sábado, 8 de maio de 2010

Futuro dos livros em papel - na pauta dos intelectuais

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Saiu na Época desta semana a informação do lançamento no Brasil de dois livros que tratam sobre o futuro dos livros e o crescimento dos livros digitais (e-readers) : o primeiro do norte americano (até porque entendo que americanos somos todos nós do continente) Robert Darnton e o segundo do aclamadíssimo Umberto Eco. Melhor que tecer meus comentários a respeito é reproduzir abaixo o texto da revista :


"Vou confessar a vocês: não suporto mais a discussão sobre se o livro vai sobreviver aos e-books. É como discutir o futuro do prego. Será que em mil anos a humanidade estará usando pregos? Sem dúvida. E podemos usar para o prego o que os nossos sábios bibliófilos têm usado há alguns anos para descrever a superioridade tecnológica do livro no papel: como o livro, o prego é prático, não precisa de energia para funcionar e provou sua eficiência desde antes dos egípcios. Não haverá nenhum prego digital capaz de abolir o prego de aço. Ora, a discussão sobre o futuro do livro me parece tão inútil quando discutir o prego. Mas têm mobilizado os intelectuais.
Duas obras chegam às livrarias nesta semana e alimentam a discussão que antigamente chamávamos de bizantina:A questão dos livros – passado, presente e futuro(Companhia das Letras, 168 páginas, R$ 42,50), do professor americano Robert Darnton (à dir.), e um dos livros mais esperados da temporada: Não contem com o fim dos livros (Record, 272 páginas, R$ 39,90, conversas de Umberto Eco (à esq.), Jean-Claude Carrière e Jean –Philippe de Tonnac).
Darnton reuniu uma série de artigos que publicou principalmente do The New York Review of Books. São artigos antigos, que parecem realmente datados, pois a aparição de novos modelos de e-reader e o avanço do mercado de livros eletrônicos tornou a discussão mais complexa que a principal da coletânea: o perigo do monopólio do Google sobre o mercado mundial de livros. Se isso acontecer, a Organização Mundial do Comércio terá de resolver o problema. O livro de Darnton é interessante para um arqueólogo diigital do passado recente.
O volume de Eco e Carrière é um bate-papo com o jornalista Jean-Phillipe de Tonnac sobre o assunto do livro-prego. O semioticista italiano e o jornalsita e cineasta francês gastam seu latim clássico para defender a sobrevivência dos livros de papel. Claro que os dois são intelectuais admiráveis, e tudo o que dizem funciona como iluminação. Para Eco, todo livro publicado hoje é um “pós-incunábulo”, ou seja, um pós códice medieva. Eles abordam a questão da memória, que a internet e o livro digital estariam destruindo; fazem um elodio à burrice; tecem considerações sobre os livros que não lemos nem leremos; e, por fim, o que fazer de sua biblioteca depois de sua morte?
É claro que o livro (e o prego) não terminarão. O que está em jogo não é para onde vai a palavra (ela pode ser digital, no papel ou mesmo na pedra), e sim o futuro da leitura. Como ela se transformará com o excesso de informação e digitalização. E isso, parece, ainda é uma dúvida."

Texto da Revista Época - Blog Mente Aberta - 07.Maio.2010 - Luis Antonio Giron

2 comentários:

  1. Edosn,

    Só comentando

    O mais engraçado é que o papo na mesa de dia das mães foi exatamente esse.
    Levei meu novo Kindle de quase duas semanas para minha avó ver. Ela que é uma senhora hiper moderna, que usa facebook, orkut, e-mail, banco on-line, etc.... acha a idéia de um e-book super problemática e tal.
    Falei para ela, uma coisa não substitui a outra, mas é mto mais facil viajar com um Kindle do que com 20 livros...

    Abs

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  2. e leitura de jornais e revistas???
    fica mto mais pratico....

    Flaviosp

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