domingo, 17 de julho de 2011

Porque eu publico de forma independente - por Jessica Barksdale Inclán

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Boa tarde amigos! Há alguns meses, uma autora maravilhosa me contatou para que eu resenhasse seus livros. Ela me mandou 3 livros, para que eu ajudasse a divulgar outros, os seus livros "indie" ou publicados sem auxílio de editora. A autora é Jessica Barksdale Inclan, ela já teve diversos livros publicados tradicionalmente, inclusive um no Brasil (De Corpo e Alma, publicado no formato "livro de banca", com 100 páginas a menos que a versão original...) e agora decidiu publicar, paralelamente, independente. Abaixo, ela nos conta o que a fez tomar essa decisão.
 
Por que eu virei autora independente

     Quando decidimos ser publicados, a maioria de nós autores quer ir para as editoras tradicionais, de Nova Iorque, com cópias em papel. Nós queremos poder ir na livraria da esquina (se ela existe) ou na Borders mais próxima (caso isso exista) e ver nosso livro na vitrine da loja. Posso dizer pela minha experiência pessoal que tal visão é realmente uma massagem no ego, um bálsamo para a alma do escritor preocupado. É incrível ver algo tangível e concreto sair de um monte de trabalho duro.
     Mas o negócio literário é um negócio, no fundo. O que vendo é o que tem valor. Sim, há os livros artísticos, os livros literários, poesia e livros lindamente desenhados que realmente são publicados baseado no mérito e beleza. Porém muitos livros são vendidos baseado na plataforma e ideia. Você tem vampiros, um mundo distópico, uma história de amor, um triplo homicídio/suicídio? Um festival de horror de proporções épicas? Mande para a gente. Claro, um conto bem escrito com vampiros/lobisomens é melhor do que algo copiado, mas os agentes e editores estão buscando aquele gancho, aquele ângulo, e é um jogo difícil de jogar quand - como a maioria dos autores - nós apenas temos uma história para contar. Nós temos o impulso para escrever e gostaríamos que isso fosse o suficiente.
     Lá em 2001, meu primeiro livro Her Daughter's Eyes (Os Olhos de Sua Filha) foi publicado por NAL e mostrou um bom volume de vendas. Meu editor da época comprou duas outras histórias que eu realmente gostava. The Matter of Grace (O Assunto da Graça), o primeiro dessa dupla, foi publicado em 2002, com o mesmo prestígio e mais vendas, mas quando esse livro estava sendo editado, meu editor se demitiu e se mudou para a Flórida. Foi! Depois, minha nova editora me trouxe ao seu escritório e me disse que apesar do amor do meu primeiro editor do que seria o livro três, ela o odiava. Ela achava que era "muito". Bem escrito, mas ela estava apavorada que alguém tinha um ataque cardíaco no livro.

"Então," eu disse. "Você não irá publicar?"
"Não," ela disse.
"Mesmo já estando comprado e editado?"
"Sim," ela disse.

     Então, ao invés de devolver o meu adiantamento - até por já estar gasto - eu escrevi outro livro, um livro triste, mas ninguém tinha um ataque cardíaco nele. Havia um personagem gay e ela me fez "des-gay" ele (tente essa tarefa algum dia!) mas fora isso, ela o amou e foi publicado e a vida foi em frente.
     Mas depois que a minha carreira fez algumas voltas estranhas (meu segundo agente me direcionou a livros de romance pois queria que eu "vendesse muito") meu editor da época faleceu e meu segundo agente me demitiu, eu me encontrei pensando para trás, para aquele livro comprado e então rejeitado, aquele com o ataque cardíaco: The Tables of Joy. Eu amava aquele livro. Meu primeiro editor amava aquele livro. Era uma boa história com um elenco de personagens que eu gostava. E porque eu amo meu Kindle e admirava o que a publicação digital pode fazer, eu comecei a formar um plano com outros livros que tiveram destinos similares aos do que seria meu segundo livro: eu iria publicá-los digitalmente.
     Minha carreira tradicional continuou durante esse processo (tive livros publicados entre 2006 e 2010), mas eu estou realmente empolgada com publicar a mim mesma. Eu encontrei uma mulher que cria as capas para mim. E tenho que dizer que as minhas capas criadas representam muito melhor a trama dos livros do que os meus livros tradicionalmente publicados. Depois de revisar e editar mais uma vez (todos os meus livros passaram por muitos rascunhos, meu grupo de escrita, e um editor), eu lutei mas consegui formatar o livro para Kindle e Smashwords. Eu escrevi para vários sites e então pedi para minha assessoria fazer o que fazia para meus livros tradicionalmente publicados: espalhar a informação.
     Agora você pergunta: Eu ganhei muito dinheiro? Não, não ganhei. Eu ganhei algum, o suficiente para sair para jantar com meu marido em um restaurante legal uma vez por mês. Mas aqui está o que dá uma sensação boa: livros que eu amava e amo estão sendo lidos. Pessoas podem ler trabalhos que resvalaram através das frestas das editoras, mas é trabalho no qual eu acredito e confio, trabalho que "meus" leitores irão reconhecer e amar. Talvez Nova Iorque não os queira, mas um número suficiente de pessoas sim então irei continuar publicando a mim mesma, enquanto a situação continuar assim. Alguns amigos escritores me avisaram que eu estou diluindo minha "marca", mas estou cansada dessa ideia. Eu comecei a escrever porque eu queria contar histórias que as pessoas queriam ler. E elas estão lendo minhas histórias, mesmo se eles são livros independentes, mesmo se eles não são tradicionais. Mesmo se têm um ataque cardíaco, ali mesmo, na página.

Sobre Jessica Barksdale Inclan:
O primeiro livro de Jessica,  Her Daughter's Eyes foi um indicado final para o prêmio YALSA e muitos de seus livros foram publicados em diversas línguas. Tendo recebido o CAC Artist’s Fellowship em Literatura, Jessica ensina literatura, escrita criativa e mitologia em faculdades, universidades, seminários e workshops nos EUA. Uma escritora em tempo integral, ela vive em Oakland, California. Para mais informações, visite www.jessicabarksdaleinclan.com.

Um comentário:

  1. Para um autor que já tem algum nome no mercado a autopublicação certamente pode ser uma grande sacada. Mas realmente livro é um negócio... e como todo e qualquer produto há clientes interessados em qualidade e outros interessados em grife (a editora), há ainda os interessados em apenas passar o tempo e, de preferência, com baixo custo.

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