terça-feira, 15 de março de 2011

RESENHA: Um Kindle pra chamar de meu, Noga Sklar

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Hoje, com muita satisfação, venho apresentar aos leitores desse blog o livro de crônicas, Um Kindle pra chamar de meu, de Noga Sklar, que teve como musa inspiradora o surgimento do primeiro e-reader do mercado.

Noga narra em suas 28 crônicas, de 2007 a 2010, a epopéia revolucionária do lançamento do Kindle pela Amazon, passando pelas suas aventuras e desventuras para ter um desses em suas posses, e como esse relacionamento mudou a sua vida (e a nossa).

Esse livro também foi um marco, pois foi um dos primeiros e-books em português a ser vendido pela Kindle Store (lançado em Dez de 2009), sendo hoje o 25º mais vendido na língua portuguesa e ocupando a posição 127.123 dos mais vendidos na loja virtual da Amazon. Além de contribuir diretamente, para o surgimento da KBR, editora digital, de propriedade da autora.

Quanto ao livro, trata-se de uma coletânea de crônicas quase típica: rápida, suave, cotidiana. O quase se deve ao fato de assunto principal girar ao redor do surgimento de algo inusitado, o leitor de livros digitais, Kindle.

Porém, mais do que um coleção de relatos, há uma poesia suave que se declama no surgir de um relacionamento entre uma escritora/ editora e um Kindle.
E nesse novelo de sentimentos, Noga nos apresenta, como se olhássemos por uma janela, o surgir de uma nova era, na qual as possibilidades iluminam o céu da realidade como fogos de artifícios. A cada crônica, com a proximidade e familiarização dessa nova ferramenta, a autora nos mostra como o Kindle (os e-readers) podem revolucionar a editoração, revisão e a distribuição dos livros.

Como na seguinte passagem:

“Mas o que é bom, bom mesmo, é que como editora do Kindle posso alterar a qualquer momento qualquer besteira que tenha passado despercebida, tchau destino de ter que aceitar que o texto já está publicado, vexames linguísticos nunca mais...” Loc. 662-64
Simplesmente, se algo na 1ª edição estiver incompleta ou errada, basta o editor atualizar o arquivo fonte, e todos que já tiverem comprado a obra, podem baixar a nova edição. O próprio conceito de edição se faz caduco com essa possibilidade. No mundo virtual, não há tiragem limitada, não há risco de esgotar livros, ou custos quanto à manutenção de estoques não vendidos.

Mas como em toda revolução há incertezas do futuro, na revolução do livro digital, muitos receios e preconceitos são expressos com freqüência.

Na crônica No “Jornal do Trem”, 18 abril de 2010, Noga aborda essa preocupação ao expor sua opinião em relação o futuro dos livros. Ela se posiciona totalmente a favor da digitalização da literatura, mas faz algumas ressalvas quanto a segurança eletrônica, como em :

 “...recomendaria o cuidado com a preservação, pelos editores, de pelo menos alguns poucos exemplares impressos, algo assim como um "padrão ouro" dos livros, para o caso de alguma pane eletrônica.” Loc. 698-99
Ou citado em Novembro de 2007, logo após o nascimento do Kindle, na crônica Kindle Kinder:

“A matriz de todos os livros publicados, de uns tempos para cá, virou digital... Em vez de uma matriz digital gerando milhões de impressos em papel, teríamos uma matriz impressa, para fins de preservação e back-up... Melhor: uma matriz gravada em metal, espécie de “padrão ouro” de todos os livros publicados que, em caso de desastre cósmico, entrasse direto em alguma prensa dessas de museu...” Loc. 53-60
Resolvido essa problemática, Noga nos deleita com as vantagens dos livros digitais:

O enriquecimento do texto por meio de links, os quais inseridos de forma estratégica no texto, nos possibilita expandir o conteúdo através de uma conexão com a internet. (Loc. 675)

A praticidade na compra, leitura e transporte de milhares de livros em 240 gramas.

“...desde que ganhei meu Kindle, um dos melhores presentes que já recebi na vida, nunca mais li livro em papel. Não se compara a praticidade, a rapidez em receber o livro adquirido na "livraria" sem sair de casa, e, me acredite, o conforto da leitura, até mesmo na cama antes de dormir.” Loc. 710-12
“Um Kindle pra chamar de meu” consegue traduzir todas as expectativas de nós, entusiastas do livro digital, geradas desde o anúncio do Kindle, até a forma como cada um conseguiu adquirir seu precioso leitor. Ainda, de forma poética nos mostra que o sentimento de satisfação e bem estar gerado pelo uso desse gadget é real.

“Um Kindle pra chamar de meu” poderia ser chamado de “Diário de um Kindle”, ou melhor “Diário de nosso Kindle”.


Um Kindle pra chamar de meu, Noga Sklar
Amazon: U$3,99, formato AWZ (compatível com Kindle)
Kindle Book BR: R$6,00, formato ePUB com DRM (necessita conversão)
Livraria Cultura: R$6,00, formato ePUB com DRM (necessita conversão)


Nota: os textos citados nessa publicação bem como alguns comentários foram todos transcritos diretamente do Kindle usando o recurso Highlight e Note.



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