terça-feira, 26 de julho de 2011

Excesso e falta

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Acompanho o quanto posso as discussões acerca do e-book no Brasil e a sensação que tenho é de que ainda se perde excessivo tempo palpitando sobre uma suposta "batalha" entre o livro físico e o digital e pouquíssima atenção é dada às questões que são vitais para quem tem interesse prioritário no conteúdo e não no veículo utilizado para disseminá-lo.

O foco do 2º Congresso Internacional do Livro Digital parece estar mais centrado nas ferramentas, nas questões legais - direitos, DRM e afins sem que haja uma abordagem da experiência e dos anseios do leitor, do autor e do editor (de conteúdo). Posso estar cometendo um grande equívoco, pois, afinal de contas, não estou lá. Falo a partir de inferências resultantes dos tweets e comentários de outros sobre o evento.

Ontem, uma matéria da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico fala do espaço já alcançado (!?) pelo livro eletrônico no país. O artigo fala do e-book como alternativa para novos autores (incluindo-me e até citando-me), da visão de negócio de algumas livrarias e fatos sobre números e formatos de algumas lojas e sites que hoje comercializam e-books. Mas o que mais me chamou a atenção ali é uma reflexão do prof. João Escortecci - de que a oferta de textos que a web propicia não melhorou o hábito de leitura do brasileiro.

Leio outros colaboradores aqui do blog e vejo pessoas apaixonadas pela leitura, pelo livro (idependente de seu formato) e em geral animados com o papel do e-book nisso tudo. Como eu mesma me animo muitas vezes... mas quando confronto uma e outra face dessa moeda, oscilo.

O saldo é a impressão de que o e-book é uma alternativa ainda pouco explorada (em termos de profundidade) para os dois atores centrais no processo da leitura - o escritor e o leitor.

O post da Noga Sklar fala da necessidade de cuidar da edição, demonstrando a preocupação de uma editora com essa interação, mas nem sempre se vê essa mesma inquietação nos autores, que poderiam ter menos pressa para publicar (o que pode significar menor frustração com o resultado e maior chance de produzir o efeito desejado no "público alvo") e menos ainda nos leitores - por vezes mais ocupados em debater as vantagens do meio em que ele se apresenta do que em saborear o valor do texto.

Será que estou parecendo muito cética??

2 comentários:

  1. Se olha para o mercado nacional, há dois pontos críticos, não temos o aparelho, enquanto ele não estiver disponível para grande parte dos leitores, o ebook não vai acontecer. Veja os EUA, foi o e-reader a U$150 que detonou a mudança. O segundo ponto é em relação a bons autores e como os encontrar, o leitor não está disposto a ler um monte de porcaria até achar algo bom.
    Abraço,
    Alex

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  2. Concordo com o comentário do colega acima. De fato a internet é um meio de comunicação em massa, que dada sua amplitude abriga e dissemina toda sorte de informação. Isso, obviamente, não quer dizer que esses conteúdos veiculados, quase que instantaneamente, tenham qualidade e que sirvam para a maioria dos leitores que garimpam a internet em busca de um material útil e que lhe atenda as suas necessidades, mesmo que imediatas.

    Não acho que o valor dos leitores digitais - e-readers - influencie, a ponto de dar um "boom", no mercado editorial. O nosso problema é justamente a inversão de valores que vivenciamos. A maioria das pessoas dessa nova geração estão muito mais preocupadas em criar/exercer quaisquer atividades que lhe deem fama, dinheiro e outros prazeres imediatos (redes sociais, vídeos na internet, dentre outros). E é óbvio que a leitura não está embutida nesse processo, pois ela exige paciência e, como diria Rosseau: "a paciência é amarga, mas seus frutos são doces".

    Para finalizar, acho que os livros digitais poderiam ter um valor mais acessível. Não acho que a diferença de 10% a 15% da mídia digital para mídia impressa seja o suficiente para dar um fôlego nesse mercado editorial...

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