço tecnológico oferece ao negócio uma oportunidade de impor novas restrições ao público. Tecnologias que poderiam nos dar poder são utilizadas, de outra forma, para nos acorrentarem.

Com livros impressos:
  •  ·      Você pode comprar um com dinheiro anonimamente.
  • ·      Então você se torna proprietário dele.
  • ·      A você não é exigido assinar uma licença que restringe seu uso.
  • ·      O formato é conhecido, e nenhuma tecnologia proprietária é exigida para você ler o livro.
  • ·      Você pode doar, emprestar ou vender o livro para alguém.
  • ·      Você pode, fisicamente, escanear e copiar o livro, e isso será legal em alguns casos, considerado o copyright.
  • ·      Ninguém tem o poder de destruir o seu livro.


Compare isso com os ebooks da Amazon (que são bastante típicos)

  • ·      A Amazon exige que os usuários se identifiquem para obterem um livro.
  • ·      Em alguns países, a Amazon afirma que o usuário não é o proprietário do livro.
  • ·      A Amazon exige que o usuário aceite uma licença restritiva para utilizar o livro.
  • ·     O formato do livro é secreto, e somente um software proprietário e restritivo para o usuário pode permitir sua leitura.
  • ·      Um tipo de “empréstimo” é permitido para alguns livros, por um tempo limitado, e somente para usuários especificados pelo nome, que utilizem o mesmo leitor de ebooks. Doações e vendas não são permitidas.
  • ·   Copiar um ebook é impossível devido às restrições impostas pelo Gerenciamento de Restrições Digitais (DRM) no sistema e proibido pela licença concedida, o que é mais restritivo que a lei de copyright.
  • ·      A Amazon pode remotamente deletar o ebook do usuário utilizando um artifício de software que se encontra no ebook. Isso aconteceu em 2009 quando deletou milhares de copias do livro de George Orwell, 1984.


Basta apenas um desses itens acima para tornar esses ebooks  um retrocesso em relação aos livros impressos. Nós devemos rejeitar ebooks que nos negam liberdade.

As companhias de ebooks dizem que nos negar nossas liberdades tradicionais é necessário para que possam continuar a ter recursos para pagarem aos autores. O sistema atual de copyright tem um papel lamentável em relação a isso, é muito mais voltado para apoiar as companhias do que o usuário. Nós podemos dar apoio aos autores de outras formas que não imponham restrições à nossa liberdade, e que também legalizem o compartilhamento de livros. Dois métodos que eu sugeri, são os seguintes:



Ebooks não precisam ameaçar a nossa liberdade (os ebooks do projeto Gutemberg não a ameaçam). Mas eles ameaçarão se as companhias assim o decidirem. Depende de nós evitarmos isso. A luta já começou.

Copyright 2011 Richard Stallman
Released under Creative Commons Attribution Noderivs 3.0.

10 comentários:

  1. Bem, tenho que reconhecer que esses argumentos são sólidos. O que nos leva a uma conclusão inicial e irrefletida de que ao comprar um "e-book" nós compramos o direito de ler o conteúdo de determinada forma e ponto final. As restrições são inúmeras. E, o que leva a perplexidade é o preço do livro restrito (e-book) é as vezes igual ou mais caro do que o livro amplo (livro papel), guardadas as devidas proporções. Bom o tema é novo...certamente ao longo dos anos vai ser amadurecido.

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  2. Muitos anos atraz, aqui em Brasília, existia uma escola de DATILOGRAFIA (asdfg - com a mão direita e çlkjh com a mão esquerda) chamada BENNET. Nessa época eu trabalhava no projeto PNUD do Ministério da Agricultura e todas as "máquinas de escrever" eram IBM elétricas de esfera (era lindo ver a bolinha cheia de letrinhas rodando em frente ao papel). Pois bem, todos tinham que fazer curso de datilografia na escola Bennet para datilografar relatórios, planilhas, etc. Quando chegou ao projeto o primeiro computador - acho que um cobra - perguntei ao gerente da Bennet se ele oferecia curso para "datilograr" nas novas máquinas. Ele me disse que esse modismo ficaria restrito a técnicos especializados que "datilografariam" nossos trabalhos e que as máquinas de escrever (já tinha chegado a olivetti margarida) nunca iriam desaparecer.

    Conto essa história por conta da matéria do Richard Stallman; há realmente um grande perigo rondando a propriedade do livro. O de papel, quando compramos (caro) é todo nosso. O e-livro, precisa de procedimentos que violam nossa privacidade (nome, idade, endereço, etc). Porém, a compra da informação seja ela ficção ou não, vai começar a respeitar as novas regras do jogo. Talves, quem sabe, nós que ainda compramos livros impressos vamos acabar fazendo o que particularmente faço: coloca-los numa sala junto com minha olivetti manual, meus discos de vinil, meu atari, meu genius (sim eu tenho um), meu walkman e meu telegrafo.

    Os novos leitores estão nascendo, ou chegando (por já term mais idade) com a nova tecnologia. Eles entendem, melhor que eu ue tenho 50 anos, o conceito de nuvem, de "não matéria", de informação não impressa. O Richard Stallman está certo, mas o movimento está fadado ao fracasso, como a BENNET.

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  3. Não consegui postar diretamente aqui nos comentários, mas fiz um post questionando cada um desses argumentos dele. Quem quiser ver, está em http://sergiossantos.com/2011/08/07/os-ebooks-sao-um-perigo/

    Abraço,

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  4. Eu não sei para vocês, mas minha biblioteca é algo muito pessoal, não deixo quem eu não conheço entrar e fuçar nos meus livros. Não gosto da idéia de alguém que não conheço entrado e destruindo livros (apagando) a seu bel prazer. O livro depois de lido nos aprisiona em relação emocional, gosto de meus amigos perto, e gosto mais ainda de compartilhar boa literatura. Emprestar um livro para compartilhar o prazer é delicioso, está certo que muitas vezes o livro não volta, mas mesmo assim, ciente que minha biblioteca circulante é maior que a minha física, ainda prefiro compartilhar livros. Tenho livros muito queridos que não mais posso ler, espero que estejam circulando e espalhando seu conteúdo, partilhar literatura e conhecimento ainda é melhor que a dor de um livro que não retorna.

    O ebook em conjunto com e-reader torna a editora supérflua, o autor é desculpa, pois do lucro de um livro tem parte ínfima, é a remuneração do capital que tem maior percentagem no ganho do livro. É um modelo de negócios antigo, ainda sem boa alternativa. Não acredito em compensações governamentais pagas involuntariamente por contribuintes, ainda mais em nosso país, vamos ter o compadrio mais nojento recebendo por sua infame literatura, já não é a academia brasileira de letras verdadeira monstruosidade?

    Sergio, de suas colocações discordo de todas veementemente, fico mais próximo do lado do Stallman, há perigo de redução de direitos legais. Como o software livre de excelente qualidade, teremos literatura livre de excelente qualidade, livros inviáveis no papel.

    Abraço,
    Alex

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  5. Sergio, juntamente com o Alex, acredito que o Stallman levanta pontos muito válidos sim.
    Não são o suficiente para evitar o "levante" dos e-books, mas são pontos a serem considerados por nós, pioneiros do ramo, para que tentemos ao máximo melhorar o mercado.
    Todos sabemos no que levou o software livre - pouquíssimo utilizado, apesar de fortemente defendido - e isso também será real com os livros, apesar de proprietário, é mais fácil quebrar um DRM do que ler apenas livros "livres"...

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  6. concordo com o sergio. achei os argumentos do richard stallman coisa de gente chata.

    []'s

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  7. Somos chatos ao cobrar isenção legal, já prevista na constituição para nossos leitores. Somos chatos ao exigir nossos direitos.
    Somos chatos por não querer pagar a pior e mais cara banda larga do mundo.
    Somos chatos quando exigimos punição para corrupção.
    Sou chato, não quero perder meus direitos.
    Vou continuar sendo chato em vez de calar.

    Abraço,
    Alex

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  8. somos chatos, principalmente, quando confundimos alhos com bugalhos.

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  9. Os argumentos de Stallman só não convencem a quem é ingênuo e acredita na filosofia da Moranguinho (a de que as coisas estão sempre melhorando, conforme uma revistinha que certa vez comprei para a minha filha).

    Claro que isto não quer dizer que devemos boicotar os ebooks, esta seria uma reação obscurantista e infantil. Quem fica no caminho da História é atropelado por ela. Mas se nós queremos defender as liberdades que temos (mesmo restritas), precisamos ter esses argumentos em mente e tentar buscar meios de apoiar iniciativas alternativas. Não devemos abraçar irrefletidamente tecnologias que nos escravizam. Devemos prestigiar formatos livres, etc.

    Pode, no começo, parecer menos chato você não questionar nada. Mas depois, quando você estiver devidamente acorrentado por contratos, multas, regras e etc., quem vai ficar chateado é você.

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  10. que fique bem claro que vou falar só por mim: vivo preso ao meu trabalho há 30 anos; vivo sustentando um bando enorme que confunde estado com governo e partido político; nunca consegui sentir as marcas das algemas que o ignominioso do bill gates colocou em mim há tantos anos; estou adorando o kindle; etc. ou seja, acho que sou o perfeito exemplar do bovino que esses bravos rapazes livres querem levar para o pasto maravilhoso que eles cultivam. preguiça.

    []'s

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