terça-feira, 19 de julho de 2011

Ebook em Memória Numérica

Aumentar Letra Diminuir Letra



Já faz um ano que estou com meu ereader, foi adquirido na exata semana em que o preço dos aparelhos caiu para quase a metade, custavam em torno de U$300. A baixa de preço do ereader foi decisiva para aumentar as vendas de ebooks, mesmo nos EUA onde o salário médio é cerca de quatro vezes o do Brasil e com uma população de cerca de 70% de leitores, foi o ereader em torno de U$150 que disparou a corrida do ebook, sem contar no aparecimento dos tablets, mas para este público o ebook é apenas mais um “app”.

Neste tempo que passou o ebook popularizou-se, e a cada dia já conquista somas respeitáveis no mercado de livros tradicional. Um ereader a U$150 corresponde a 7,5% da renda de um cidadão americano, no Brasil 7,5% da renda média dá U$36... Da população americana 30% não são leitores, da brasileira apenas 30% são leitores.

Podem não acreditar, mas o preço dos livros influencia e muito na penetração da leitura na população, nos EUA encontramos livros em papel de autores recentes a U$6,00 (R$9,50) no Brasil os livros mais baratos estão na faixa de R$30,00, três vezes mais caro do que na terra onde o povo ganha quatro vezes mais, para nós o livro é sete vezes mais caro. Para ler apenas quatro livros em um mês o brasileiro deve desembolsar R$120,00 o americano apenas R$40,00. E olha que aqui livro tem uma série de incentivos fiscais! E ainda assim é muito mais caro.

Passou um ano, lá o ebook é uma realidade aqui ainda objeto exótico, os aparelhos custam quatro vezes mais que fora, o brasileiro ganha quatro vezes menos. Se alguém não tem idéia de qual a matéria prima do subdesenvolvimento, aqui está um de seus principais componentes.

Alex

13 comentários:

  1. falou pouco mas falou bonito....e o melhor....falou a verdade né....

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  2. Excelente Post. E, totalmente alinhado com a reportagem de capa da principal revista semanal brasileira (VEJA), que diz ser o Brasil hoje um dos países mais caros do mundo..... Triste, mas real.
    OBS: Uma informação relacionada ao texto, muito interessante para quem não sabe : em todas as reduções de preço do Kindle pela Amazon, esta sempre devolveu o dinheiro para as pessoas que haviam comprado o produto uma semana antes de sair a redução. Aqui mesmo no Blog temos pessoas que tinham pago um valor, a Amazon anunciou redução, o comprador reclamou e recebeu um crédito da diferença no Cartão de Crédito.

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  3. Quando pensamos nas pessoas que compram livros, vemos que a mentalidade dos leitores brasileiros é completamente diferente dos leitores americanos. Lá, o conteúdo é que importa. Aqui, a diagramação, formatação e capa importam muito, pois os livros são considerados artigos de luxo, de elite, coisa que "gente rica" tem em várias estantes, ocupando espaço, mesmo sem ler.
    Isso é um dos fatores da não aceitação completa dos e-readers: pessoas que valorizam o status dos livros sem considerar seu conteúdo.

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  4. Parabens pessoal sou novo como leitor do BLOG e posso dizer que ele é excelente, só posts de ótima qualidade.

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  5. Olá a todos deste excelente blog.Gostaria de uma orientação.Como faço para importar um Kindle?Como seria a garantia do aparelho?Moro em Fortaleza CE.Obrigado pela atenção.

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  6. Olá "Anônimo". Para comprar o Kindle aqui no Brasil é só entrar no site da Amazon (www.amazon.com) e fazer o pedido. Eles já te incluem todas as taxas e impostos para entregar na sua casa. O pagamento é com cartão de crédito (super seguro). De garantia, a Amazon tem uma excelente assistência e, se você tiver qualquer problema, é só ligar para eles e, se necessário enviar o aparelho que te devolvem consertado ou, se for o caso, te enviam um novo. Tem um post aqui sobre assistência técnica que explica bem como funcionam as coisas na Amazon. Não se preocupe.

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  7. May,
    Tens uma visão bem pragmática, gostaria de discordar, mas infelizmente esta preferência por capa e não por conteúdo é um comportamento caricato que também observo, ainda lembro quando “O Nome da Rosa” estava na lista de bestsellers, duvido que noventa por cento de quem adquiriu o livro tenha lido. Acredito que por livros serem caros no Brasil tenham se tornado item de status, nos EUA o livro não é restritivo e assim não pode ser considerado símbolo de status. Espero que o ebook e o ereader aproximem o leitor do texto e excluam este ranço, mas isto só irá acontecer se os preços baixarem, o ereader ainda é mais elitista que o livro de papel.
    Abraço,
    Alex

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  8. Edson,
    Espero que juntos possamos mudar um pouco desta realidade dos ebooks e dos readers, mais do que aficionados em gadgets tecnológicos, nós usuários de e-readers somos partidários da boa literatura.
    Abraço,
    Alex

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  9. Costumo viajar para o exterior e digo, TUDO no Brasil é mais caro.... muito mais caro. A coisa é tão absurda que um livro de turismo, p.ex., original em inglês, chega a custar um terço do mesmo livro publicado aqui. E isso na mesma livraria.

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  10. Alex (espiritodegutenberd) realmente, eu também gostaria de não pensar isso, mas é o que vejo dia após dia. Pessoas que reclamam de receber uma cópia meses antes do livro ser lançado apenas porque ela é digital e não física. O que importa? Você vai ler meses antes dos outros - mas não vai ter o troféu para mostrar, é isso?
    Infelizmente o E-reader é mais elite, sim, que os livros, mas se for ver, não é símbolo de status. É considerado algo de gente estranha, "como vc não sente falta do cheiro do papel?" Eu sinto falta de conteúdo, de poder ler qualquer livro do mundo inteiro sem pagar com meu rim e meu primogênito, isso sim, mas do "cheiro do papel"? Olha, posso comprar um pacote de folhas sulfite e ficar cheirando, se é o caso...

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  11. May,
    Esta história de cheiro de papel é bobagem, acredito que em realidade o que ocorre é juntarmos a sensação da boa leitura com o seu meio, achamos que é o papel e não o texto em sua essência. Duas boas semanas com um excelente título no e-reader eliminam qualquer vício de mofo em papel, às vezes me pego olhando como um bobo para o aparelhinho, como fazia com meus livros.
    Acredito que a capa e o status do livro em detrimento do conteúdo levou a uma grande distorção na literatura brasileira, vamos ver se conseguimos exorcizar esta praga.
    Abraço,
    Alex

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  12. Os livros são mais uma prova de que, como nos automóveis, não são só os tributos ou o "custo Brasil" que influenciam nos preços.
    Realmente, a fixação do preço final ao consumidor, no Brasil, leva muito fais em conta a faixa-de-renda-alvo do que custos ou concorrência. Uma vergonha!

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