terça-feira, 9 de agosto de 2011

Ebooks, E-readers e Alta Literatura

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Quando você dedica um pouco mais de seu tempo para leitura logo começa a notar certo empobrecimento nos livros mais novos, é como se os mestres da literatura tivessem ficado sem herdeiros ou desafiantes. Há uma morneza enfadonha naquilo que é publicado em nosso tempo, será que o homem moderno tornou-se mais tedioso que o de setenta anos atrás? Vivemos em mundo mais diverso, temos acesso a cultura e conhecimento em velocidade que nossos antepassados não imaginariam, e ainda assim, somos mais aborrecidos?



Há algo que não se encaixa nesta equação, os sinais estão invertidos, deveríamos ter literatura mais viva, inovadora, provocando o leitor. Novos escritores desafiando Hemingway, Virginia Woolf, Joyce, Faulkner e Pessoa. Tudo que vejo são escritos ajoelhados de fronte aos mestres sem nunca levantar os olhos para tentar ver-lhes a face, uma grande quantidade de impostores, bem ou mal intencionados. Não é exatamente culpa do escritor, mas sim do livro e deste animal estranho e raro chamado alta literatura.



Esta resma de papel chamada livro já foi veículo de idéias, literatura, inovação, agora infelizmente é apenas um produto, como outro qualquer, com o mesmo objetivo de todos produtos: vender mais.



Produto para ter mercado e vender mais precisa agradar a maior percentagem do público possível, é por isto que filmes modernos empacotam na mesma estória aventura, romance, comédia e drama, um pouco para todos, mas nada do melhor para um. O livro também é produto, e alta literatura é algo que atrai poucos, se o autor já é famoso muitos vão comprar o livro, mas não irão ler. E se o autor de alguma maneira não tiver fama, a dificuldade inerente na linguagem dos que desafiem os velhos cânones, será obstáculo intransponível para sua divulgação.



O livro não é mais veículo de alta literatura, ela tem uma escala menor do que exigem os editores. A boa notícia é que o ebook e o e-reader não tem estas limitações, autores podem ousar experimentar, inovar e assim desafiar os velhos clássicos que ficariam encantados com esta batalha. Já pode o autor escrever pensando na arte, esquecer tabelas mercadológicas ou a visão comercial dos editores; não dá para viver disto, mas dá para viver por isto.



Alex

5 comentários:

  1. Bom post. A transformação da arte em produto é de fato muito problemática. Enquanto, antes, a arte era feita pela arte, e a venda era mera consequência, hoje a arte já é feita para vender, o que acaba por comprometer a qualidade estética da obra. O formato digital pode de fato ser uma alternativa a tal sistema.
    Apesar disso, creio que existem alguns bons autores atuais. Embora autores de obras comerciais, gosto das obras de Neil Gaiman e das de George R. R. Martin. Este último é o autor dos livros da coleção "As crônicas de Gelo e Fogo", que conta uma história de fantasia parecida (e de qualidade parecida) com as obras de Tolkien.
    Nós não temos nenhum Dostoiévski, mas na minha opinião ainda existe alguma qualidade na produção literária atual.

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  2. O Neil Gaiman e o George Martin do qual só li a bom tempo a série do “Wild Cards” são bons escritores de gênero, é agradável, impossível comparar com Dostoievski, Chekhov ou Hemingway. É a alta literatura que inexiste, no Brasil nem há literatura de gênero.

    Abraço,
    Alex

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  3. Alex, a dificuldade de encontrar o leitor disposto a esse texto não pasteurizado permanece. Mas sim... a possibilidade de publicar já é vitória

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  4. Mauren,
    Se não há leitura não há leitores, há de se haver algo diferente para ler, para experimentar; não posso afirmar que não existem leitores se no domínio da alta literatura não existe nada novo, nada que desafie o leitor a ver o mérito do texto sem que seja pelo pedigree da assinatura.

    Abraço,
    Alex

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