domingo, 26 de junho de 2011

Movimento por Mais E-books (bons) em Português!

Aumentar Letra Diminuir Letra


Você também assinaria embaixo dessa demanda? Quando publiquei pela primeira vez este artigo, recebi respostas cobrando algo como um abaixo-assinado. Não tinha me ocorrido uma iniciativa assim, e também não sei se funcionaria, mas tive a confirmação de que não se trata de um anseio só meu.

Desde que ganhei um Kindle de aniversário, no ano passado, faço visitas regulares à Amazon.com e acompanho as evoluções na disponibilidade e preço dos títulos disponíveis na Amazon e em outras lojas que comercializam e-books ou que os disponibilizam gratuitamente (desde que não se trate de pirataria). Dedico certa atenção às livrarias daqui (Cultura, Saraiva, Subarino), apesar da dificuldade de conversão para leitura do formato Mobi (que, aliás, foi o Kindle Blog Br que me ajudou a sanar).

Voltando aos resultados de minhas investigações na Kindle Store, é importante comentar que em pouco menos de um ano o volume de títulos publicados em Português cresceu tremendamente (afirmação também válida para publicações em espanhol). Hoje são mais de dois mil títulos. Claro, não estamos falando apenas de literatura, pois temos aí coisas como a Constituição Federal, dicionários e uma série de manuais sobre assuntos diversos e esdrúxulos.

A maioria dos títulos disponíveis em português na categoria literatura da Kindle Store pode ser agrupada em: publicações de autor (há autores com cerca de 100 títulos publicados! Casos que por si só mereciam um estudo em termos de estratégia editorial ou de mercado, mas este não é meu nicho); clássicos (muitas vezes disponíveis em diversas publicações talvez com melhor qualidade) que já caíram em domínio público e bestsellers.

Mas se você está procurando um volume significativo de autores de peso da literatura mundial em nossa estimada língua, vai ter de procurar bastante e se contentar com pouco ou se conformar com algumas versões em espanhol. E isso é um pouco difícil de entender, a não ser que consideremos nossa péssima fama enquanto consumidores de literatura. Aprofundemo-nos um pouco: tem sentido o Saramago não estar disponível em português na Amazon? E em nenhuma outra língua, aliás*, pois encontrei apenas uma versão em audiolivro do Ensaio Sobre a Cegueira? Também não há ainda títulos de Cristóvão Tezza, Mia Couto, Jorge Luís Borges, García Marquez, Philip Roth, Javíer Marías, Roberto Bolaño e Anton Tchekov, apenas para exemplificar ausências muito significativas.

Alguns desses autores estão publicados em e-book, mas geralmente em inglês, e outros sequer nessa língua estão disponíveis na Kindle Store (embora estejam na Amazon.com no formato impresso). Na Livraria Cultura e na Saraiva (percebi que não há diferença entre os títulos ofertados em um ou outro site) temos apenas o Caim, do Saramago (por R$ 27,50, enquanto a maioria dos livros na Kindle Store fica abaixo de US$6,00 – alguns na faixa dos 2 ou 3, na verdade).

A Submarino (+ Gato Sabido) cita mais de 3 mil títulos em português, mas valem os mesmos comentários para preços e ausências de nomes importantes.

A Simplíssimo oferta uma bom acervo de autores independentes e clássicos, cuja nota a ser feita diz respeito aos ótimos preços e à qualidade dos arquivos (ao menos para leitura no Kindle e no Alfa, outros dispositivos eu não testei).

Então, a pergunta que não quer calar, o que as editoras estão esperando para disponibilizar também títulos para este segmento de consumidores? Será uma questão relacionada à expectativa baixa de retorno financeiro ou à convicção de que leitores deste nicho de mercado não pretendem aderir tão cedo à nova tecnologia?


* afirmativa válida para o início de maio/2011 - período da pesquisa em cima da qual o artigo foi escrito.



Escrito por Maurem Kayna

9 comentários:

  1. Maurem,

    Seja bem vinda a família KBB.

    O assunto que você abordou é extremamente pungente. A todo instante que apresento o Kindle a um pessoa, sempre vem a reclamação de que não há livros suficientes em Português.

    Eu sempre pergunto que obras elas gostariam que estivessem disponíveis. Invariavelmente, a resposta sempre incide sobre a lista de mais vendidos da Veja.

    Hoje, você nos apresentou uma nova demanda de autores ausentes na e-livraria.

    Porém, a ausência desses autores se baseiam, ao meu ver, em alguns pontos:

    1)Os e-readers e os e-books estão no início da sua curva crescente, assim, há muito desconhecimento de público e principalmente de gerenciamento de vendas (como fazer para as obras chegarem ao público).

    2)A política de negócio (direitos autorais, digitalização, diagramação, distribuição) ainda não está consolidada, o que ocasiona uma complicação maior para disponibilização das obras.

    Essa é uma análise mundial, mas que no Brasil tem um reflexo ainda maior.

    Por outro lado, há boas obras em português sim. Títulos de autores ainda não best-sellers que cumprem com a função de um bom livro: entreter e ensinar.

    Há o surgimento de editoras cada vez mais comprometidas com a disponibilização de conteúdo digital, como a Simplício e a KBRDigital.

    Aos poucos, a disponibilidade de obras em português vai aumentar. Nós, há um ano, vinhamos acompanhando a quantidade de obras na nossa língua na Kindle Store, em 3 meses vimos um salto de 1400 a 1900, e hoje há disponível 2341 e-livros.

    Nesse universo temos clássicos: Machado de Assis, Eça de Queiroz, Franz Kafka, Dante, Tolstoi, Alexandre Dumas, Fernando Pessoa.

    Ou autores mais contemporâneos: Paulo Coelho, Rubem Fonseca, Guimarães Rosa, Laurentino Gomes.

    Ou ainda autores novos, independentes ou de editoras digitais tais como o fenômeno de vendas Cláudia Vasconcelos (Estrela Brasileira), Beatriz Lima (Tempos Férteis), Noga Sklar (Hoje não quero chorar), Leo Lopes (Rio:Zona de Guerra), entre outros.

    Deu para notar que temos um biblioteca razoável, não falta e-livro, apenas precisamos nos deixar experimentar sem preconceitos novos autores, e (re)ler antigos clássicos.

    O Kindle te ajuda nessa escolhas ao permitir que você leia um ou dois capítulos antes de se decidir pela compra.

    Claro que queremos e precisamos de mais.

    E temos a resposta para as nossas preces se aproximando a medida que a Amazon se instalará no Brasil. Os rumores apontam que a empresas está negociando com as grande editoras nacionais, e como a venda de e-livros superou as de livros por lá, é esperado que a empresa estimule a disponibilização de obras no formato digital.

    Nos resta cruzar os dedos para que a revolução se estabilize.

    Abraço,

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  2. Boa tarde. Eu comprei um celular com Android, e estou gostando muito do Aldiko. Para quem lê no celular, recomendo totalmente.

    http://www.aldiko.com/

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  3. Ronaldo,

    Obrigado por colaborar com o blog com essa dica

    Entretanto, para quem tem um Kindle, usar o app Kindle for Android é mais recomendável porque há a possibilidade de sincronização entre os dispositivos. Assim, você sempre estará lendo.

    Abraço,

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  4. Emanuel, concordo com você em gênero, número e grau. E espero mesmo que muita gente tope se aventurar com autores novos / independentes (pois isso me inclui, risos). Mas há outras questões que quero depois abordar por aqui, que vão além da disponibilidade, mas envolvem a qualidade das edições - tradução e aparência, por exemplo.

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  5. Acho que as editoras estão esperando só cair a ficha... O povo das velhas mídias reluta demais em abraçar as possibilidades das novas tecnologias; vide a luta dos grandes jornais americanos em se adequarem à nova realidade. Mesma coisa que aconteceu há 500 anos com os copistas. Tem coisas que nunca mudam, mesmo, haha...

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  6. Eu sempre fiquei chateado com esse negócio de livros em inglês serem muito mais baratos que os publicados aqui. Em relação a filmes, ou eu conseguia uma legenda ou não podia assistir. Então resolvi solucionar de vez o meu problema. Aprendi inglês. Ainda não leio tão bem como em português, longe disso, mas já consigo curtir os livros que gosto em inglês mesmo. E como o Kindle já vem com um dicionário, fica mais fácil aproveitar a obra.

    Mas é claro que eu gostaria que houvessem mais títulos em português.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Apesar de os e-books serem recentes é incompreensível como as editoras se mantêm relutantes em apostar nesse formato. Se o investimento requeresse despesas avultadas ainda percebia a renitência em apostar neste formato (apesar de mesmo se assim fosse, ser uma má estratégia), mas quanto dinheiro se gastará para publicar um livro em formato digital? Se um anónimo o quiser fazer gasta aproximadamente 0€... Na língua portuguesa as lacunas são gravíssimas! Na loja online da Amazon estão disponíveis livros do Saramago em espanhol, alemão e inglês... Será que ninguém estranharia ver Cormac McCarthy sem versão em inglês mas traduzido para português?! Emanuel, percebo o que dizes quando falas da juventude do novo formato, mas não me parece que seja desculpa suficiente.

    Cumprimentos do Baú-dos Livros e
    Ósum Pósume

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  9. Luiz B. Carvalho Neto29 de junho de 2011 18:06

    Prezado Emanuel:
    Pode contar comigo no abaixo assinado para mais livros em formato Kindle em Português! Entro neste movimento não tanto por mim, pois leio em inglês tão fluentemente como em Português. Mas acho um absurdo que um país com um potencial como o Brasil fique fora do circuito da Amazon Store for Kindle. A maioria dos brasileiros têm o direito de não ter de ler em inglês para curtir esse e-reader revolucionário. Quero por exemplo presentear um Kindle para familiares, mas não o fiz ainda por este motivo. Eles não poderão, por exemplo, adquirir um livro que esteja na lista dos mais vendidos da Veja, Saraiva ou Livraria Cultura. Já li muitos clássicos e livros literários ao longo de minha vida, mas às vezes o que queremos é apenas entretenimento sem muita reflexão! E nada tão bom como um bestseller com temas atuais para este propósito!
    Vamos seguir na luta! Meu e-mail é lcn@hotlink.com.br

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