terça-feira, 26 de julho de 2011

Livro, o nosso melhor amigo

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Não sei vocês, mas eu fiquei um bocado irritada com a entrevista ao Globo desse Bob Stein que eu não sei quem é, mas que afirma no artigo, na contramão de toda a evidência, que o advento do digital é realmente o golpe de misericórdia no livro.
Para a literatura infantil, tudo bem, aplaudo e acho bem-vinda qualquer inovação no sentido de dinamizar o conteúdo, criar interesse, arraigar o hábito da leitura, cá entre nós, uma das coisas mais bacanas que o homem foi capaz de inventar, mas, para o vasto mundo adulto, querer torpedear a intimidade, a habilidade de imaginar, viajar, expandir o cérebro, se envolver e relaxar completamente sozinho em seu quarto com um livro? Peraí!
Sou contra — e não me calo — essa pretensão de transformar literatura em videogame, um inútil, superficial e deletável jeito moderno de matar o tempo que a gente nem tem — e, como dizia o poeta, quem morre é você —, embora sempre existam aqueles que, sem refletir longamente, dão as "boas-vindas a qualquer novidade que se apresente".
A salvação da lavoura é que os fatos contradizem o agouro: umas das coisas maravilhosas do Kindle, e, acreditem, o que fez o leitor da Amazon transcender as barreiras do papel e dar partida na revolução digital da qual fazemos parte com devoção e orgulho, é que, nas palavras do próprio Jeff Bezos, meu guru de todos os tempos, o Kindle "desaparece" no ato da leitura, e é isso mesmo: você esquece que tem nas mãos mais um gadget obrigatório desses que nos entulham a vida — é, pasmem, sou contra o consumismo desvairado de tecnologia, é isso mesmo — e mergulha direto no prazer da leitura.
O resultado taí: depois de dezenas de anos beirando o ostracismo, sendo quase engolida pela cultura viciante de "mais-vendidos", a literatura vem experimentando um renascimento vigoroso, justamente por estar associada à tecnologia palpável que todos querem adquirir. Ler agora é cool. E vai continuar sendo, torço e tenho certeza disso, e é por isso que nós, na KBR, não somente "publicamos em formatos digitais", mas fazemos questão de editar cuidadosamente todo o nosso conteúdo, leve o tempo que levar, custe o que custar. Nosso leitor merece.
Quanto a esse Congresso Internacional do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro, que já vai hoje e amanhã em sua segunda edição e com a mesma postura, a de ignorar solenemente os players verdadeiros que entendem o nosso mercado e a realidade brasileira... ah. Deixa pra lá. Quem quiser que apareça por lá.

8 comentários:

  1. "o Kindle "desaparece" no ato da leitura"... é verdade.

    Nas primeiras vezes que usei o meu Kindle, me peguei algumas vezes procurando alguma coisa para marcar a página onde havia parado a leitura!

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  2. O Kindle é o melhor de tudo na vida daquele que aprecia a leitura.
    Cara Noga, gostei bastante de sua editora KBR, visitei o site e compartilho a ideia.
    Adoraria saber se vocês tem interesses em e-books de autores desconhecidos, ou independentes?
    Abraços!!

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  3. Este Bob Stein é um destes futurólogos, tão confiável como qualquer cartomante. Há aí uma total falta de intimidade com o livro, uma incompreensão ignorante. Livro é mais que papel e letras, é idéia; se no papel ou na tela e-ink é indiferente. Ler no computador não dá, mas o e-reader, para o leitor, nos faz viajar em tempo e espaço, compartilhar a mente de escritores deliciosos, em mundos fictícios ou não e saborosas idéias.
    Abraço,
    Alex

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  4. Eu sempre digo que o Kindle e os outros leitores de ebooks são a única tecnologia do bem. As outras só servem pra gente perder tempo e não fazer nada de útil.

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  5. Daniel Leal, desculpa-me, mas não posso concordar com vc. Na internet de hoje existe muita coisa boa, bas buscar com sabedoria.
    Aqueles que pensam como vc, são alguns poucos que ainda não entenderam o quão a web pode ser boa e útil.
    Exemplos práticos: (i)comparação de preços antes de efetuar uma compra. (ii) cursos, palestra gratuitos. (iii) e-books gratuitos das mais diversas áreas. (iiii) blogs com excelentes conteúdo e com alta qualidade de escrita(a exemplos dos e-books, existem blogs em todos os nichos).
    Amigo, não posso compartilhar a ideia de que exista algo visto como somente ruim. Tudo nesse mundo é feito de dois lados: o bom e o péssimo. Lado A, lado B.
    Basta efetuar uma pequena pesquisa e saberá o que te é valioso ou não.
    Peço humildemente que visite este texto: 5 maneiras de administrar seu tempo perante o PC.
    http://financasforever.blogspot.com/2011/06/5-maneiras-de-administrar-seu-tempo.html

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  6. Everton, pode mandar que a gente avalia!

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  7. Evertonric, as pessoas passam mais tempo na internet fazendo coisas úteis ou usando facebook e vendo vídeos inúteis no youtube? Não acho que a internet não tenha a sua utilidade, mas a maioria absoluta do que as pessoas fazem na internet (e eu me incluo) é perda de tempo.

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  8. Daniel - a maioria das pessoas usa algo de uma forma ruim, mas isso não faz da coisa algo ruim - o ruim é o uso que as pessoas dão...
    Posso usar uma faca para fazer comida ou para matar. Se a maioria das pessoas usa para matar, isso não tira o mérito da faca para ajudar a fazer comida.
    Muitas pessoas usam a internet positivamente. Aliás - diversão não é ruim, é positiva e necessária. Pode-se se divertir com um bom livro, claro, mas mesmo os mais "viciados" em livros não conseguem se divertir APENAS assim...
    Só meus 2 centavos :)

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