quinta-feira, 23 de junho de 2011

Se escritores de peso não precisam de editoras grandes, para que elas servem então?

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Texto original intitulado "If big authors do not need big publishers, then what are big publishers for?", escrito em inglês por "Agent Orange" para o site FutureBook.com e traduzido por Rafa Lombardino

Se os boatos forem verdadeiros (como parecem ser), JK Rowling deixou de lado as editoras tradicionais para disponibilizar a série Harry Potter em formatos eletrônicos sob sua própria marca. Hoje tem início então uma nova era editorial.

Venho dizendo há mais de dois anos que, apesar de ter feito sentido em curto prazo, a ideia que um belo dia todas as editoras grandes tiveram de pagar 25% de direitos autorais para todos os escritores ―considerado então algo justo e razoável e, quem não concordasse, poderia sair pela mesma porta pela qual entrou― foi algo extremamente arriscado em longo prazo.

Se os escritores de peso não precisam de editoras grandes, para que elas servem então? Os laços entre um escritor e uma editora geralmente são enormes: a maioria acredita que seu sucesso deve ser compartilhado com a equipe que o ajudou a conquistá-lo. Editar e publicar um livro é um processo de intensa colaboração e muitas editoras têm profunda paixão pelo que fazem. Elas são o motivo pelo qual os escritores querem continuar fieis às casas editoriais.

Porém, existe uma grande desigualdade entre o que os escritores de peso podem ganhar vendendo seus próprios livros eletrônicos e o que as editoras têm a oferecer. Consequentemente, os direitos autorais estão sendo colocados cada vez mais à prova. E eu estou falando de uma diferença de milhões de dólares.

Os autores “de marca” ainda precisam que seus livros sejam impressos, mas existem editoras pequenas e médias com grande capacidade para publicar os livros que entram na lista dos mais vendidos. Essas pequenas e médias editoras estariam mais do que dispostas a abrir mão dos seus direitos editoriais sobre os formatos eletrônicos só pelo fato de terem a sorte grande de publicar o trabalho dos escritores mais famosos do mundo.

Os grandes conglomerados editoriais estão pagando para ver, mas a notícia sobre a série Harry Potter está fazendo as editoras apostarem alto.

Não, não é tão barato assim publicar livros eletrônicos, como muita gente na blogosfera gosta de dizer. Acima de tudo, o fardo representado pelo custo dos livros impressos deveria ser distribuído por todas as edições. Mas assim que a versão eletrônica de um livro começa a vender centenas de milhares de cópias e é capaz de gerar lucros imensos com custos consideravelmente mais baixos, as editoras deveriam começar a dividir a receita de maneira mais igualitária com os autores (e quanto antes, melhor). Caso contrário, outros grandes nomes vão seguir o exemplo de JK Rowling.

2 comentários:

  1. Interessante o texto. A revolução começando.

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  2. Isso é muito interessante mesmo! Claro que passa longe da realidade de autores estreantes, mas com certeza o livro eletrônico está mesmo provocando vários reflexos no mercado.

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