quarta-feira, 13 de abril de 2011

E-livros "bestseller" versus e-livros alternativos

Aumentar Letra Diminuir Letra

Quando converso com pessoas ainda leigas no mundo do e-readers, umas das justificativas mais correntes de não adquirir um aparelho é que não há livros suficiente disponíveis na versão digital.

Como assim, não há?

Hoje somente na Amazon, disponível para América Latina, temos 670 mil obras, e na língua portuguesa, 1970.

Quantos livros são necessários para ser suficiente?

Na Biblioteca Anexa de Alexandria (a que restou após o incêndio) estimasse que haviam 1 milhão de rolos de papiros. Obras variadas de autores de todo o mundo antigo. Seria essa a cota necessária?

Na verdade, precisamos analisar a queixa apresentada a cima em dois pontos:

Primeiro, ela é oriunda de um repulsa ao que é novo, um sentimento inerente ao ser humano, afinal, quebrar paradigmas estabelecidos a tanto tempo não é a coisa mais fácil.  Entregar-se a (r)evolução digital da cultura é tão difícil quanto foi aceitar que a Terra não era quadrada. E por causa disso, buscou-se uma justificativa quantitativa, mas imprecisa, para a não aceitação dos e-readers.

Em segundo plano, podemos verificar que a razão da queixa pode ser baseada no fato de que, no Brasil, o público de leitores é uma classe privilegiada, formado principalmente pela classe média, que possui recursos financeiros escassos. E por conseguinte, não podem se dar ao luxo de gastar com algo que "não seja bom".

Dessa forma, e alimentado pelo marketing das grandes editoras, os livros "bons" se tornam aquilo que está na moda, presentes nas listas dos mais vendidos, com nomes de autores conhecidos, ou com títulos homônimos de filmes "hollywoodianos". Porém, muitos desses livros ainda não foram lançados no formato digital.

Assim, fica fácil de entender a queixa da não existência de livros digitais suficientes para justificar a compra de um e-reader. Afinal, os 1970 e-livros da Kindle Store, na sua maioria, não frequentam a lista dos mais vendidos das revistas semanais.

Porém,  isso é uma grande engano.

Nessa pequena lagoa de obras digitais em português, excluindo as obras clássicas, Machado de Assis, Eça de Queiroz, Lewiss Carroll, A Bíblia, etc., e dos poucos autores bestseller como Laurentino Gomes e Paulo Coelho,  os novos autores dominam essas "águas" com "barcos-a-vela" impressionantes.

Os americanos classificaram esses autores e suas obras como indie, nós, como alternativos. Alternativos à mediocridade cultural, à mesquinharia das grandes editoras e ao seu coronelismos.

Nosso blog é prova de que há muita qualidade nesses e-books, as últimas resenhas e as próximas três que estão a sair, são de e-livros alternativos. E há muito mais para se descobrir.

Ser alternativo não é um título estático, vejam o exemplo da escritora americana de 27 anos, Amanda Hocking, uma self-publisher ( traduzindo seria, autora independente?) que emplacou 6 obras na lista do USA Today bestseller (olha a lista!), arrecadando cerca de US$ 1 milhão em vendas na Kindle Store, e que recentemente assinou contrato milionário com Macmillan, uma das maiores editoras do mundo.

O fato é que livros BONS são constituídos de histórias e argumentos BONS,  e a Kindle Store está repleta deles, basta procurar.

Ah, se vão se tornar bestsellers, quem decidirá é o público.
O poder emana do leitor!

5 comentários:

  1. E bastante simples, e so perceber que um dia todo best seller foi um livro alternativo, pq todo autor um dia começou e qdo se começa, de forma geral, nao se pega uma grande editora fazendo 500 ediçoes e versoes internacionais...eu mesmo semprei leio o alternativo...estou ate "betando" um livro de um autor independendte fa aki do blog e estou adorando a historia..bastante criativa...quem sabe um dia nao vire um best-seller...sem contar q lojas como a kindle store sao um incentivo a produçao literaria, coisa q aki no brasil nao temos, um exemplo disso foi o filme de bruna surfistinha ter ganho grana da lei de incentivo a cultura...por favor ne...me afoga...mas enfim, a kindle store publica os livros de autores nao famosos dando=lhes a oportunidade do mundo inteiro poder le-los, incentivando seu trabalho e divulgando a arte de ler....

    ResponderExcluir
  2. Tem muita gente que acha que só porque escolheu um best seller para ler, fêz uma boa escolha para se divertir ou aprender com um livro.
    Infelizmente.
    Eu acho mais interessante fazer uma pesquisa prévia usando outros fatores para selecionar o próximo livro a ler. O resultado pode até ser um best seller mas não necessariamente.

    ResponderExcluir
  3. Concordo integralmente com o Texto...

    Só o que realmente destoa é a referência a tal de Amanda Hocking, pois as obras dela costuma ser a respeito de Vampiros e Anjos... ou seja, obras de qualidade literária duvidosa.... afinal se quantidade de obras vendidas fosse sinônimo de qualidade então Paulo Coelho seria um escrito de qualidade, o que não é de modo algum!

    ResponderExcluir
  4. Olá Gustavo, obrigado por nos acompanhar.

    Mas não entendi seu argumento sobre a obra da Amanda. Ela é uma escritora "de qualidade duvidosa" porque ela escreve literatura fantástica?

    ResponderExcluir
  5. Já baixei gratuitamente na net e li: Paraíso Perdido, de Milton; Ciropedia, de Xenofonte; História da Guerra do Peloponeso, de Tucídides; etc. etc. etc. Livros não faltam, basta ir ao 4shared.

    ResponderExcluir