sábado, 28 de maio de 2011

Venda de e-books cresce e motiva escritores

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Saiu no Correio Braziliense de 17 de Maio o seguinte artigo que é muito interessante para nós apreciadores dos e-readers e e-books :


Kleber Sales/CB/D.A Press
Pesquisa divulgada pela Associação Americana de Editores (AAP) mostrou que as vendas dos e-books (leitores de livros digitais) cresceram mais de 200% em fevereiro de 2011, se comparadas com o mesmo mês do ano passado. Mas isso nos Estados Unidos. No acumulado, o valor das vendas ultrapassa os US$ 160 milhões. No Brasil, não há dados consolidados, mas o fenômeno é facilmente perceptível: três lojas virtuais (livrarias Cultura, Gato Sabido e Saraiva) já têm livros digitais em português — cada uma oferece, pelo menos, 2 mil títulos no nosso idioma.

A expectativa é de que, ao longo deste ano, o número de e-books em português seja cinco vezes maior do que o de hoje. Dados divulgados pela Amazon confirmam a preferência: para cada 300 Kindles, o leitor de publicações digitais da empresa, são vendidos 100 livros físicos.

Tom Allen, presidente da AAP, explicou que o público abraçou os diferentes tipos de leituras disponíveis e fez do livro digital uma escolha permanente para seu estilo de vida sem deixar de manter interesse pelo modelo impresso. E não é à toa. O e-book apresenta diversas vantagens. É leve, permite acesso a livros baratos e oferece descanso para a vista. “Adoro o fato de poder organizar o livro e tê-lo na tela do meu computador em segundos. A capacidade de armazenamento é outro benefício importante: você pode carregar até 3 mil títulos em um único Kindle… Quão legal é isso?”, comenta o autor britânico Stephen Leather.

O escritor já publicou mais de 3 milhões de livros — a maioria de suspense — que já foram traduzidos para mais de 15 idiomas. Ele optou em colocar on-line obras recusadas pelas editoras por serem curtas demais. O resultado? Só em 25 de dezembro do ano passado foram aproximadamente 7 mil exemplares vendidos (45 mil unidades no mês). Hoje, o autor contabiliza 250 mil e-books comercializados.

Leather afirma que escritores podem conseguir melhores negócios publicando e-books pela rede do que com editoras tradicionais. “Se você colocar o preço acima de US$ 1,99, recebe 70% das vendas; se deixar cair o valor, você guarda 35%. Em um livro impresso, esse número varia entre 8% e 12% em média”, explica. “Acredito que os editores terão de reavaliar de perto as suas estruturas de royalties”, acrescenta.

A jovem americana Amanda Hocking, de apenas 26 anos, é outro exemplo de escritora de sucesso da web. Só conseguiu reconhecimento profissional e fama após publicar seus livros, também de suspense, na internet. Hoje, graças aos e-books publicados e às avaliações positivas dos leitores, assinou contrato de US$ 2 milhões com uma grande editora americana.

A autora mineira Ethel Kacowicz também apostou nesse formato de leitura e lançou o livro A escritora nas versões impressa e digital. Para ela, o e-book apresenta inúmeras vantagens, como o baixo custo de investimento; a maior liberdade de escrever temas diferentes, não restritos apenas à vontade do mercado editorial e a facilidade para publicar um trabalho.

Na internet, há vários sites especializados que permitem o download gratuito de diversos conteúdos que vão desde partituras musicais até obras consagradas da literatura brasileira, como as de Machado de Assis. O professor da faculdade de Educação da Universidade de Brasília Gilberto Lacerda conta que a tecnologia pode ser uma das ferramentas para difundir conhecimento e tornar os estudos mais prazerosos. “O e-book faz parte da tecnologia que atrai jovens. Quando é usada de forma estratégica, ela agrega valor”, afirma.

Na internet

Biblioteca virtual de partituras 
www.biblioteca.paulinyi.com
Disponibiliza gratuitamente partituras de música.

Universia Brasil 
http://livros.universia.com.br
Oferece gratuitamente obras literárias de Machado de Assis, Lima Barreto e José de Alencar, entre outras.

Virtual Book
www.virtualbooks.com.br
Permite o acesso a livros em várias línguas.

Livrarias digitais
Para Gilberto Lacerda da UnB, a escola é um ambiente propício para o uso de tecnologias. “O dispositivo prende o aluno quando ele vê uma animação, além da interatividade. Surge mais interesse pela escola”, comenta. “As bibliotecas virtuais colaboram com a democratização da informação: mais pessoas têm acesso a um menor custo ou até mesmo gratuitamente”, completa.

O blog e-Book grátis (www.ebookgratis.com.br), administrado por Marcus Vinícius Paiva, pesquisador do assunto há quase 10 anos, oferece diferentes livros digitais de forma gratuita. “O objetivo é compartilhar conhecimento, incentivar o hábito de leitura, servir de divertimento e ajudar nos estudos”, garante. O projeto existe há nove anos e conta com grande número de colaboradores que compartilham e digitalizam seus livros.

Embora Paiva se considere um apaixonado por e-books, não descarta o valor do livro impresso. “É muito mais que um suporte para a leitura, tem valor simbólico e é visto como um patrimônio para deixar para a família. Eu tenho aparelho que lê conteúdos digitais, mas minhas paredes estão repletas de livros impressos. Me dá satisfação mostrá-los aos meus amigos”, explica.

Um comentário:

  1. E o ebook no Brasil finalmente alcançou a casa dos 4 digitos para o título mais vendido do país: aconteceu na Livraria Cultura, esta semana, com o Domingo, o Jogo da KBR.

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