quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Uma declaração de amor ao Kindle, por Bia Kunze

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Sempre li o blog Garota sem Fio, da Bia Kunze, e hoje me deparei com esse texto em que ela conta como seu Kindle a ajudou superar uma situação complicada na vida.

Segue o texto:

Ganhei o Kindle 2 de presente do marido no Natal de 2009. Para quem adora ler e está sempre lendo uns 3 livros ao mesmo tempo, é uma mão na roda. Já lia em PDAs desde 2001, mas nada se compara à tecnologia eInk. A sensação é de um livro de papel!

Já achava o Kindle o máximo, mas mal podia imaginar o que aconteceria no ano seguinte, logo em janeiro. Adoeci gravemente e minha primeira internação durou 11 dias. E saí de lá andando mal. Isso era só o começo. Para encurtar a história, passei praticamente metade do ano de cama, com muitas dores, imobilizada, e depois, em cadeira de rodas, por conta de uma doença auto-imune fulminante.

Foi difícil para uma pessoa super ativa como eu de repente parar tudo. Mesmo jovem e saudável, a vida mostrou que nunca se sabe o que acontecerá no dia seguinte. Projetos, planos, expectativas, um monte de coisas em andamento na vida pessoal e profissional, e, de uma hora para a outra, tudo é interrompido.

Sorte que sou abençoada por um gênio calmo e um organismo forte. Acho que minha família sofreu mais do que eu. O marido usou suas férias para cuidar de mim. E depois de anos, voltei à casa dos meus pais, pois a minha é um sobrado e as escadas pareciam uma barreira intransponível. Dependi deles para tudo, até ir ao banheiro. Mas mantive a cabeça no lugar. Claro que é impossível estar otimista 100% do tempo; sabia inclusive que poderia não voltar mais a andar… mas vejam que inusitado: eu nem me importava mais que isso acontecesse, contanto que as dores passassem. E que eu voltasse a trabalhar. Acostumada a atender idosos e pessoas com necessidades especiais, encarei meu período de cadeirante como um “estágio”. E depois disso, até o fim do ano, muita fisioterapia e uma paciência infinita, esperando os medicamentos surtirem efeito.

Ainda que num ritmo mais lento, mantive meu blog atualizado e continuei escrevendo para vários veículos. Porque é bem verdade aquele ditado da minha avó: “cabeça vazia, oficina do capeta”. Cheguei até a dar uma consultoria quando não sentia mais dores, a cliente gentilmente foi até em casa. Mas o meu maior suporte para não enlouquecer com a inatividade foi o Kindle. Tive recaídas, voltei ao hospital, inchei por causa dos corticóides, perdi quase todo meu cabelo, peguei infecções oportunistas. Mas a leitura ajudou a manter a cabeça sã.

Embora atualmente se possa comprar livros facilmente pela internet, nada se compara a um leitor de livros digitais com 3G e loja atrelada. Era só escolher o título, fazer a compra — com um único clique — e aguardar alguns segundos pelo download. Nada se compara a isso, ainda mais para quem está fisicamente imobilizado.

Longe do trabalho, dos pacientes, vivendo uma vida diferente num corpo que não parecia o meu, decidi fazer do limão uma limonada e li todos os livros que estavam na minha fila de leitura e mais tantos outros. E aproveitei para me atualizar, com diversos papers e artigos de odontogeriatria, que é minha área. E ainda por cima me tornei expert em doenças auto-imunes e a fisiologia da dor… Sim, foi um estágio e tanto…

O mais interessante é que no Kindle pude ler livros que, na versão convencional, possuem mais de 500 páginas. Isso seria impossível num dispositivo móvel como um PDA ou smartphone, pois a tela pequena não foi feita para leitura por um período prolongado. E, mesmo num iPad, a luz cansa a visão. Ou seja: por mais lindos que fiquem os ebooks num tablet, a tecnologia do papel eletrônico é a que mais se aproximou da experiência de um livro tradicional.

Minha recomendação hoje em dia são tablets somente para o leitor eventual, ou para obras técnicas e de consulta. Eles servem para quem quer algo que se aproxime mais de um computador que, entre várias outras tarefas, exibe livros. Para aqueles que estão sempre lendo alguma coisa, uma após a outra, um dispositivo dedicado é a escolha perfeita.

Depois de muitos medicamentos que me enfraqueceram, fiz bastante fisioterapia. Hoje posso andar outra vez, e, recentemente, fiquei até emocionada ao voltar a pedalar. Ficaram algumas sequelas, como alguns movimentos mais limitados e imunidade baixa, que ainda ficará assim por um bom tempo. Mas o amor e os cuidados de meus pais e meu marido certamente ajudaram a agilizar minha recuperação. E o mundo de informações que o Kindle trouxe nesse período, idem. Dá até para dizer que ele também virou um membro da família…

Em tempo, desejo muito mais saúde, Bia.

FONTE: http://www.techtudo.com.br/platb/mobile/2011/01/28/uma-declaracao-de-amor-ao-kindle/

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