segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Kindle e iPad... Uma viagem para ser lembrada...

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Achei um caso que não pode ser deixado de lado e merece ser replicado aos 4 ventos quando o assunto é comparar o iPad com o Kindle: 

Dois amigos de uma empresa brasileira foram enviados para um congresso na Espanha e aproveitaram para passar uns dias conhecendo Italia, e Inglaterra. Tudo muito bate-pronto e ficando não mais de um dia e uma noite em cada local. 

Os dois gostam de tecnologia, mas um deles é mais ligado em temas de cultura e adora ler livros. Adivinhem... este, Kiko tem um Kindle 3 com wi-fi e 3G. O outro, Apparecido tem um iPad top de linha com 64Gb e 3G.

Viagem confirmada, os dois se encontram no aeroporto. Enquanto esperam o embarque, Apparecido se delicia em "sacanear" Kiko mostrando as N funcionalidades de seu iPad : Jogos, Videos, e-mail, Internet, várias Apps e... também o sistema de leitura de livros Kindle da Amazon for iPad.  Kiko acha tudo muito legal, mas comenta que prefere usar o tempo livre lendo algo que jogando ou assistindo algum filme. 

Os dois embarcam e já no avião um primeiro detalhe : Kiko abre seu Kindle (carregado o dia anterior) e passa mais de duas horas lendo um bom livro que tinha comprado na Amazon. Apparecido, por seu lado não faz por menos e se diverte no iPad, jogando, vendo um ou outro video que havia carregado e, uma hora depois acaba deixando ele de lado para ver o filme que ia passar nas telas individuais do avião. Kiko desconfia que ele ficou cansado de segurar o iPad, mas prefere não provocar. 

No dia seguinte, chegam a Madrid.  Como não sabiam direito onde ficava a estação de Atocha e se esta estava perto do Hotel onde iriam ficar, resolveram dar uma olhada no Google Maps antes de correr o risco de ficar dando voltas com o Taxi. Apparecido já saca seu iPad, mas alguns segundos depois descobre que não tem conexão com as operadoras de 3G da Espanha, pois não havia habilitado o roaming internacional e também porque um amigo havia lhe comentado que o roaming de dados era muito caro por lá, pois 3 dias usando um Blackberry havia pagado mais de 500 Euros na conta no Brasil.  Ele bem que tentou a rede Wi-fi do Aeroporto, mas esta não era aberta e precisava de um pacote da Vex ou de i-Pass para poder acessar. Isso tomou algum tempo, pois como estavam já na área externa, a luz do Sol da manhã dificultava ver a tela do iPad com clareza. 

Chegou a hora de Kiko esnobar, já que sabia que Apparecido é muito pão duro e não queria ativar o roaming e gastar uma fortuna.  Ele tirou o Kindle do bolso da jaqueta,  já que como ele é bem pequeno e leve, nem precisou colocar na mala ao desembarcar. Em minutos acessou o navegador e consultou o mapa,  mesmo que em preto e branco e viu claramente sob a luz do Sol o local e o caminho melhor. 

Foram dois dias ótimos, onde Kiko aproveitou as horas vagas para ler o livro que havia comprado e estava lhe fascinando. Apparecido ainda brigava para ver se conseguiu achar alguma rede gratuita para conectar-se a internet ; desistia e ia para os joguinhos, já que os vídeos baixados acabaram rápido.

Acabou a parte profissional e agora era só lazer : embarcaram a noite para Itália.  Kiko já estava quase acabando de ler o livro e Apparecido tinha certeza de que como seu chip no iPad era da Tim, ao chegar na Itália teria alguma opção de acesso barata, afinal a Tim e uma empresa italiana e não lhe deixaria na mão. 

Algumas horas depois chegam ao destino e Apparecido descobre que nem toda Tim é igual. Ele liga para a operadora e tentando se entender com eles em Inglês, já que não fala nada de Italiano,  descobre que poderia comprar um chip pré-pago para dados ou se quisesse usar o roaming ia ter que pagar algo como 1,2 EUR por Mb.  Apparecido estava indignado e ainda queria brigar com o recepcionista do Hotel quando este lhe disse que tinha Internet no quarto de graça na tomadinha RJ45 da escrivaninha, mas que se quisesse wi-fi teria que pagar... Afinal estava descobrindo que na Europa nada é de graça - ou quase nada, pois a conexão 3G do "sem graça, preto-e-branco, monotarefa, e lento" Kindle (segundo os adjetivos dados por Apparecido) funcionavam normalmente em todo lugar via conexão 3G sem ter que pagar nada....

Ok. Mais uma noite de ótimo sono - depois de Kiko finalizar a leitura dos livros e Apparecido jogar um pouco mais. Dia seguinte, sair para fazer turismo. Novamente o Kindle se mostrou um excelente auxiliar com o acesso ao Google Maps sem custo (mesmo que lento) e também uns sites de informações turisticas que Kiko achou.  Apparecido foi teimoso e levou o iPad, na esperança de achar algum local com wi-fi gratuito.  Visitaram vários locais históricos e em cada um deles Kiko tirava o Kindle do bolso para consultar os aspectos de interesse no site de turismo e também para já planejar o próximo destino. Já Apparecido estava meio preocupado, pois nestes locais turísticos tinha muita gente estranha para o padrão Italiano (ciganos, marroquinos, etc.)  e evitava tirar o iPad que chama muito a atenção e que também não serveria para nada. Já o Kindle, alguns olhavam, mas viam algo apagado, preto-e-branco e nem se interessavam...

Kiko gostou tanto de algumas coisas que ficou sabendo sobre a antiga Itália neste dia de viagem que no Aeroporto, se preparando para embarcar, resolveu entrar na loja da Amazon e comprar um novo livro sobre a Itália Antiga e já ler no vôo.  Apparecido só reclamava que estava com dor de cabeça - talvez pelo excesso de joguinhos nas horas vagas, brincava Kiko. 

Chegaram a Londres e, felicidade geral : no Hotel, Apparecido descobriu sua primeira rede wi-fi sem custo. E o recepcionista já avisou que  em Londres encontrariam vários Hotspots gratuitos.  Chegou a hora da vingança, pensou Apparecido. E ficou um bom tempo usando seu iPad no quarto, mesmo após este dar a mensagem de 10% de bateria (enquanto o Kindle do Kiko, apesar de muito mais utilizado ainda estar acima dos 50% de carga).  No dia seguinte, antes de tomar café da manhã, resolveu ligar o iPad na tomada para carregar e, mais uma frustração : as tomadas na Inglaterra são diferentes.... Busca daqui, busca de lá um conector universal e nada.  Estavam todos usados por outros hóspedes. O recepcionista, muito atencioso, viu que o cabo do iPad era um cabo USB e sugeriu que deixasse o iPad por lá, conectado no micro da recepção e sob os cuidados dele enquanto passeavam de manhã e ao voltar  na hora do almoço para pegar as malas antes do horário limite do check-out, o iPad já estaria carregado e eles posderiam usá-lo a tarde toda e depois. Ótimo. Cabo conectado lá se foram os 3 : Apparecido, Kiko e o Kindle. 

Retornando, foram direto para o quarto arrumar as malas e ao descer para pegar o iPad carregadinho, Apparecido lembrou de algo ao ver o indicador de carga em 2%.... nem todo porte USB carrega o iPad. Precisa ser um de 10W, pois os de 5W não carregam ele. Mas, já era tarde. Tinham que ir a um restaurante que haviam escolhido e partir para os passeios da tarde e, mesmo com wi-fi gratuito em vários lugares, nada de iPad, pois estava praticamente sem carga. 

O passeio foi ótimo, culminando em uma grande livraria de Londres, onde Kiko folhava vários livros e, depois de colocá-los em uma cesta, sentou-se em um canto e começou a consultar um por um no Kindle e comprá-los direto da Amazon, bem mais barato e sem ter que carregar nada.  Apparecido bufava, espumava e via o amigo super feliz com seu gadget restrito e ele ali como um super tablet sem nada para fazer a não ser folhar livros em papel. 

Chegou a hora de voltar ao Brasil e deixar a aventura tecnológica frustrada para trás. Apparecido pensou : vou ter que aguentar a alugação do Kiko por um bom tempo; mas, pelo menos tá chegando ao fim; mais nada pode dar errado. 

Triste ilusão....

Kiko desceu do avião e ficou na fila do passaporte lotada por mais de meia hora lendo calmamente seu Kindle. Apparecido, que já havia guardado o iPad sem carga na mala de mão ficava assobiando esperando o tempo passar.  Ao pegarem a bagagem na esteira, Kiko estava tranquilo e foi ao Free Shop. Apparecido, de tão estressado nem quis saber e foi direto para a fila da alfândega. O agente, ao ver ele suado, esbaforido, convidou-o a ir para a fila de checagem de bagagem. "Tranquilo, sou vou perder tempo, pois não comprei nada mesmo"... pensou Apparecido.  Mala scanneada e bagagem aberta, o agente já falou na lata, vai ter que pagar USD 329 de imposto deste iPad que custa USD 829 e passa da cota de USD 500.  Apparecido gelou e falou que era usado e que podia provar pelos aplicativos antigos que tinha nele. O agente, rispidamente aceitou e pediu para ligar.... xiiii... sem bateria. Era o que faltava. 

Nisso, Kiko ia passando com o seu Kindle na mão na frente do agente e perguntou se podia ajudar o amigo que estava ali sendo inquerido, alegando que usariam o mesmo taxi para voltar a SP.  Foi em socorro do amigo. Apparecido já tava louco mesmo e falou pro agente : "Não vai reclamar do Kindle dele não", ao qual ouviu a clara explicação : este tipo de aparelho pode entrar no país, um por viajante, sem pagar taxas; além disso, mesmo que tivesse que pagar o preço é de USD 189, nós sabemos...

Kiko, de cabeça fria lembrou o amigo que o iPad dele foi comprado no Brasil e que, por isso tinha o símbolo da Anatel gravado no verso e ainda lembrou que o Apparecido tinha uma cópia da Nota Fiscal guardada na carteira, que ele usava para mostrar aos amigos que questionavam sobre o aparelho a pequena fortuna que ele custava. 

Finalmente tudo se esclareceu e foi cada um para sua casa curtir seus gadgets. 

Algumas morais desta história (entre inúmeras outras) :  

  • Nem tudo que tem mais opções é melhor para tudo
  • 3G fora do Brasil sem custo ou com custo baixo, só no Kindle mesmo
  • peso, facilidade de ler sob luz do sol e não chamar a atenção pesam positivamente sim
  • sair com um iPad comprado fora do Brasil é um risco ao retornar, o Kindle não
Espero que tenham gostado ... ou não....


16 comentários:

  1. Ok, tenho um Kindle 3G e moro na Finlândia. Este "causo" está passando um pouco de desinformação. O Kindle 3G tem recurso de navegação na Internet com browser experimental, mas não funciona em todos os países. Na Itália por exemplo não funciona. Aqui na Finlândia também não (abre apenas o site da Wikipedia). Por fim, a lista completa, que inclui o Brasil, é esta abaixo:

    http://www.amazon.co.uk/gp/help/customer/display.html/ref=hp_k2land_trvl?tag=kwabu-21&nodeId=200504420#browsingcountries

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  2. Tiago, sinto te informar mas a lista não é muito confiável. O Kindle está funcionando no 3G no Brasil desde Abril/2010 e só no final do ano passou a fazer parte da lista da Amazon. Na itália estava funcionando sim em Roma, Milão e mais algumas cidades menores - mas realmente não sei se continua. Creio que a Amazon não divulga na lista até ter um prazo experimental comprovado que justifique realmente o que eles pagam para as operadoras de telefonia local.
    Eu também tenho um iPad 3G - 64Gb e uso bem os dois, cada um no seu melhor, ou seja, o Kindle para ler livros e o iPad para o demais. Dê uma visitada no Blog onde escrevo sobre iPad : http://blogipad.com.br - com certeza você vai gostar e ver que eu também tenho boas coisas a falar do iPad....
    Abraço.

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  3. Texto fantástico, Edson. Ri muito aqui. Isso é uma história real? :)

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  4. Emmanuel, digamos assim : "é um texto verídico de uma realidade provável" . Não sei se você notou alguma similaridade do nome dos personagens com seus gadgets ... Estou treinando para escrever meu primeiro livro.... :)

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  5. Por isso que Apparecido tem dois P ! :)

    Ficou muito bom mesmo!

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  6. E o Kindle realmente entra no Brasil sem pagar impostos na Alfândega?

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  7. Uma amiga minha está nos EUA e gostaria de saber se ela pode trazer um na bagagem sem precisar declará-lo na alfândega

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  8. Olá Horácio. Kindle sim, pode-se trazer um por pessoa sem qualquer necessidade de declaração. Já o iPad não, pois é equiparado a computador e, se pegarem vai consumir sua cota de USD 500 (ou ultrapassa-la, dependendo do modelo).

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  9. Eu ainda vou ter um tablet mas só lá pela 3a geração.

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  10. Oi Edson. Tenho um Kindle e digo, sem medo de errar, que desde que o comprei em setembro passado é o meu brinquedo preferido! Eu o utilizo diariamente e quando saio, ele está sempre na minha bolsa. Além do prazer óbvio da leitura, já me socorreu algumas vezes com o acesso 3G na rua. Em janeiro, fui assistir a um torneio de Tênis em Sampa e meu marido queria saber os resultados do dia e os horários dos jogos que ele queria ver. Não tive dúvidas, acessei o site do torneio, consultei a tabela de jogos, os comentários, resultados, etc. Além disso, no mesmo dia, apesar de meu marido estar em férias, ligaram do seu trabalho para solicitar uma informação que estava em seu email. Acessamos o email, encaminhamos a mensagem que precisavam e fomos nos divertir com os jogos, sossegados. Nesse dia, ele, que não é muito fã de gadgets, concordou que era uma boa ter um desses à mão. Agora, vamos encomendar um para ele também já que o meu não sai de perto de mim. E quanto ao prazer de escolher um livro na Amazon e tê-lo em mãos um minuto depois e ainda mais barato do que o mesmo por aqui? Demais, não é? Quanto ao iPad, eu e meus filhos estamos loucos para comprar um, mas por enquanto está só nos planos. Dei boas risadas com o seu texto. Acho que vou recomendá-lo aos meus amigos que não entendem porque comprei um Kindle ao invés de um iPad. Costumo dizer que quem faz esse tipo de comentário não entendeu muito bem o espírito do Kindle. Para quem gosta de leitura, não há nada igual. Como disse estou louca para ter um iPad, já tive um em mãos e achei fantástico, mas não creio que o Kindle perderá seu lugar de queridinho da mamãe. (Como dizem os meus meninos...) :)
    Que venha o seu livro!
    Abraço.

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  11. Hilário, ri demais, o kindle é maravilhoso, no meu serviço consegui convencer uns três a comprarem!!

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  12. Parabéns pela crônica! Leitura divertida e agradável, resumindo de maneira bem clara as vantagens de se ter um kindle e o erro comum que alguns cometem, na minha opinião, ao escolher um Apparecido quando na realidade o perfil do usuário é mais adequado para um Kiko (o engraçado é que eu e minha esposa apelidamos o Kindle de Kiko aqui tb - o 3G levou o nome de kikinho e o DX, que uso basicamente para documentos em pdf virou o kikão).

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  13. Estou interessadíssimo em comprar um "Kiko", já que a Amazon entrega no Brasil, mas fiquei com medo das taxas. Alguém aqui sabe dizer quanto que fica o com Wi-Fi (US$139) pra entregar aqui no Brasil?

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  14. desconheço alguma loja que tenha o Kindle fisicamente. Precisaria procurar na internet. A forma mais usual de compra é pelo site da Amazon. Veja abaixo uma resposta que enviamos para outro leitor sobre a compra do Kindle.

    Para saber o quanto vai pagar pelo Kindle na Amazon, a forma mais certa e fácil é simular pelo próprio site da Amazon. Compre o Kindle, coloque seus dados para envio, calcule o frete e só não finalize a compra.
    Lá vai a aparecer exatamente o frete, o que cobram de taxas e impostos e, depois é só incluir 2% de IOF por transações no cartão de crédito em moeda estrangeira e multiplicar pelo cambio.

    A Amazon não cobra só o imposto (60%), mas sim todo o trabalho de desembaraço, pois eles enviam pela FEDEX ou UPS e entregam na sua casa. Se você coloca só o imposto, tem o aspecto de ter que ir retirar em um local de desembaraço alfandegário, etc. - que não é opção na compra pela Amazon.
    É a forma, se não mais barata, mais certa de comprar.
    Outra é achar alguém vendendo no Mercado Livre. Tem bons produtos lá e ,s e você pegar pessoalmente ou fizer a compra pagando por Mercado Pago, não deve ter problemas. Eu mesmo ja vendi dois por lá (um usado e um novo - na caixa lacrada) e os compradores ficaram super satisfeitos. Só que como eu tinha comprado nos EUA, e não paguei imposto ao trazê-los comigo, cobrei menos que o que cobra a Amazon..."

    Uma ultima opção é buscar em algumas lojas que vendem o Kindle aqui, como por exemplo, a Apetrexo (www.apetrexo.com.br), mas não tenho experiência com compras com eles, apesar de estarem ha muito no mercado.

    O ideal seria pedir para alguém que vai aos EUA comprar e te trazer, já que um Kindle por pessoa passa na alfandega sem entrar na quota de USD 500...

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  15. Engraçado que o nome do meu Kindle é Kiko! Todos meus gadgets tem nome, mania minha desde sempre. Agora, uma crítica: possuo o Kindle e concordo com todo o conteúdo do texto acima MAS vale lembrar que só foram ilustradas as situações em que o kindle se sobressai aos tablets, certo?
    Portanto, há um certo (?) bairrismo em seu conteúdo. Não acho que o Calvin (meu iPad) e o Kiko se excluam: aqui em casa, ambos se dão muito bem e um não se mete a tentar desempenhar as funções do outro. Somos uma família muito, muito feliz assim!

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