domingo, 26 de setembro de 2010

Amazon ou outras livrarias virtuais ?

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Tenho recebido vários e-mails e comentários dizendo porque eu critico tanto as editoras / livrarias e e-readers nacionais e sempre falo positivamente da Amazon.
Como muitos destes comentários vem identificados como "Anônimo", até suspeito que pessoas ligadas a estas empresas é que colocam estes comentários.  Mas, de qualquer forma, não entendo que seja algo que deva ser deixado sem uma resposta e colocar o meu ponto de vista (que não necessariamente é o correto)  para que outros possam também comentar e evoluir esta discussão. 
Primeiro, eu não sou nenhum "fã de carteirinha" da Amazon e iBookStore (loja de e-books da Apple para o iPad e iPhone/iPod), mas alguns pontos tem que ser levados em consideração quando as comparamos com as livrarias de e-books nacionais:

- a Amazon e a iBookStore são duas portas de entrada para novos autores. Qualquer pessoa que queira se aventurar no mundo da literatura e publicar sua obra, tem nestas duas uma porta de entrada totalmente aberta à sua criatividade. Só para exemplificar o caso da Amazon, lá você encontra até a ferramenta de edição para escrever seu texto; uma vez concluído, você pode facilmente publicá-lo e disponibilizá-lo para o mundo todo; basta ter um cartão de crédito internacional (onde serão creditados os royalties das vendas) e a Amazon fica com uma parte do preço de venda (nada mais justo). Nada de necessidade de uma editora ou algum outro intermediário. Um exemplo de quem já usou deste expediente e faz um sucesso mundialmente (até mesmo porque depois do idioma português, já traduziu suas obras para espanhol, inglês, francês, etc...) é meu amigo E. Al. Roper.  Se ele dependesse das editoras tradicionais, provavelmente não tivesse tido a chance nem de começar. 
- já as lojas nacionais (Gato Sabido/Submarino, Loja Singular, Livraria Cultura/eBooks, Ponto Frio, por exemplo) não tem nenhum espaço - pelo menos que eu tenha encontrado - para permitir a publicação de obras por novos autores independentes. Apesar da oferta de livros em português nestas ser muito maior que da Amazon e iBookStore, são todos de autores já conhecidos no mercado impresso, com a intermediação de uma editora.  Cadê a "democracia" que um dos Anônimos colocou como não existindo na Amazon por esta publicar em um formato próprio e não nos ePub ou PDF padrão do mercado ? Para mim, a possibilidade de deixar caminho aberto para novos autores é um ponto positivo muito forte que não temos aqui; quantos já não se depararam nas noites com os poetas e outros escritores entrando nos bares e restaurantes tentando vender suas obras ? Com o modelo brasileiro, eles vão continuar o resto da vida tentando achar espaço para o reconhecimento. Com o modelo americano, eles podem sair das sombras e se tornarem futuros Dan Brown ou Paulo Coelho......

- outros ponto que não pode deixar de ser comentado : em todas estas livrarias nacionais, os e-books, custam quase a mesma coisa que a edição impressa. Um exemplo : "Leite Derramado" de Chico Buarque : preço na Submarino (impresso) : R$ 28,90; preço na Gato Sabido/Submarino (e-book) : R$ 29,00.... Outro exemplo : "1822" de Laurentino Gomes : preço na Singular (impresso) : R$ 39,90 ; preço na mesma Singular (e-book) : R$ 33,90. Agora na Amazon : livro "The Girl with Dragon Tatoo" : edição para o Kindle : USD 8,64 ; edição impressa : USD 17,79. Outro exemplo : "Price and Prejudice" : e-book = USD 2,00 ;  Impresso = USD 7,95.  Notaram algo ?  Lógico... na Amazon o preço da edição e-book é muito mais barata que a edição impressa.  Tem toda lógica, pois não se gasta em papel, tinta, estoque, distribuição, frete, etc.  Só que aqui ... (???) .  Alguns dirão que é em virtude da quantidade de e-reader que tem lá fora quando comparado com o que tem aqui e que o preço da edição eletrônica acaba sendo justificada pela economia de escala.  Não acho isso válido, pois desde o principio do Kindle (em 2007) esta foi a prática : preços baixos para o formato e-book.  Aqui, como tudo, a ganância por ganhar rápido faz com que se mantenha o preço alto, pois melhor garantir o atual que apostar no futuro....

- com relação aos e-readers, se passa o mesmo : um Kindle 3 - Wi-Fi, chega aqui por algo como R$ 500,00. Já os nacionalizados saem : R$ 600,00 (Cool-ER da Gato Sabido); R$ 700.   Como explicar que um produto que paga um frete alto para cruzar um continente inteiro tem que pagar um imposto de importação exorbitante, custe mais barato que os produtos vendidos localmente ????  Este "Custo Brasil" mais uma vez está para mim justificado no oportunismo dos fabricantes e revendedores que somente no alto custo dos impostos (já que se considerarmos o Kindle sem os impostos de importação, ele sairia abaixo de R$ 300,00). 

Bem, como disse no começo, esta é minha visão pessoal e talvez tenhamos pessoas neste Blog que discordem diametralmente do meu ponto de vista. O que fiz foi dar argumentos do porque penso assim e, deixo o espaço aberto para manifestações dos que pensam igual ou diferente também se manifestarem.  Ainda mais que a prosposta nova deste Blog tem sido abrir-se para outros leitores, além do Kindle.

Grande abraço. 

5 comentários:

  1. Caro Edson,
    Concordo plenamente com absolutamente tudo que você falou. Fico indignado quando vejo uma revista digital como a veja (para Ipad) custar o mesmo que uma revista impressa, que tem custo de papel, tinta, armazenamento, distribuição, o custo dos intermediadores (ex.banca de revista), muita mão de obra, frete, etc. Pra mim isso é o maior absurdo do mundo, nada justifica! A única solução que vejo é o boicote, e claro mandando centenas de e-mails explicando o motivo de tal.
    É uma pena, pois são essas atitudes que estimulam a pirataria!

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  2. Edson,
    Concordo com tudo e acrescento mais um ponto positivo da Amazon: a Amazon faz um esforço REAL, no sentido de ter um atendimento ao cliente "fora de série". Por exemplo, se vc enviar um e-mail com dúvidas ou reclamações, terá uma resposta em menos de 12 horas (pode marcar no relógio!). Pessoalmente, nunca tive problemas com a Amazon: todas as minhas reclamações foram resolvidas muito positivamente e, para minha surpresa, cheguei a ganhar créditos para comprar livros, como forma de compensar o trabalho gerado pelos erros. Ou seja, além de corrigirem o problema, ainda ganhei créditos. Onde já se viu isso no Brasil? É claro que há recalamções sobre a Amazon: basta pesquisar no próprio site (e eles tem a coragem de deixar tudo lá, para quem quiser ver as reclamações!). Felizmente, até hoje, sou fã de carteirinha, sim! Mas tenho (muitos) bons motivos para isso.

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  3. Apenas um comentário sobre o comentário do Carlos de "Onde já se viu isso no Brasil?". Eu digo onde, pelo menos em um lugar: na Livraria Cultura.

    Uma dia eu comprei lá 4 livros do Dickens de uma vez e deram uma data X com uma hora Y para a retirada deles na loja. Na data fui lá e já era bem depois da hora estipulada, então os livros deveriam estar lá - mas não estavam. Houve algum problema no transporte e por isso o atraso. Disseram que me avisariam por telefone quando os livros chegassem. Fui pra casa meio irritado, por ter perdido a viagem.

    No mesmo dia, uma hora ou duas depois, ligam em casa da Cultura dizendo que os livros haviam chegado e que, pelo transtorno, eles entregariam na minha casa, sem custo de frete, e ainda devolveriam o valor gasto nos livros, coisa que eles de fato fizeram. Eu já era cliente constante, mas depois dessa virei fã da livraria. :)

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  4. Normalmente a percentagem de pessoas que se manifestam para reclamar de um produto é muito maior do que as que se manifestam para elogiar. Faz sentido já que, ao se sentir lesado, o consumidor vai ter muito mais incentivo para “aparecer”. Só para contrariar, eu deixo um elogio pra Amazon.

    Recentemente comprei um ebook para o meu Kindle, mas ele parecia ter um erro na impressão de uma das linhas. Eu digo parecia porque a parte supostamente faltando não alterava em nada o entendimento do texto. Depois de tentar baixar novamente o livro, para verificar se o problema tinha sido com o download (não foi), escrevi para a Amazon, relatando o erro. Sinceramente, eu não esperava nada de mais, apenas uma mensagem daí a alguns dias dizendo algo do tipo: “Desculpe pelo transtorno. A falha já foi corrigida e você pode baixar novamente o seu livro”. Mas não foi o que aconteceu.

    No dia seguinte tinha um e-mail para mim. Não apenas a linha com “problema” estava correta, como eles se deram ao trabalho de me explicar como ela se encaixava no contexto da história. Só isso, tão rápido, já seria muito legal, mas eis que na minha caixa de entrada havia outra mensagem, esta dizendo que eles lamentavam que eu tivesse tido problemas com o Kindle e, pro causa disso, estavam me dando um crédito, para eu usar na Amazon, como compensação por transtornos causados. Sinceramente, eu acho que nem precisava tanto, mas não havia nenhuma opção para recusar o bônus, senão eu teria usado. No final acabei “me dando” de presente o livro novo do Gene Wolfe, que estava em promoção.

    Mas depois disso, falar o que deles? O dia que eu trocar o meu Kindle, adivinha pelo que vai ser?

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  5. Faltou dizer uma coisa: o formato epub é vendido por muitos como universal, mas não é. Existem vários tipos de drm para o epub. Então, se você comprar um ebook no formato epub, ele só vai poder ser lido em um leitor que compartilhe daquele formato de drm.

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