quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Borders* nunca mais

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Tudo deu certo. As lojas da Livraria Cultura abrem hoje em São Paulo com um acréscimo absurdo de quase um milhão de produtos, é isso mesmo, 30% a mais do que seu acervo “normal” de títulos, atenção: é a Cultura dando o pulo do gato da era (do livro) digital, gente.

E para isso, não foi necessário alugar nenhum andar adicional, nem sacrificar quase nada de seu espaço tradicional, mas, sim, bem ao jeito do brasileiro quando encontra uma solução excepcional — aquele pessoalzinho que a gente sempre vê em segundo plano quando a questão é alguma invenção genial, mas que, peraí, de vez em quando encontra o caminho simples, mas crucial, para algum problema internacional, o motor a álcool, por exemplo. Sim, é oficial: foi o Brasil que inventou o combustível de cana e depois evoluiu, em 1990, para os bicombustíveis que hoje comandam o mercado global.

A solução era simples, elegante, como dizem os cientistas: tratava-se de um tanquezinho adicional com um pouco de gasolina para a partida a frio, e pronto.

Pois a solução encontrada pela Livraria Cultura para o problema do mercado livreiro tradicional é quase tão simples e elegante quanto. Tanto que, quando a vi pela primeira vez, pensei, mas que bobagem! No entanto, à medida que fui refletindo sobre o assunto duas ou três horas depois, o efeito foi imediato: passei a noite em claro pensando, vislumbrando onde aquilo poderia chegar. E chega hoje.

Porque, meus amigos, tudo bem que a questão final para o desempenho comercial dos ebooks é a existência de um aparelho barato, eficiente e fácil de usar, algo que na verdade ninguém precisa “especular”, pesquisar, sabem como é; tão automático quanto... ler um livro. Mas disso, tem muita gente no mercado querendo se encarregar. São cada vez mais tablets, smartphones e outras invenções, cada vez mais acessíveis, e o software ideal também não deve demorar: depois que a Google engoliu a Motorola sem mastigar, trata-se apenas de uma questão de tempo, pouco tempo. E muito dinheiro, claro, dinheiro deles lá. Devo confessar que embora kindlemaníaca de carteirinha, a experiência de ler um ebook no Galaxy  (Android 2.2) me deu o que pensar, francamente. É muito atraente.

Agora, o que ninguém parou para analisar é que o magnetismo real de uma livraria colorida, sensorial, onde permanece a experiência imperdível de sair de casa, tomar um expresso, encontrar um amigo e explorar as prateleiras entupidas para encontrar algo que nos interesse... ainda enternece a grande maioria das pessoas. Duvida? Vá até a Livraria Cultura do Conjunto Nacional numa prosaica tarde de quarta-feira.

E como juntar esse potencial todo com a maravilhosa revolução digital? Como evitar o desmoronamento da vida real, como ocorreu com a Borders e outras gigantes do mercado internacional?

A Cultura olhou. E viu. E veio com uma solução à altura do tanquezinho de gasolina adicional, o Cultura Ebook Card (ainda nem sei se o nome oficial é este) que deve estar hoje mesmo nas lojas paulistas e na aguardada inauguração da Cultura do Fashion Mall, no Rio de Janeiro (dia importante, hein...), e a partir de setembro em todas as 12 lojas da rede, uma gigante nacional, compare nesta análise de Veja.

E nós, da KBR, com isso? Bem, já dizia o já saudoso Steve Jobs que “criatividade é simplesmente conectar coisas”. Então, a gente foi mais um passo à frente: a Cultura veio com o tanque e a gente foi com o “bicombustível”, se é que vocês me entendem: criamos o primeiro cartão KBR/ Cultura que permite ao leitor não somente encontrar e comprar o ebook nas lojas físicas da rede, como também... folheá-lo, perscrutar seu conteúdo, decidir sobre a compra através de um simples QR Code. Assim, meus amigos, avança o mundo digital, restrito a uns 2% do mercado livreiro nacional, pela riqueza da mídia tradicional. Vamos pegar os outros 98% a unha e cooptá-los no nosso mágico mundo misterioso: o do leitor digital. É ou não é a eliminação de todas as fronteiras*?

Bem, e pra você aí que ainda não entendeu direito, acha que precisa de alguma boa explicação pra fazer uso da novidade, vai um conselho: experimente esta tarde ir pessoalmente à Livraria Cultura, no Rio e em São Paulo, amanhã ou depois aí na sua cidade. É a verdadeira revolução do livro.

* pra quem não domina o idioma inglês, desculpem, mas não consegui evitar o trocadilho: “borders” quer dizer “fronteiras”, e é também o nome, como todo mundo sabe, de uma das maiores redes livreiras dos Estados Unidos, que não soube se adaptar à nova realidade digital e fechou suas portas há pouco mais de um mês, derrubada, quem sabe, pela pujança da Amazon: faltou o jeitinho brasileiro pra eles, não é mesmo?

Post também publicado nas Crônicas da KBR.

7 comentários:

  1. Noga, assim não vale! Fiquei maluco aqui na cadeira querendo saber o que é e como funciona esse tal cartão! :)

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  2. Que porcaria de texto. Prolixo, cheio de solecismos, péssimo estilo... e completamente inútil. Não dá informação nenhuma. Li e reli, achando que não tinha dado atenção suficiente. Nada, é uma droga de escrito mesmo.

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  3. Deus meu... esse texto é de uma pessoa que tem, em tese, o costume de ler? Oremos...

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  4. tb gostaria de saber mais. afinal estou muito longe de sp e rj.
    como poderia um cartao fazer tanta diferenca comprar sem sair de casa ainda me parece a melhor coisa. muita gente nao gosta de colecionar cartoes. e cafeteria dentro de livrarias nao e' novidade.

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  5. pois é. Achei impossível que alguém tivesse criado todo esse alvoroço porque eu posso pegar meu kindle (não! acho que um kindle não serve, já que os formatos comercializados pela Cultura tem de ser "adaptados" para ler no kindle). Enfim: todo esse alvoroço porque posso pegar meu e-reader e comprar um livro sentada na cafeteria da cultura? Ridículo! Folhear os livros é coisa que qualquer um pode fazer de qualquer lugar quando compra na amazon. Ou na poltrona de casa, de pijama e chinelos, ou na cafeteria predileta (que não necessariamente fica dentro da Cultura).

    Também achei que tivesse perdido alguma coisa do texto, voltei pra ler, mas não tinha nada - era só enrolação mesmo. Além disso, comparar esse sistema de cartões com motor à álcool, valha-me deus. A borders e a BN já têm sistemas semelhantes, e não sei de quem tenha tido orgasmos múltiplos por causa deles.

    Eu adoro passear na Travessa, na Cultura, e até nessas mega-livrarias mais comerciais. Mas quem vai numa livraria vai para folhear livros de verdade, ver as capas, olhar as mesas com lançamentos. E não pra ficar com a cara enfiada num e-reader que me acompanha dia e noite.

    Além disso, mesmo adorando meu kindle continuo comprando livros em papel. Simplesmente o kindle é uma outra forma de ler. Certamente não vai substituir nunca aquela edição linda da Cosac pro Zazie no Metrô ...

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  6. caraca! que povo sem educação... parece que a internet acabou definitivamente com a alternativa de se discordar com civilidade. credo!

    []'s

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