sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Estética dos E-books

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Sabe-se (ou supõe-se, já que não localizei dados confiáveis e atualizados a respeito) que o número de e-readers circulando por aí ainda é baixo e, apesar da venda de tablets andar bem, não podemos comparar aparelhos com objetivos tão distintos (não se deve esperar que donos de tablets dediquem grande parcela do tempo de uso do dispositivo com e-books). Admitamos também que, apesar de termos uma realidade em que a imensa maioria das pessoas que lê e-books no Brasil ainda o usa o computador para isso, ainda vale a pena gastar um tempo discutindo a qualidade de edição dos e-books focando especificamente a leitura em e-readers.

Levanto a questão porque, além de ver discussões envolvendo desde custo de produção (conversão x produção de e-books), passando por uma preocupação não completamente enraizada sobre estética dos e-books e chegando ao potencial ainda pouco explorado de uso dos recursos de hipertexto e imagens, sou uma leitora chata. Isso significa dizer que, apesar de priorizar conteúdo, não consigo desprezar a forma.

Nesse sentido, tenho certas queixas sobre alguns produtos à disposição na Kindle Store. No quesito aparência, os livros, especialmente de poesia (comprei alguns do Fernando Pessoa por ótimos preços há tempos atrás), acabam perdendo muito do
enlevo da leitura por conta de uma edição deficiente. O texto simplesmente parece não ter passado por um processo de diagramação e, desculpem a insistência, mas a forma também importa sim, e para meu gosto, importa ainda mais no caso de poesia.

As capas das ‘Kindle Editions’ também são, em muitos casos, simplesmente inexistentes. Aparecem na página do produto e quando você efetua a compra recebe o arquivo, não há imagem de capa e, algumas vezes, sequer há informações completas sobre a edição (ano, tradutor, editora). Nesse aspecto, apesar do preço muito maior e muitas vezes questionado (incluindo-me), os produtos que tenho visto nos sites de livrarias nacionais estão muito à frente. Não estou generalizando, mesmo porque minha amostragem de compras no mercado nacional (até pela dificuldade de convertê-los para leitura no Kindle) não pode ser considerada expressiva, mas o cuidado estético das edições daqui, parece sim maior. E isso me interessa porque a essa altura da vida me dou ao luxo de
pagar mais caro por certa edição em papel que tem esse tipo de cuidado – bom papel, boa fonte, diagramação bacana. Então, porque deveria ser diferente no e-book. Se há uma tecnologia que me permite a mesma sensação da leitura de uma página no e-reader, porque eu deveria ficar indiferente ao alinhamento do texto, à fonte utilizada, enfim, ao acabamento do e-book!?

O preço, no entanto, não é o único parâmetro a ser associado a essa qualidade, porque temos algumas publicações gratuitas (títulos em domínio público) disponíveis web adentro que contemplam esse cuidado. O que se pode concluir então?

Não. Não serei tão atrevida de usar o termo conclusão, porque isso é palpite e não pesquisa aprofundada, mas o que percebi é que, como em qualquer outro ramo de negócio, há muito oportunismo e gente ganhando dinheiro sem oferecer produto /serviço de qualidade. E isso inclui desde ofertas incríveis que oferecem templates para que qualquer um produza seu próprio e-book com aparência profissional (!?) por preços módicos até edições resultantes de conversões sem nenhum cuidado que estão à venda. Resta aos leitores-consumidores o trabalho de garimpar a qualidade esperada e cobrar quando a expectativa é frustrada.



Escrito por Maurem Kayna

12 comentários:

  1. Pelo preco que cobram nos ebooks por aqui (brasil) tem que entregar tudo perfeito e maravilhoso mesmo!!!

    mas nem assim...comprei o livro caim (saramago) e veio sem nem o nome do autor no arquivo (ficava na secao "author unknown" da minha biblioteca) como o arquivo era bloqueado de todas as formas, nem tinha como arrumar isso.

    paguei 27 R$ (um absurdo) aff... reclamei para todo mundo que podia, email e telefone, editoras, gato sabido, sites e forums afora....

    eles arrumaram o nome do autor, mas a diagramacao ainda nao ficou 100%...de qualquer jeito, para mim ja bastou, nunca mais comprei ebooks no brasil.

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  2. Na Amazon já comprei um demo chamado Manual de Contabilidade da IOF se passando por livro completo que na ultima página oferecia um link para compra do livro na integra. Tambám comprei um suposto audiobook de Alice no Pais das Maravilhas que na verdade era um e-book com erros de digitação. Comprei alguns sem erros, mas fiquei com receio de comprar porcaria de espertinhos, ate mesmo pq ja tinha lido crítica negativa de leitores em alguns e-books na Amazon.
    Mas na L&PM comprei alguns e-pubs que mesmo convertidos demonstraram ter diagramação perfeita. Pena que são caros comparados a mesmas edições impressas feita por eles, mas ainda assim o capricho da L&PM faz valer a pena.

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  3. Maurem,

    Concordo com você nesse ponto, os e-livros tem que ter um que a mais.

    Claro que a possibilidade de mudança no tamanho da fonte, tipografia (casos do Nook Touch e do Koobo Touch) e do Text-to-speed são diferenciais do aparelho e já dão um "quê" a mais as edições digitais.

    Mas falta um apreço das editoras em produzir um conteúdo alinhado a forma, ou a forma ao conteúdo. Como no caso de hiperlinks.

    Tive o prazer de ler e resenha um livro de crônicas cuja autora se valeu desse recurso em partes do texto. O livro chama-se Um Kindle para chamar de Meu (http://tinyurl.com/3rl7zv6) foi um dos primeiros, se não, o primeiro e-livro brasileiro, original, a entrar na Kindle Store.

    Esse livro faz parte do arcevo da KBR Digital a editora pioneira no produção de livros digitais para leitores digitais.

    Segue os links

    Kindle Store: http://tinyurl.com/3qot7cc
    Cultura:http://tinyurl.com/3pz9jdq

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  4. Este problema de estética pude observar claramente em livros digitais (formato epub, azw e mobi) com expressões matemáticas. As fórmulas são tratadas como imagem e em geral não são convertidas para o livro digital na qualidade apropriada.

    Resultado: Livros com fórmulas sem visibilidade, distorcidas e confusas.

    Um dos poucos formatos que ainda preserva a qualidade visual das equações e é compatível com a maioria dos leitores digitais é o formato PDF, porém possui um arquivo mais "pesado" (maior em volume de bytes) e não possui texto "fluido", ou seja, com a capacidade de alterar o tamanho da fonte.

    Na minha conclusão, os formatos mais populares de livros digitais não estão preparados para os textos com expressões matemáticas e os poucos livros que ví disponíveis na Amazon, estão com uma diagramação e estética terrível.

    Exemplo na Amazon: (livro CK-12 Calculus)
    http://www.amazon.com/CK-12-Calculus-ebook/dp/B0042XA2Y0/

    Como disse um dos leitores deste livro:
    "Not readable for Kindle eBook ... The maths symbol is too smaller to read." comenta Kiteman.

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  5. Percebo este problema tanto no Amazon Kindle Store, quanto no site www.dominiopublico.gov.br. Como gosto muito de classicos, o site é muito interessante para mim. Entretanto os livros estão todos mal formatados. Eu mesmo ajustei a formatação de alguns livros para poder tê-los em meu Kindle. Uma questão: Será que posso disponibilizar os livros que ajustei pra download em algum local? Como estão em domínio público, creio que sim; eu apenas gostaria de ter certeza...

    Até mais

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Fernando,
    Eu encontrei livros de dominio público bem formatados aqui:
    http://www.simplissimo.com.br/store/dominio-publico.html

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  8. Legal, Raul. Obrigado.
    Os que formatei vou ver se disponibilizo em algum lugar os livros que formatei...

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  9. Também senti o mesmo problema em livros da Florbela Espanca que comprei na Amazon para o meu Kindle. Poesia exige estética gráfica também.

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  10. Pois sim... Depois de ver que essa percepção é partilhada por muitos, me ocorreu que talvez tenha algum efeito, ao menos no site da Amazon, manifestarmos lá mesmo, nas páginas de cada livro, essa insatisfação.

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  11. Fernando Oliveira, se vc tem uma conta do hotmail, uma possibilidade é colocar no Skydrive. Outras duas boas opções de compartilhamento é o 4shared e o google docs.

    Maurem Kayna, nos casos que citei eu manisfestei minha insatisfação, seria muito bom se todos fizessem.

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  12. Sou designer de livros há muitos anos e vejo que o cuidado com os eBooks, tanto do ponto de vista da diagramação como da revisão ainda é sofrível. Se tantos problemas são vistos em um livro impresso, não dá outra: edições recolhidas das livrarias. O projeto gráfico de livros é uma arte centenária, e é engraçado ver edições de 300 anos atrás com um maior senso de cuidado e artesania do que os eBooks, tão "modernos". Será que precisaremos reinventar a roda? Não precisa, não é?

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