sexta-feira, 11 de abril de 2014

Pedofilia Intelectual

Aumentar Letra Diminuir Letra




* Este texto é longo, para ler com conforto pode usar o Calibre ou o GrabMyBooks para transferir o texto para o e-reader.

Por que a pedofilia é uma coisa hedionda? É o abuso de um inocente, um adulto que impõe-se sobre uma criança, e a usa para seus propósitos, independente da vontade do infante, uma violência inenarrável. A pedofilia intelectual não é muito diferente, e igualmente hedionda, através de propostas educacionais infames o estado promove a pedofilia em massa, e tenta fazer isso à revelia de professores, impondo suas ideologias sobre os estudantes inocentes e desestimulando o pensamento crítico e próprio, é uma marca que o estudante que aceitar calado levará para o resto de sua existência, a vida intelectual é tão íntima como o interior de nossos corpos.


Dia destes lendo o jornal deparei-me com uma entrevista do presidente do Inep José Francisco Soares na Folha de São Paulo, fiquei pasmado com os absurdos que disse, esperei, nenhuma reação, ninguém, nem professores, nem educadores manifestaram-se a respeito de tal absurdo, em que mundo estamos? Será que não há mais gente interessada em divulgar a educação de verdade? Cadê os que se dizem professores? Será este o extremo do estado de anomia que nos encontramos? O texto é pura violência intelectual, uma fórmula que garantirá de uma vez por todas que nunca teremos uma educação consciente verdadeira e edificante que permita ao aluno crescer intelectualmente, é o estado usando de suas garras para fomentar a ignorância.


É fato conhecido no nosso meio que o vestibular moldou o que é hoje o ensino secundário, e isso já é muito ruim, pois em vez do professor ensinar para que o aluno tenha uma base sólida dos conhecimentos, ele dá ao aluno um conhecimento superficial visando apenas o sucesso nos tipos de questões que aparecem nos vestibulares, os cursinhos que ofereciam o reforço escolar para a prova vestibular substituíram a educação formativa, livros didáticos já traziam questões dos vários concursos vestibulares mais famosos, no geral estas questões não exigem muito do raciocínio, são meio que pré-programadas, mesmo porque em um vestibular são tantas questões que não há tempo hábil para pensar, assim privilegiou-se a memorização, a decoreba e as musiquinhas em vez do entendimento consciente dos conteúdos. Isso é uma lástima. Mas ciente disso o PT resolveu criar o seu super vestibular, o Enem, recheado de conteúdo ideológico que o aluno é obrigado a responder questões e fazer redações de acordo com a ideologia da esquerda, isso é uma tentativa clara de ideologização da educação, se procurarem por aí verão vários exemplos da ideologia em ação na prova do Enem. E como a prova vira o conteúdo, essa ideologia agora faz parte do ensino brasileiro, os alunos mais espertos e de pensamento independente já perceberam o nome do jogo e escrevem na prova não o que acreditam mas o que os examinadores querem ouvir, pois sabem que mesmo que sua argumentação em uma redação seja impecável, receberão nota baixa se contraporem o conteúdo ideológico. Em sua entrevista, o senhor Soares deixou claro que sabe que o Enem é o currículo na educação secundária:


“Aqui, o Enem já é o nosso currículo. Podemos discutir se esse currículo, que é o que as escolas estão ensinando e que o Enem está pedindo, é o ideal. Essa é uma discussão que ultrapassa muito o Inep.”


Mas parece que apenas enfiar conteúdo ideológico no Enem não é o suficiente:


O sr. é favorável a uma discussão sobre o currículo da educação básica?
Sou favorável por uma questão de justiça escolar. Temos desigualdades educacionais muito marcantes, e uma coisa absolutamente fundamental para que todos aprendam aquilo que necessitam para a cidadania é que [o currículo] esteja bem definido.”


Mas vejam o que ele quer dizer com um currículo “bem definido”. Desigualdades educacionais é só uma desculpa socialista para colocar todos os alunos sob a pesada bota do comunismo; educação não é isso! Educa-se para o pensamento crítico, para a liberdade, para o bom senso, para a argumentação racional, o que querem é acabar com o pensamento e propagar a aceitação bovina dos dogmas inumanos do comunismo autoritário, ditatorial; engraçado que esse tipo de educação é a mesma que priorizou-se na ditadura.


Segurem os estômagos que a coisa piora:


E hoje ele está definido?
Não está. Nossas definições curriculares são muito gerais. Se não digo claramente o que espero, nunca vou conseguir [alcançar o objetivo]. Não posso deixar que a definição do que é necessário para aprender seja feita pelas diferentes pessoas nos diferentes lugares. Alguns vão tomar excelentes definições. Outros, infelizmente, vão tomar definições que vão prejudicar turmas inteiras.
Aqui a gente toca num ponto muito delicado: precisamos muito do professor, mas ele implementa uma decisão de Estado. Não posso dar a cada um a possibilidade de ser o intérprete do direito à educação. Por isso que a base nacional comum é importante. Isso não é uma coisa que vai ser criada pela varinha mágica, mas a gente precisa fazer.”


Acreditam nisso? Os diferentes professores não tem competência para definir o que o aluno deve ou não saber, e ainda pior, o professor é um agente do estado! Sim, é isso mesmo que ele disse, não sei vocês, mas eu estou pasmado até agora. É o ataque ditatorial mais vil que vi contra a educação de verdade! Por que temos professores? São pessoas que estudam para conhecer um assunto em maior profundidade e assim serem capazes de guiar seus alunos para que dominem os mesmos conhecimentos, ou se possível sigam além onde o professor parou, se este profissional não sabe o que deve ser ensinado a um aluno, é um completo inútil, pois isso é menos do que o mínimo que é esperado de um professor. José Francisco Soares presidente do Inep afirmou com todas as letras que muitos professores são completos inúteis! E aí vem a pergunta, se é assim, por que foram contratados? E os cursos que lhes deram tal habilitação? Não deveriam ser desfeitos, pois não conseguem dar ao professor nem a mínima base para que saiba pensar o que deve ou não o aluno aprender?


A desvalorização do salário dos professores tornou a categoria os parias com ensino superior, mesmo um professor muito bom é visto pelos estudantes como um fracassado, afinal, quem com um mínimo de competência aceitaria trabalho tão mal remunerado? Por conta disso o professor não tem mais a autoridade moral para ensinar: “o que você quer me ensinar, se você é um fracassado?”. O professor é o exemplo do fracassado que os alunos não querem ser. Esse status fez com que as pessoas competentes não fossem atraídas para o magistério, pois podem auferir maiores ganhos em qualquer outra atividade e também ter mais respeito e melhores condições de trabalho. Restando para o magistério aqueles incompetentes, inúteis e descompromissados que precisam da estabilidade de um emprego público para não serem demitidos, mesmo ganhando um baixo salário, é gente que se não fosse a estabilidade e a falta de cobrança por resultados, já estaria na rua em qualquer carreira. Alguns podem achar que estou sendo excessivamente duro com os professores, mas conheço dezenas de exemplos do caso oposto, gente boa, competente, capacitada e infelizmente idealista, e eles me dão razão, pois nem eles suportam conviver com essa escória. Quem precisa de corporativismo é o incompetente, o inútil, quem preza pela profissão quer gente cada vez melhor na categoria, mas no geral o ar da sala de professores chega a ser venenoso.


Garantindo que o professor seja um agente do estado, um pelego, um pau-mandado, formado para abusar intelectualmente da inocência de crianças, e oferecendo ao aluno apenas ideologia vagabunda em vez de formação intelectual, temos a fórmula perfeita para o lixo de educação que temos seja permanente, assim ninguém ousara revoltar-se contra a ignomínia. Mas vejam que mimo:


O MEC defende que os recursos dos royalties do petróleo para a educação sejam usados, prioritariamente, para melhorar o salário dos professores. O sr. acha que o aumento na remuneração vai implicar um melhor resultado em sala de aula?
Não é uma consequência natural, mas é fundamental [para melhorar o aprendizado]. Dinheiro é absolutamente essencial para salário, estrutura, formação dos professores. A sociedade brasileira tem que se dar conta de que escola tem que ser de tempo integral, para o professor e para o aluno. Temos que colocar isso no nosso horizonte.”


A fórmula está traçada, e mesmo com mais dinheiro, desta maneira se garantirá que os estudantes continuem a ser abusados pelo sistema de ensino, ao longo de todos estes anos o tempo do aluno em sala só aumentou, mas a qualidade do ensino só piorou, aqui parafraseio Eintein: “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. O aumento do tempo do aluno na escola melhorou o ensino? Não! Ensino de tempo integral vai melhorar? Não! Mais do que insanidade é estupidez! Por que antigamente tínhamos dois meses de férias no meio do ano e quase quatro no final do ano e o ensino era melhor? Dá para ver que qualidade de ensino e tempo em sala não andam juntos, diria até o contrário. Considerando tudo que o Sr. Soares disse, ensino integral é só um jeito de evitar que o aluno tenha liberdade para pensar independente dos agentes do estado. Toda esta vigarice só piora:


“(Soares) As nossas escolas, com muita frequência, não têm espaço para o professor ficar lá, porque foram pensadas como algo acidental.
(Folha)Por que ela é um lugar onde o professor passa?
(Soares)Porque essa foi a nossa tradição. [O Brasil] Criou uma escola que dá uma formação superficial. Foi pensada para poucos, não como uma política de todos, como direito.”


Esses ditadores, por serem fedorentamente incompetentes, tem que inventar mentiras sobre a história, o Brasil vinha até 64 de uma tradição de excelência na escola pública, com professores bem remunerados, respeitados e competentes que davam uma formação excelente a seus alunos, gente que com prazer chamávamos “mestres”! Mas a covardia não os confronta com a vergonha da própria sujeira, a vergonha do aumento do analfabetismo, se há hoje uma política de todos é a intenção do governo manter o povo analfabeto. E essas coisas me enfadam pois entram em contradição com a própria ideologia do construtivismo que o governo prega de maneira ditatorial e ineficiente, segundo a ideologia que faz questão de não se dizer um método educacional e odeia com todo o fel da alma a simplicidade e eficiência das cartilhas alfabéticas no letramento, pregam que o aluno “constrói” o próprio saber e assim o abandonam à própria sorte ou aos loucos devaneios do pensamento sem confronta-lo com a realidade, uma espécie de autismo institucionalizado, mas querem que o aluno construa o próprio conhecimento, fique o dia todo na escola para terem certeza que não aprenderá nada, nem por conta própria.


A maioria do que aprendi foi em livros, também estimulado por professores a usar meu tempo livre para os assuntos não cobertos pela escola ou para aprofundar o que me interessava, a liberdade, o tempo que não se está na escola é fundamental para a educação de verdade, os alunos tem participação ativa no processo de aprendizado, é mais que óbvio, nenhum professor ensina se um aluno não quer aprender, e os garotos aprendem sozinhos, independentes de professor, ainda mais hoje na internet. Por isso brigamos muito para a retirada do imposto imoral que Dilma e o PT cobram no e-reader e ebook em detrimento do texto constitucional, livro livre e acessível é o complemento indispensável à educação de verdade, crítica e consciente, e mais que isso, é através da leitura lúdica que o aluno afia suas habilidades de leitura e escrita, sem livros continuam analfabetos ou semi-analfabetos.


A nossa vida mudou, o funcionamento da sociedade hoje é diferente, com a internet e o e-reader, assim como foi com a prensa de Gutenberg, o espectro da educação mudou, a exigência em relação aos professores é maior, se antes uma das funções do professor era dar aos alunos acesso ao conteúdo, hoje não é mais. O parco conteúdo do currículo dos bancos escolares está à disposição da maioria dos alunos na internet, aquele professor que entrava em sala e enchia lousas e mais lousas e tudo que os alunos faziam em sala era anotar, perdeu a função, é só pegar o conteúdo na internet. Melhor, aquele professor que não tem domínio sobre os assuntos que ensina, hoje são abertamente desafiados por seus alunos, que com facilidade podem saber mais que o professor na internet; se um dia o professor tinha o monopólio sobre o conteúdo, hoje não mais, e só aqueles que realmente conhecem o seu assunto para além do que encontra-se com facilidade na internet tem justificativa de existir. Mas este professor é um tipo especial, e dificilmente os baixos salários e as más condições de trabalho vão atrair gente deste nível, é por conta do baixíssimo nível intelectual dos professores atuais é que absurdos como o construtivismo impera sem desafios degradando ainda mais o paupérrimo ensino oferecido aos brasileiros.


Já vai tempo que li vários livros de Piaget, foi antes de entrar na universidade, e por conta disso sempre fui crítico do sistema de ensino, o que assombra-me até hoje é que ouço que o construtivismo foi iniciado pelos estudos do naturalista suíço Jean Piaget, e isso é a mais pura mentira! Os estudos de sua aluna Emília Ferreiro, não só nada tem de Piaget, como entra em franca contradição com as descobertas do suíço, já confrontei inúmeros educadores sobre o assunto e tudo que ouço é silêncio, ninguém até hoje conseguiu contestar esta simples constatação: o construtivismo é baseado em uma mentira! Uma apropriação de um argumento de autoridade de um notório cientista para argumentos nada científicos.


Os construtivistas aproveitam da falta de habilidade escrita de Piaget, que perde-se em infindáveis parênteses ao tentar explicar seus achados, e da extrema complexidade de seus métodos matemáticos para da ignorância ancorar suas ideologias. Piaget viu que o desenvolvimento da inteligência é um processo que depende da participação ativa da criança, até aí isso é óbvio, mas é a partir daí que Piaget e o construtivismo divergem de maneira fundamental: diz o construtivismo que a criança constrói o próprio conhecimento, e aí é que está a diferença fundamental entre Piaget e o construtivismo, a criança tem papel ativo em seu desenvolvimento intelectual, mas esta construção não acontece do nada e não é completamente individual como quer que acreditemos Emília Ferreiro. Quando um bebê move-se e brinca, esta é uma maneira de experimentação de seu meio, é um mecanismo inato que todo bebê tem e que o faz experimentar a realidade do mundo ao seu redor, não é individual, todo bebê faz isso! Além disso, há uma realidade unificante, todo bebê experimenta as mesmas leis físicas, e assim este ambiente que é igual para todos determina o desenvolvimento intelectual da criança, que forma-se por experimentar a realidade através de seus impulsos inatos. O cérebro humano é moldado para conhecer, reconhecer e esperar a causalidade, e os bebês aprendem, experimentam esta realidade de forma lúdica através de suas brincadeiras. A inteligência é o desenvolvimento lógico das faculdades mentais, e o que Piaget descobriu em seus experimentos foi que as crianças tem uma lógica própria que aparentemente não faz sentido para os adultos, mas o mais importante que diferencia os achados de Piaget do construtivismo é que ele identificou macroestruturas, ou seja, esta lógica que a criança constrói, não é individual, há os mesmos erros lógicos em várias crianças, é um mecanismo universal, muito ao contrário do que diz o construtivismo, e essa diferença é fundamental, assim é ela que faz com que o letramento baseado na ideologia construtivista seja um fracasso. Há uma leniência e uma falta de objetividade no construtivismo que o torna nocivo aos estudantes, fazendo com que permaneçam analfabetos, sem a compreensão da lógica básica da escrita e leitura.


Piaget observou que o desenvolvimento da inteligência é gradual e passa por fases, o construtivismo entendeu o gradual como lentidão, leniência e falta de compromisso com objetivos ou objetividade. O construtivismo entende que a criança reinterpreta o que lhe é ensinado e cria sua realidade, assim um suposto erro seria um acerto baseado nas teorias do desenvolvimento cognitivo de Piaget, o que é uma estupidez grosseira; Piaget não entendeu estas estruturas intermediárias como corretas, mas persistentes nas crianças, e o contato com a realidade faz com que através da experiência a criança entenda que seu pensamento é incorreto, o construtivismo apenas considera o incorreto como correto em nome de uma apropriação individual do conhecimento, mas não leva em conta a realidade objetiva para o qual a criança testará suas interpretações, e assim chegará na realidade objetiva, na lógica causal. O exemplo clássico é mostrar um recipiente longo e fino e outro curto e largo e perguntar qual dos dois tem mais líquido, a criança sempre responderá o mais longo, pois em sua lógica a maior grandeza dimensional de uma das variáveis é a única que faz sentido, o conceito espacial de volume ainda não foi apropriado, mas ao manipular os objetos e ver que em ambos tem a mesma quantidade de líquido é que uma nova camada de entendimento lógico forma-se, através das experiências, testando e percebendo seus erros de maneira empírica; esse processo de desenvolvimento Piaget chamou de acomodação. No momento que realidade e pensamento chocam-se a mente trabalha para acomodar os novos fatos e assim ocorre o desenvolvimento cognitivo. Ao contrário, os construtivistas acreditam e mantém as crianças em seu mundo fictício e errado sem submete-los à experimentação, deixando apenas que a coisa aconteça naturalmente.


O construtivismo faz questão de dizer que não é um método, e assim combate as cartilhas, o método alfabético que sempre funcionou muito bem e o substitui pelo seu não método, mas vejam que contraditório, o construtivismo prega que o desenvolvimento é lento e gradual, mas em vez de oferecer aos alunos textos simples ou a própria lógica de formação das palavras, já oferece palavras inteiras e textos “contemporâneos”, é mais ou menos como pegar um monte de bebês e jogar na selva e esperar que alguns sobrevivam.


Como vocês viram o construtivismo tem em sua essência a mentira que faz com que não exista o contato do aluno com a realidade objetiva, se é para seguir o que descobriu Piaget, a escrita tem uma lógica, é um método, e não é uma apropriação natural, cada cultura criou sua escrita, assim a criança deve aprender sua lógica e ser confrontada com ela, a realidade objetiva do sistema de escrever, e não criar a sua escrita, pois é através da escrita que nos entendemos, e é para isso que ela existe, não é uma construção individual, é uma herança cultural. Se a linguagem e a escrita fossem naturais e passíveis de serem entendidos entre todos os seres humanos não teríamos povos diferentes com línguas diferentes, mas a realidade é que uma criança educada em português não consegue conversar com outra em inglês, é o óbvio ululante, mas o construtivismo quer que cada aluno crie a sua escrita e linguagem, a estes que não aprendem a cultura da própria língua chamamos analfabetos. Alguma dúvida de como o analfabetismo só aumenta no Brasil? Uma pessoa alfabetizada lê um texto e entende, pois há uma realidade comum, não uma construída, quem construiu sua realidade escrita independente da cultural é por definição um analfabeto funcional. Será que tem como eu ser mais claro?


Por esse motivo espanta-me o uso de uma pedagogia inefetiva e cheia de conteúdo ideológico inútil. Estava reunido com vários amigos e um deles contou que no exercício de leitura na terceira série, um garoto não conseguia ler direito, falhava e errava as palavras, ele não agüentou e começou a rir, por conta disso a classe inteira começou a rir também, ele foi para a diretoria. Aí consultando os vários presentes na mesa, perguntei se nas suas turmas tinha alguém que não sabia ler, e o motivo do riso era óbvio, não se encontrava nesta época alunos que não soubessem ler um texto em voz alta, pois um dos exercícios era a leitura em classe onde todos os alunos iam lendo pedaços de um mesmo texto. Toda essa turma foi educada com a cartilha “Caminho Suave”, ditados, cópias, divisão silábica, leitura em voz alta e todo o resto, todos aprenderam, e nessa época raros eram os que não sabiam ler e escrever já na segunda série. O método alfabético da cartilha é tão eficiente que pode ser aplicado até por educadores leigos, não ganhamos nada com esse lixo que é o construtivismo, já chegou a hora de largar essa estupidez em nome do bem dos jovens brasileiros, é uma violência, um abandono usar uma ideologia francamente vigarista em vez de um método que sempre funcionou.


Para mostrar o nível de vigarice do construtivismo, posto aqui um excerto de uma entrevista da parceira de Emilia Ferreiro, Ana Teberovsky em uma entrevista para a revista  Nova Escola


"Como deve agir o professor especialista ao deparar com estudantes de 5ª a 8ª série não alfabetizados?
Ana Teberosky - Todo educador precisa saber os motivos pelos quais a alfabetização não ocorre. Sou contra usar rótulos como alfabetizado e não-alfabetizado, leitor e não-leitor. Quando se trata de conhecimento, não existe o "tudo ou nada". Uma criança que tenha acabado as quatro primeiras séries, apesar de dominar os códigos da língua, pode ter dificuldade em compreender um texto e não estar habituada a estudar. Algumas apresentam resistência a tudo o que se refere à escola por motivos vários. Outras têm mesmo dificuldades e, por não saber superá-las ou não contar com alguém para ajudar, evitam contato com textos. Cada caso exige atenção e tratamento diferentes."


Comento: ser contra os “rótulos” é justamente para evitar uma avaliação objetiva do processo de ensino, cada caso é um caso, mas a verdade é que esses alunos ou são analfabetos totais ou funcionais, a realidade objetiva deixa sempre as coisas mais feias e mais claras.


"Os defensores do método fônico culpam o construtivismo, base dos Parâmetros Curriculares Nacionais, pelos problemas de alfabetização no Brasil. O que a senhora pensa disso?
Ana Teberosky - Para afirmar se a culpa é ou não de determinada maneira de ensinar, seria necessário ter um estudo aprofundado das práticas pedagógicas dos alfabetizadores em todo o país. Uma coisa é o que eles declaram fazer, outra é o que eles executam de fato. Quem afirma que uma forma de alfabetizar é melhor que a outra está apenas dando sua opinião pessoal já que não existe nenhuma pesquisa nessa linha. A dificuldade em alfabetizar no Brasil é histórica e já existia mesmo quando o método fônico estava na moda.


Comento: ter um estudo aprofundado e questão de opinião, são maneiras de evitar confrontar-se com resultados objetivos, o construtivismo é um fracasso, mas não precisamos ir tão longe, como mostrei acima, uma coisa baseada em um pressuposto falso e vigarista já está condenada por definição."


"O bom desempenho de alguns países nas avaliações internacionais pode ser atribuído à utilização do método fônico?
Ana Teberosky - Não dá para comparar um país com outro, porque não é somente a maneira de ensinar que muda. Outros fatores aliás, importantíssimos influenciam no processo de aquisição da escrita, como as características de cada idioma. É muito mais fácil alfabetizar em uma língua em que há correspondência entre o sistema gráfico e o sonoro ou naquelas em que as construções sintáticas são simples, por exemplo."


Comento: Fugir da comparação é não querer confrontar-se com realidades objetivas, o fato do fragoroso fracasso do construtivismo, o fracasso dos nossos estudantes, o fracasso do Brasil.


Já chegou a hora de enterrar de vez a ideologia construtivista criada por Emília Ferreiro e Ana Teberovsky, que não podem submeter-se ao contraditório, à mera realidade do sistema de ensino, até agora não vi um bom argumento prático para abandonarem a cartilha alfabética, ela é mais simples, mais eficiente e rápida na alfabetização, todo este mambo jambo construtivista é mera vigarice e já mostrou-se capaz de piorar a educação e a formação dos alunos, ele é um abuso, criando estudantes deficientes em leitura pelo resto da vida! Como um aluno saí do ciclo básico sem saber ler e escrever? Com o construtivismo! Na época da cartilha era risível um aluno que no terceiro ano ainda não soubesse ler, hoje choramos por alunos que terminam a escola e ainda não sabem ler! Mais do que os absurdos ditos por Jose Francisco Soares, a ideologia vigarista que se finge de teoria educacional do construtivismo de Emília Ferreiro, impressiona-me que não haja gente, professores, educadores, e escritores que revoltem-se com estes disparates. O Brasil precisa de mais leitores e para isso brigamos para o fim do imposto ao e-reader e ebook, mas nada adianta ter livros grátis e acessíveis se a educação for sabotada em seu início. Alguns alunos são espertos e não se deixarão sucumbir a esta violência, são guerreiros, navegarão sozinhos pelo mar de iniqüidade e encontrarão seu caminho, mas não podemos ser cúmplices da violência, da pedofilia intelectual! Devemos facilitar, ajudar e não dificultar a educação para que um dia olhemos para estes garotos com orgulho no dia que eles nos superarem.


Alex
Leia mais...

sábado, 29 de março de 2014

Fátima Bezzerra (PT-RN), Iriny Lopes (PT-ES) e o PT em mais um golpe contra a leitura e educação.

Aumentar Letra Diminuir Letra



Quando as coisas são simples e começam a complicar, você pode ter certeza de uma coisa: má vontade, mas como não podem admitir ficam inventando desculpas e recursos para que a responsabilidade óbvia não recaia sobre suas carcaças. É o caso da lei já aprovada no senado que agora passa pela câmara e traz o entendimento constitucional ao que pretende a própria constituição mas o PT e Dilma negam a todo custo por questões estratégicas e ideológicas. Depois de toda a palhaçada evidente que fez o PT para sabotar o projeto PL4534/2012, depois do relatório vigarista e sem argumentos para manter a cobrança de imposto no e-reader, agora cismaram de convocar uma suposta audiência pública. Em países ditos democráticos uma audiência pública é feita para ouvir os vários lados em uma questão, no caso, como a pauta não tem defesa, pois é uma evidente ação de sabotagem à educação do brasileiro, da liberdade de expressão e difusão da cultura, vão tentar dividir a conta do ato inominável, e para isso tomam conta de uma audiência pública para fazer basicamente uma audiência privada com a maioria dos convidados contrários ao e-reader, mostrando assim como “res publica”, a coisa pública, é privatizada em nome de um partido, se já não bastasse o escândalo da Petrobras onde os fatos são tão aberrantes que não existe explicação possível que não seja a suprema incompetência ou algo pior.

O que acontece é que este ano temos eleições e todos os candidatos do PT vão levar esta mancha em seus currículos, a marca indelével de quem frontalmente, sem qualquer desculpa escolhe sabotar a educação do brasileiro e sua melhor chance de ter acesso aos livros. Por isso inventam esse teatrinho, se o aumento do analfabetismo conseguido no governo Lula e Dilma não fosse suficiente para dar um sentido de urgência em qualquer medida que ajude na educação do brasileiro, o fato é que não há somente desprezo pela educação, é uma sabotagem explícita, eles precisam que o povo seja ignorante! Assim podem tapear, dar uma bolsinha mixa, enquanto o dinheiro gordo vai para outros, só quem estuda sabe que a bolsa empresário é muito maior que a bolsa família, e pior, os tais campeões nacionais em que o governo investiu são na verdade os grandes perdedores! Nada grita mais alto fracasso para um povo do que o aumento do analfabetismo, mas o fracasso do povo é o sucesso do PT, eles planejam um sucesso retumbante, com o PMDB demonizado pelos meios de comunicação, pretendem este ano dar o golpe final e não precisar de mais ninguém, nem do povo, para governar e transformar o Brasil na almejada ditadura de partido único socialista. O jogo vai ficar feio, vão fazer de tudo, como já mostrou o que fizeram no mensalão, um golpe para comprar o congresso perpetrado por todos os dirigentes petistas.

Mas uma parte deste plano esbarra na necessidade de idiotizar os brasileiros, e para isso é preciso banir os livros, no caso do papel o próprio preço já é repelente, o brasileiro paga mais caro no livro que o norte americano que ganha muito mais. Isso é que é um país pobre! Pobre de espírito, e para garantir que as coisas continuem assim fazem de tudo para que o e-reader, que é um aparelho capaz de leituras complexas, barato e capaz de baratear o livro e dar acesso gratuito a tudo que é de domínio público, nunca seja acessível à população mais pobre e carente. A escola já é um lixo, mas com livros um estudante pode rebelar-se, e sem que queiram adquirir cultura, treinar leitura, e ler tudo o que não querem que leiam, o que mostra as vigarices e os discursos falsos dos ideólogos do governo. Eles morrem de medo de quem tem argumento, de quem lê, de quem sabe ver sob suas múltiplas camadas de mentiras, esses não se dobram a seus desmandos e ainda ousam contradizer-lhes.

Vejam a lista de convidados da audiência privada:

Senador Acir Gurgacz, o autor do projeto já aprovado no Senado.

José Castilho Secretário executivo do PNLL do Ministério da Cultura, o que há para dizer, está no governo PT, vulgo “pau mandado”.

Fabiano dos Santos Piúba  Diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura, outro pau mandado do PT

Karine Panza Presidenta da Câmara Brasileira do Livro (CBL), esta já é conhecida do blog pela violação da lógica para dizer que livro no Brasil é barato, é vinculada à indústria dos papeleiros, não é preciso dizer mais nada.


Sonia Jardim Presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), outra da turminha dos papeleiros.


Francisco Ednilson Xavier Gomes Presidente da Associação Nacional de Livrarias, mais um papeleiro.


Monica Franco Diretoria da Divisão de Conteúdo Digital do MEC, mais um do governo PT, pau mandado.


Representante do Ministério da Fazenda do governo PT, alguma dúvida de ser outro pau mandado?


Representante da Receita Federal do governo do PT, alguma dúvida?


Iris Borges Editora e Escritora, turma dos papeleiros.


Sergio Amadeu Sociólogo e professor da Universidade Federal do ABC, ideólogo que já trabalhou em administração petista.


Gustavo Tepedino Professor de Direito Civil da Faculdade de Direito da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro.Vejam o link e o resumo do trabalho, alguma dúvida a quem pertence suas simpatias?

“O objetivo deste trabalho é apresentar o conteúdo da garantia
constitucional do direito de propriedade no ordenamento
jurídico nacional. Propõe que inexiste uma garantia à propriedade
independente de sua função social. Aborda no decorrer da
argumentação o significado da função social e o controle
judicial da situação subjetiva de propriedade, apontando para
a inafastabilidade do cumprimento da função social e aponta o
novo significado da garantia da propriedade.”


Alex Szapiro CEO Amazon Brasil, apesar de ter interesse na isenção do imposto, depois de fazer um acordo de distribuição com o governo, terá a Amazon peito de contrariar o governo? Duvido!


Sergio Hertz Presidente da Livraria Cultura, outro que apesar de vender e-reader tem maior rendimento com papel.


Eduardo Spohr, escritor, também obviamente ligado aos papeleiros.

Como podem ver, quem aí defenderá o e-reader e sua possibilidade de acelerar a educação do brasileiro barateando o conteúdo cultural e educacional? Talvez o Senador Gurgacz?

Obviamente esta é mais uma medida protelatória e diversiva, se quisessem o projeto já estaria aprovado, se quisessem nem precisava de projeto pois a constituição já dá imunidade ao e-reader e-ink, uma vez que é um aparelho essencialmente só bom para leitura, as características da tela que permitem gastar pouquíssima bateria e ler muito bem, são as que o excluem para outras funções, é o análogo moderno do papel. Mas e daí que o governo do PT fracassou de maneira vergonhosa na educação? Ela não só não é prioridade mas é combatida, fracasso do brasileiro em educação é o sucesso do PT na eleição, se bem que depois deste trabalho não confio mais na urna eletrônica que não pode ser auditada e pode facilmente ser adulterada por dentro, sem deixar vestígios, leiam.

Continuamos na nossa luta pela leitura e todos os bens que vem junto, um mundo com mais leitores é um mundo mais divertido, difícil é argumentar com estes vagabundos que não lêem coisa nenhuma e querem que todos os brasileiros sejam assim.

Alex
Leia mais...

domingo, 23 de março de 2014

Ferramentas do ofício.

Aumentar Letra Diminuir Letra



A nós que já estamos com um e-reader em mãos por anos pode parecer incrível, mas tem muita gente por aí que nunca pousou os olhos em um. Estava na casa de uma amigo e lá também estava um rapaz ao qual ele prestava orientação em alguns processos burocráticos, estávamos conversando sobre a proficiência na língua inglesa, e o rapaz ainda estava afiando suas habilidades, no que argumentei das enormes facilidades para treinar a língua que temos hoje, falei dos programas de leitura de texto que podem ajudar-lhe com a pronúncia, para demonstrar saquei do meu Kindle touch e fui mostrar o recurso de TTS, o rapaz tomou um susto, e foi tão espontâneo que surpreendeu-me, no que toquei a tela para ligar o recurso, a imagem mudou e ele assombrou-se, pensou que aquilo fosse uma capa, pois parecia papel, mas o conteúdo do papel moveu-se, ao que disse: “Nossa, parece papel, não tem brilho, precisa de luz”. E olha que ele tem smartphone, um ipad primeira geração que não pode ser mais “upgraded” além do sistema 5 e ele não mais encontra um programa leitor de PDFs na Apple store para instalar no tablet e assim não consegue ler uma série de documentos.

Às vezes achamos que o trabalho está feito, mas tem muita gente por aí que nem sabe o que é um e-reader, afinal, o aparelhinho só tem propaganda no meio dos leitores contumazes, fora deste meio é um ilustre desconhecido, e a parte que preocupa-me, é que ele é o único que permite a mesma intimidade e concentração do papel. Este mês fiz o teste de ler o mesmo que leio no e-reader no tablet, um Kindle Fire HDX de 7”, impossível! Depois de duas horas meus olhos já estão em fogo, lacrimejando e a imagem começa a ficar toda embaçada, tentei de tudo, diminuir o brilho, usar “night mode”, nada parece resolver. Se o ipad grande é bom para ler PDFs, o tablet de 7” não é, as fontes não fluem e você tem que usar o recurso de zoom e arrasto o tempo todo para ler, coisa que no tablet grande não ocorre, ele tem cores, mas ficar ampliando imagem para ver é péssimo. Tirando o fato de não ter cor, o e-reader de seis polegadas lê PDF com o mesmo desconforto, mas para livros bem formatados nos e-readers o conforto é o mesmo ou até maior que o papel pois o e-reader pesa muito menos.

Acho que vale ver a coisa de perto, peguei uma lupa e fotografei as letras nos vários meios, todas são aparentemente do mesmo tamanho, pelo menos no quesito visual, vejam:

Livro


Revista papel brilhante


Kindle Touch


Kindle Fire HDX 7”
 


A lupa tem fonte de iluminação, sem a qual as fotos do livro, revista e Kindle touch não poderiam ser feitas, já a foto do Kindle fire HDX pode ser feita sem luz, mas ela foi mantida ligada para efeito de comparação. O que vocês acham? Há diferenças?

Mas não só ao aparelho restringe-se a literatura eletrônica, devemos também pensar nos sistemas operacionais e nos formatos de ebook disponíveis. Ao contrário do livro de papel onde o texto já lá está, o ebook é um arquivo codificado, e para isso é necessário um software de decodificação, que já está embutido nos e-readers, mas como sabem, uns lêem um formato outros lêem outros e vários formatos ainda sofrem uma nova camada de código criptografado para evitar cópias do ebook. E esses programas de leitura ainda precisam de um sistema operacional, que no caso do e-readers é uma versão invisível de Linux e nos tablets e smartphones é ios ou android, que também tem alma linux mas foi pervertido para não ser livre e transparente.

Para encurtar uma conversa longa, o fato é que tenho centenas de joguinhos, vários muito legais, X-Com, Master of Orion, Civilization, Flight Unlimited 1, lindos em sua caixas enormes, que era o padrão da época, e não posso jogar nenhum, pois não tenho máquina que rode, as máquinas novas não aceitam drivers antigos, e os sistemas operacionais novos não rodam os jogos antigos. Se isso já é uma desgraça nos jogos, imagina nos livros! Li e leio com gosto livros que pertenceram a meus pais mesmo antes de eu nascer, mas joguinhos de quinze anos atrás viraram lixo, esses jogos rodavam em máquinas de 133mhz, ou 500mhz, meu tablet tem quatro vezes isso e não roda um jogo que preste! Nenhum se compara aos antigos, e pior, os jogos ficam esmolando recomendações, propaganda, ratings, dinheiro e os seus amigos! Isso é irritante! Prefiro escolher com cuidado meus jogos, pagar os vinte ou trinta dólares e jogar sem alguém ficar enchendo-me o saco, mandando mensagens no sistema de que haverá uma nova campanha e pior de tudo, ficar comendo parte da minha memória e processamento o tempo todo, mesmo quando não jogo! Se o Windows é um sistema lixo, o Android é a perversão do Linux com o mesmo vício, deixar coisas rodando na memória e fazendo sabe-se lá o que, isso é estúpido, irracional, gasta energia e tapeia o consumidor, se é que não faz coisa pior, mas para saber só com transparência e conhecimento, coisa fora do escopo da filosofia do Android, e muito menos do ios.

A internet só funciona pois há um protocolo padrão, e assim as páginas são vistas pela maioria dos browsers, a Microsoft tentou tomar conta do código de internet com as particularidades de código do Frontpage, por sorte o programa era tão ruim que deram-se mal, mas o mesmo ocorre com o Google e o Android, e precisamos ficar atentos aos livros, não comprar de jeito nenhum livros em formato proprietário que não possam ser convertidos, pois no futuro, apesar de ter comprado seus livros ficará impossibilitado de ler, assim como não posso jogar meus joguinhos, e ninguém poderá fazer nada por ti.

Alex
Leia mais...

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A revolução cultural do e-reader.

Aumentar Letra Diminuir Letra



*Este é mais um dos longos, para ler no e-reader sugiro o GrabMyBooks

Para aqueles que já viveram um pouco mais, ainda tem memória e relembram o passado, a tecnologia invariavelmente mudou nossa rotina, telefonia móvel era coisa de super espião, escondida nos sapatofones; você retirava dinheiro na sua agência bancária, onde a caixa podia pegar o cheque e conferir sua assinatura com a de uma ficha; escrevíamos cartas para falar com nossos entes distantes, colocávamos em um envelope lacrado e com um selo colado, para indicar que pagamos a taxa de seu transporte, e lá ia por mar e terra até semanas ou meses depois chegar a seu destino; diante de tudo isso o e-reader é apenas mais uma, e em vez de esperar que um livro seja impresso, distribuído atravessando mar e terra, adquirido na livraria, só para depois ser lido, compramos ou baixamos da internet de forma instantânea, às vezes até diretamente do próprio autor sem intermediários; ninguém reclama de precisar de um computador, celular ou tablet para ler e-mails, não vi ainda ninguém reclamar que sente falta do cheiro do papel ou do perfume e da demora em chegar das cartas, e-mail é simplesmente mais prático, e mesmo quem queira escrever como se escrevia nas cartas, o e-mail aceita, mas não sei por qual ironia do destino a escrita das cartas condensou-se ao imediatismo do telegrama, que era contado por palavras para ter o seu valor, hoje um texto grande ou pequeno custa o mesmo no e-mail, e chega igualmente rápido. Sinceramente, não vi qualquer movimento contra e-mails, celulares, cartões de banco e todo o resto, mas o e-reader é tabu, fere uma lógica de materialismo do conhecimento, traz um acesso nunca antes imaginado aos conteúdos culturais, adotar um e-reader não é questão de ideologia, ele é simplesmente mais prático e igualmente confortável, como o livro de papel, a literatura nada perde, a cultura nada perde, muito ao contrário, ganha.

Deve-se perguntar o que o e-reader muda para entender o motivo de ser tão combatido, e muda apenas uma coisa, torna o livro acessível! Ninguém teve problemas com a leitura em tela de computador pois ela é impraticável, pode ser feito, mas é um suplício, tablets também não são tão combatidos, eles fazem outras coisas além de ler, e funcionam mal para leitura! Tudo que o e-reader faz é servir para ler muito bem, e justamente por isso é tão combatido, ele é o livro, todos os livros, que gradualmente eram suprimidos de sua importância e vida social. O modernismo acéfalo desprezou a cultura, e essa parte podre do modernismo é a única representada no que chamam pós-modernismo, uma literatura que guia-se pela ignorância e imbecilidade, o historicismo criando seus frutos de mediocridade, seus dogmas mais rígidos que os antigos. O acesso irrestrito ao conhecimento aos poucos está desmascarando as fraudes, aqueles que se diziam sábios, mas não são; os Anytus e Meletus encarregam-se de acusar este simples aparelhinho de blasfêmia, e apesar de ser capaz de carregar cultura, conhecimento e literatura, muitas de qualidade e gratuitas, pode corromper os jovens. Seus acusadores pedem a morte, pois é justamente a cultura antiga e desprezada pela parte podre do modernismo que está gratuita, livre de acesso pago que restringe seu conhecimento aos de posses. As máscaras caem, sábios mostram-se tolos, professores doutrinadores e humanistas monstros que odeiam e querem a destruição de tudo que existe de bom e nobre na alma humana.

Ao mesmo tempo que a falta de acesso a livros era uma barreira, também é uma boa desculpa para os que escolheram a ignorância e uma boa defesa a quem escolheu falsificar a sapiência. Eis que com a queda das barreiras o homem inferior não tem mais esconderijo, aquele que não encara um texto mais longo mostra seus aleijões intelectuais auto-impostos, é um deformado por escolha, um jumento de profissão. Cabe agora uma boa revolução cultural, aquela que sob este nome queimou livros e pessoas, pois estes tinham a verdade: “queimem o e-reader! Acabem com este aparelho profano!”, dizem, pois mostra que sob a bandeira da grande bondade encontra-se apenas perfídia e maldade. “Aparelhinho herege”.

As coisas mudam, a sociedade muda, mas a alma humana muito pouco, menos ainda nossos genes, a civilização mudou mais rápido que o conteúdo do núcleo celular, programado para a terra selvagem. Quem prega o futuro sem passado advoga pela destruição do homem, a cultura sem passado é apenas ignorância, irrelevância. De pequenas tribos nômades para mega-sociedades complexas algo mudou, não nossos genes, que foram programados para viver em grupos pequenos, mas à sua revelia vivem em sociedades ultra complexas em constante mudança. Se não há herança genética que de conta do recado, há a herança cultural, é ela que nos situa neste clima inóspito a nossos corpos e mentes, é ela que tenta formatar esta realidade ao contorno minimamente humano.

Política é fundamentalmente a interação do homem com outros homens, e isso dá-se naturalmente, tanto que a palavra veio das cidades antigas que congregavam pessoas, pois política, queira ou não é o que todos fazemos, mas na polis ateniense cada cidadão tinha sua voz, nem todos eram cidadãos, mulheres e escravos nem eram considerados; foi aí que nasceu o embrião democrático, diferente de como organizou-se a oligarquia espartana. A política ateniense era praticada por todos os cidadãos na forma da argumentação, tanto que professores eram contratados para educar o povo, os primeiros classe média “assalariados”, que não tinham terras nem posses mas tinham conhecimento, e é isso que comerciavam, e como hoje, existiam os grandes como Sócrates e os medíocres denominados genericamente sofistas, que em vez de entrar no diálogo frontal e livre de subterfúgios, construíram diversas armadilhas dialéticas com o intuído de fugir à argumentação objetiva. Bom, para ser exato Sócrates nem poderia ser um “professor” pois tinha lá suas poucas posses, mas era um velho feio e chato que andava a questionar as pessoas e atrair aos jovens com seus ensinamentos, não era exatamente um sofista, mas eles o consideravam um concorrente, e o cara era bom, por isso o odiavam, tanto que “democraticamente” tramaram a sua morte ou exílio, creio que os sofistas não podiam votar pois nem eram atenienses, mas influenciavam os votantes, eram seus professores. É interessante notar que foi já nessa época que surgiu a figura do demagogo, que falava o que o povo queria ouvir e usava este poder na assembléia para assumir o poder e governar de forma ditatorial, aqueles que usam a democracia contra a própria democracia, parece-lhe familiar? Abra os jornais de hoje...  Os atenienses cresceram nas artes, nas ciências, pois são disciplinas que florescem da livre circulação de idéias, já Esparta fortificou-se na arte da guerra, pois soldados bem treinados e ignorantes é tudo que a destruição precisa. Esparta ganhou a guerra, mas o espírito de Atenas vive até hoje.

Dizem que no início da formação das assembléias Atenas tinha cerca de quatrocentas mil pessoas, sendo que destes uns noventa mil eram considerados cidadãos com direito de voz e voto nas assembléias, estabeleceu-se a igualdade perante às leis e o direito à fala de todos, as assembléias aconteciam mensalmente e precisava de um quorum mínimo de seis mil cidadãos educados. A educação era necessária, como alguém poderia debater na assembléia sem educação, sem saber do que se fala, sem saber como falar? É educação parte fundamental da democracia, e se esta aparente divergência de opiniões pesou para o lado de Esparta e a liga do peloponeso, foi também ela a fonte da resistência ao governo tirânico imposto pelos conquistadores, mesmo que sem o antigo esplendor, práticas democráticas voltaram a ser utilizadas.

A antiga Atenas com todo seu esplendor tinha apenas quatrocentas mil pessoas, cerca da metade eram estrangeiros residentes, outro quarto mulheres sem direito a voto e noventa mil eleitores, legisladores e oradores. São Paulo tem quase doze milhões de pessoas, e o Brasil quase duzentos milhões, será que temos uma sociedade mais complexa do que Atenas? Por óbvio que sim, e exercer a democracia em um meio social tão complexo exige muito mais educação. Geneticamente o homem foi programado para interagir politicamente com quem ele encontra-se, que eram as pessoas de seu grupo, pessoas que vê todo dia e conhece, mas estas mega-sociedades pedem que o morador do Oiapoque opine sobre a vida do cidadão do Chuí, distando mais de quatro mil quilômetros um do outro, e todas as cidades no meio; isso só para dar a dimensão do problema. A democracia é o único sistema que permite a auto-crítica e o aperfeiçoamento, nossa democracia não é a mesma de Atenas, nem a mesma de outros países contemporâneos, inclusive uns até tem a cara de pau de chamar a mais nojenta ditadura de democracia. Democracia por não estar codificada nos genes necessita de educação, ninguém nasce democrático, aprende, e aprende pois é a maneira que melhor encontramos para dirimir os conflitos, democracia não é um dogma rígido, e qualquer um que queira impor democracia como dogma fechado é por natureza um não democrata; esta mutabilidade que permite o aperfeiçoamento torna ainda mais exigente o nível educacional para viver em uma sociedade democrática, pois sob este manto também vivem os piores ditadores, cabe ao cidadão o discernimento para diferenciar um de outro e evitar a praga dos demagogos.

De todas as pragas que empesteiam as culturas democráticas, hoje temos mais uma, que é a democracia representativa, pois os representantes não representam ninguém além de seus próprios umbigos, são todos demagogos por natureza e hipócritas, mentem desavergonhadamente em suas campanhas eleitorais e o povo que lhe emprestou o voto não pode tirar quando traído, se existe uma democracia representativa, quando representantes não representam não há democracia! E na próxima legislatura, mesmo que os antigos hipócritas não sejam votados, novos assumem os cargos e novamente mentem e o povo não tem como retirar a confiança do voto que foi quebrada. Se queremos democracia de verdade, no momento exato em que um político profissional quebra sua promessa com o cidadão, é necessário que o cidadão possa retirar o voto, pois este não mais o representa, e já temos condições de fazer isso! A tecnologia já permite, é só querer, pois a nossa democracia virou a mais pura demagogia.

Democracia precisa de educação, educação precisa de argumentação, e argumentação necessita da liberdade de expressão para que todos os argumentos tenham chance de aparecer; sociedades complexas precisam de educação e argumentação capaz de lidar com todos os múltiplos aspectos da vida em sociedade. Há espaço na rua para esta argumentação ocorrer? Não! Por maior que seja o movimento ele não reúne qualquer porcentagem significativa de uma mega-sociedade, e o que é pior, não há espaço para a argumentação complexa, você pode gritar umas palavras de ordem, umas palavrinhas em um cartaz, mas isso não dá conta de qualquer argumentação de base lógica, muito menos as complexas. Há toda uma mística da voz das ruas, aparece na TV, mas democraticamente falando representam apenas o peido da mosca do cavalo do bandido, é apenas uma violência, mostrar que uma pequena parcela do povo tem condições de ir às vias de fato. Hoje a verdadeira manifestação democrática encontra-se na internet, é aqui que temos condições de desenvolver temas complexos sem ser obrigados à leviandade que sempre produz distorções grosseiras e ignorância. Parte da vida social hoje acontece na internet, e ela é um meio mais capaz de conduzir uma argumentação em mega-sociedades.

Como vocês viram na Grécia antiga os demagogos usavam a democracia para impor a ditadura, mas a fundação democrática, ou a possibilidade de pessoas com idéias divergentes viverem em paz formou a base de um sistema político que permitiu o crescimento dos estados, isso culminou com o império romano. Antes os vencidos na guerra eram aniquilados, sua cultura destruída e seus costumes proscritos, gerando muita revolta, em dado momento grandes impérios implodiam por conflitos internos, Alexandre muito bem instruído percebeu essa força e o império macedônico tornou-se o maior de seu tempo. Os herdeiros do filho da loba, ao deporem sua monarquia, além do conceito de democracia criaram a cultura da “res publica” que mais que a vontade do cidadão, disciplinam como um governo deve agir para o bem do povo. Funcionou em parte, mas, lembra dos demagogos, aqueles que usavam da democracia para instituir a ditadura, também estavam presentes cuidando para que a república romana virasse o império romano. Roma também precisava de educação, informação, discute-se ainda hoje as causas da queda do império, e muitos creditam exclusivamente às invasões bárbaras, como meus antigos e míopes livros de história da era do colégio, mas foi um processo mais longo e lento de degradação das instituições, os bárbaros apenas deram a machadada final. Nas estradas é que circulava o conhecimento e a estrutura de Roma, as estradas eram a internet do império romano, a desestabilização da rede de estradas acabou de vez com as instituições, e assim tiranetes locais e usurpadores bárbaros, além de esfacelar o império, regrediram a humanidade literalmente à barbárie. Toda esta horda de ditadores e seus familiares formou o que no futuro chamou-se aristocracia moderna. A igreja ajudou a consolidar o poder desta aristocracia creditando-lhes um direito divino à tirania, aristocracia significa “os melhores” na acepção dos gregos, estes tais melhores o eram por direito de nascença, por direito divino, não eram confrontados, não podiam ser desafiados.

Democracia precisa de liberdade de expressão, vem antes do voto, pois seu cerne é a argumentação, que só acontece em terrenos verdadeiros se há liberdade, veja os supostos “melhores”, os aristocratas, além de impedirem a educação para o povo, nunca podiam ser confrontados por não aristocratas, uma fuga clara da argumentação honesta. Como é a argumentação que fomenta a educação de verdade e o avanço do conhecimento, com um ente pregador dogmático que não favorece a livre expressão, a deterioração das estradas e aristocráticos tiranetes que escravizam o povo em seus feudos, as idéias gregas foram esquecidas, desapareceram do imaginário popular e assim amargamos um milênio negro. O fim da escuridão veio com uma tecnologia que tornava o conhecimento mais acessível: a prensa de Gutenberg, foi com ela que as idéias gregas voltaram a circular, mas muitos não gostaram, e por mais que os livros ainda fossem caros, uma pequena burguesia composta de plebeus comerciantes e artesãos começou a desafiar a aristocracia imposta e com suas posses adquirir conhecimento.

Note que a aristocracia era definida por uma linhagem sanguínea, um plebeu, mesmo rico, nunca poderia ser um aristocrata, foi a educação de verdade que fez a diferença, a burguesia “ascendeu de classe”, apesar da aristocracia considerar-se um clube fechado, que por ironia do destino veio a apodrecer seus genes com excessivos casamentos consangüíneos. A genética aristocrata é hoje cheia de bombas genéticas, inferior à plebe que não limitou seus genes.

Rousseau apregoou os vícios dos aristocratas e da burguesia, mas creditou-os à educação. Que estupidez! Mas muitos inspiraram-se em seus escritos, os que sentavam-se à esquerda do presidente do parlamento francês, era uma briga por poder, e é necessário notar que do lado esquerdo também sentavam-se republicanos. Parte dos assentos da esquerda era dos socialistas, que pautados pela existência das classes sociais, pregaram sua destruição através de um regime em que, em teoria, todos seriam iguais, aliás, mais iguais, seriam todos obrigados a ser idênticos, negando a realidade diversa da própria raça humana, isso tornou-se uma ideologia, algo que não pode ser contestado, a mesma semente de ignorância que criou a aristocracia. À direita no parlamento sentavam os apoiadores das maneiras tradicionais, onde o anti-argumento era simplesmente: “se sempre foi feito assim, assim deve ser feito”, sem questionamentos, mais uma corrente da ignorância, aliados a eles estava a igreja, mais que costumes tinham um dogma bem desenvolvido, não se questiona um dogma. É preciso salientar que a constituição que norteava a república romana não constituía leis escritas, mas sim costumes, que ainda norteiam as repúblicas modernas.

Enquanto as forças tradicionais tinham o estado e suas forças armadas para manter o poder, os socialistas usavam o povo como seus soldados, o estado tinha que pagar seus combatentes, os socialistas não, era só engana-los ideologicamente para que lutassem por suas causas, essa história de sociedade sem classe era papo para boi dormir, útil para enganar os ignorantes a lutar por suas causas, mas no momento que atingiram o poder a coisa foi diferente, criaram a burguesia do capital alheio, a aristocracia dos donos da voz do povo e vivem até hoje banhados nos mesmos privilégios que usavam para fomentar a inveja no povo ignorante. Sem a ignorância os marxistas não teriam soldados, nunca teriam prosperado, e contribuiu para esta causa o progressismo, que prega a ignorância do passado como o oposto do tradicionalismo acéfalo. E é aqui que tem lugar as revoluções culturais que queimaram livros e pessoas, qualquer traço de intelectualidade verdadeira deveria ser eliminado, pois podia inadvertidamente educar o povo. É incrível, mas criou-se uma cultura da ignorância baseada no progressismo que nada mais é que a velha rotina sofista revisitada, mas agora sob o nome de relativismo. A busca honesta da verdade foi proscrita, foi decretado o fim da verdade, e um monte de pseudo intelectuais formou-se sob a ideologia ignorante de Hegel, Foucault, Adorno e Horkheimer, além de outros, disciplinas que tem em sua base um progressismo acéfalo, sofismo, relativismo, e um ódio mortal a toda busca da verdade, pois ela os inferioriza e mostra a crueza de sua ignorância. Mais do que em qualquer outra disciplina humana este culto à ignorância tomou de assalto as artes, e em especial a literatura.

Hoje com a acessibilidade dos livros através da internet e o conforto de leitura proporcionado pelos e-readers, mais que os livros dos grandes escritores, estão à disposição gratuitos também seus outros escritos, e dá para ver que as penas estavam ativas mais que nos romances, escreviam sobre tudo, principalmente sobre o meio em que viviam, as grandes obras não nasceram do nada, mas do trabalho constante com a escrita, e da elaboração intelectual da própria sociedade, todo esse material funciona como uma base invisível para os grandes escritos. George Orwell não elaborou “1984” e  “A Revolução dos Bichos” do nada, se ler seus escritos verá que a base foi sua realidade, hoje em 2014 vivemos uma realidade muito próxima à imaginada em 1984, pois a base já estava lá, na sociedade inglesa. Leiam os escritos de Orwell,  verão que a Inglaterra pré-guerra já padecia dos mesmos males que vivemos hoje: o estímulo ativo à ignorância através do espalhamento das idéias marxistas e pós-modernas, eles acreditavam no Hitler, o líder esquerdista era louvado nos jornais, qualquer menção pejorativa era desestimulada, atacada de forma sutil e se insistissem até feroz, não se podia falar no assunto, existia uma censura branca, estão vendo uma semelhança com o que existe hoje? Não é mera coincidência, sabe essa história do politicamente correto que vocês acham moderninha, já estava lá! O politicamente correto é uma maneira de evitar que certas questões escolhidas nunca sejam vocalizadas ou debatidas por proibir a própria língua, a novilíngua não foi uma invenção do Orwell, existiu, ainda existe! Peço que não acreditem em mim, mas leiam os escritos não ficcionais de Orwell, é esclarecedor, apenas uma proscrita minoria via em Hitler um monstro, ele era prezado como o grande líder reformista do século vinte, viu alguma semelhança do que vivemos hoje? A ignorância e as mentiras de Hitler eram relevadas na grande mídia, ele podia falar qualquer besteira que seria aplaudido, e isso na Inglaterra, não na Alemanha, viram mais alguma semelhança com o que vivemos hoje? Incrível não! Setenta anos depois e ainda louvamos o mesmo tipo de monstro progressista, sob a mesma bandeira, a modernidade como valor vazio da ignorância. A Inglaterra pré-guerra não aceitava a argumentação frontal e verdadeira, quem tentasse trazer a verdade era banido, veja a vida de Churchill.

Não é a “Revolução Cultural” um perfeito exemplo de novilíngua? Sob este nome Mao expurgou a cultura e fomentou a ignorância, toda cultura foi taxada burguesa para criar um "pré-conceito" que já exclui o debate, desta maneira colocam uma etiqueta no argumento, o que impede que se pense a respeito, mais uma versão do nosso politicamente correto, percebem o nível de policiamento do pensamento em que vivemos hoje? A liberdade de expressão está em nossa constituição, mas certos temas não podem ser nem mesmo debatidos.

Chegamos hoje a um ponto bizarro onde a cultura e principalmente a literatura perderam qualquer parâmetro de verdade, hoje o escritor quer ser artista antes de ser escritor, é um cacoete ridículo, pois é uma inversão que nunca permite a verdade: o escritor escreve, é seu ofício, e se for muito bom faz arte, o mesmo pode-se dizer de um pianista, mas não se faz arte antes de mestrar a mecânica da escrita ou dominar o piano. Estes artistas são apenas impostores que copiam descaradamente as doxas do modernismo do que seria a arte nos textos, e o que é pior, ninguém é capaz de perceber o embuste, e assim a cultura moderna torna-se um empilhamento de lixo inútil que contribui para a ignorância.

Uma das formas ativas de promover a ignorância é, por exemplo, dizer que não se gosta de falar sobre política, e assim impedir que as pessoas se eduquem, pois sem falar no assunto os monstros ficam livres para cometer suas atrocidades, vejam: toda vez devo lembrar que o PT e o governo Dilma ainda cobra imposto no e-reader a despeito do direito constitucional e o fato aberrante do aumento do analfabetismo no Brasil; como viram, o livro livre é inimigo das ideologias de esquerda e sempre foi combatido por aqueles que precisam da mentira, e a despeito de termos um instituto constitucional que proíbe imposto para evitar a censura, ela é imposta sobre o e-reader e ebooks, a versão mais popular que se pode ter da literatura. Mesmo que não falemos nada, o imposto ainda será cobrado e será uma barreira à educação dos mais pobres, e é isso que querem, que esqueçamos enquanto eles perpetram atrocidades, vejam como o aumento do analfabetismo não encontra espaço nos jornais, é um assunto gravíssimo que deveria ser pauta diária, mas não, é escondido da mesma maneira que a imprensa ocultou as atrocidades de Hitler. Faz mais de vinte anos que incentivo a leitura dos jovens e pude ver seus frutos nos adultos que por ventura ainda encontro, mas é doído ver a perda de jovens inteligentes que não puderam progredir na leitura por falta de condições financeiras, é fácil instigar a leitura, afinal, é uma coisa prazerosa, mas é uma coisa que tem que ter seguimento, e a falta de meios financeiros impede que se continue, por isso vejo na tecnologia e-reader uma possibilidade incrível de manter os jovens lendo, pois mesmo sem gastar nem mais um tostão podem continuar lendo a imensidão de material de qualidade que existe livre. Leitura é o principal inimigo da ignorância, o maior mal que nos assola hoje, pois tudo decorre dela. O e-reader pode ser o veículo de uma verdadeira revolução cultural em favor da cultura, não para destruí-la. Argumentação honesta e cultura são base de toda educação, de todo avanço científico, de todo avanço das idéias. A liberdade de expressão é fundamental, pois sem ela não temos argumentos para destruir, é importante que nossos adversários possam falar livremente e expor seus argumentos, para que os possamos destruir, e no caso de fracassarmos, sucumbimos a ele, da mesma maneira que hoje a terra gira em torno do sol. Aqueles que não podem sequer ouvir os argumentos pois perdem, que não podem enfrentar a verdade, são os que não tem condições de destruir os argumentos, mas não podem conviver com eles, nem os aceitar, precisam destruir seus portadores, pessoas, pois a verdade sempre tem mais força que a mentira.

Alex
Leia mais...

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Kobo Glo na Livraria Cultura por R$249,00.

Aumentar Letra Diminuir Letra



Mais uma oportunidade de adquirir um e-reader por um preço um pouco mais em conta: a Livraria Cultura está vendendo o Kobo Glo por R$249,00, é um modelo que sairá de linha com a entrada do Kobo Aura, mas ainda bom para ler, com touch e luz, as especificações estão neste post.

Alex
Leia mais...

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Livros, e-readers e cultura.

Aumentar Letra Diminuir Letra



Cultura, palavrinha difícil, abusada, vilipendiada, torcida em seu sentido e prostituída em todos os sentidos; dá para traçar um paralelo com a palavra vida, que também por significar tudo e nada, no final do uso diário perde todo seu sentido, ou mesmo a busca de um sentido. Não há vida sem passado e não há cultura sem memória, e ao mesmo tempo vida e cultura apenas justifica-se no presente, parece incongruente, dependemos do passado, de sua lembrança, mas seu uso, sua realidade está no presente.

A escola foi um dispositivo inventado para difundir a cultura em sociedade, e de uma vasta gama de conhecimentos, escolhemos aqueles imprescindíveis para o homem viver em sociedade, mas o que tentamos injetar é uma espécie de cultura postiça, padronizada, industrializada e plastificada para servir a todos, menos aos que realmente buscam cultura de verdade; a coisa legítima, muito mais brilhante, vibrante e viva não está nos medíocres bancos escolares, está na vida de cada um, e na vida que teve a cultura em nossa sociedade, não nos textos dogmáticos repetidos à exaustão, mas no uso prático que se faz deste conhecimento tornando-o vivo.

Ter cultura como fim é mera imbecilidade, pois é da vida que ela advem, não como objetivo, mas como subproduto involuntário. Você lê um livro, diverte-se, toma contato íntimo com o texto, e desta relação pessoal ganha como subproduto cultura, viver o livro é o que lhe dá cultura; mas se ao contrário, você é obrigado a ler, decorar, e não tem a vivência do livro, o que vem é uma cultura postiça e disfuncional, não uma relação pessoal com o livro, mas uma relação intermediada pela sociedade, pois cultura em si não tem qualquer valor a não ser o desfrute advindo da vivência que a gerou, a cultura como valor social é falsa. O motivo da cultura ser valorizada em círculos sociais é que os indivíduos verdadeiramente cultos e inteligentes se destacam, e por isso despertam inveja, a inveja gera cobiça e assim, sem viver, os invejosos almejam ter o mesmo destaque, mas não querem a vivência, cultura de verdade, apenas sua aparência social. E por não importarem-se e não viverem são impossibilitados de ter a compreensão dos assuntos daqueles que experimentam esta relação com seu tema de paixão, ficam aleijados, e como todo invejoso, inferiorizado, indigno da cultura que finge ter.

Rousseau não entendeu estas diferentes relações e confundiu a verdadeira cultura com sua afetação social, fruto da inveja, e assim em seu discurso contra as artes e a ciência, as culpou pelo pecado humano, e não percebeu que é a relação social que gera esta perversão, e de maneira burra e crédula creditou ao homem inculto a pureza, pois este estava livre da cultura corruptora, mas é do homem, da sociedade humana esta perversão, não da cultura, seja na forma de arte ou ciência. Veja este excerto:

Hoje, quando estudos complexos e gostos refinados reduziram a arte de agradar em princípios, uma vil e enganosa uniformidade governa nossos hábitos, e todas as mentes parecem ser produzidas do mesmo molde: reiterada polidez traz demandas, propriedade escreve ordens, e incessantemente pessoas seguem as tradições costumeiras, nunca suas próprias inclinações. Uma pessoa não ousa ser como ela é. E neste constrangimento perpétuo, homens que compõem este rebanho chamamos sociedade, colocados na mesma situação, todos fazem as mesmas coisas, a não ser que forças poderosas o evitem. Assim, uma pessoa nunca conhecerá bem a pessoa com que trata. Pois para conhecer um amigo será necessária uma situação crítica, dito isso, esperar até que seja tarde, pois é lidando com estas emergências que você o conhecerá de verdade.

Ele confundiu a uniformidade, a mediocridade, como traço da cultura padronizada, mas este comportamento é inerente do homem inferior, que tem a tendência de ajuntar-se em bandos e comportar-se como matilhas, assim como os animais aos quais é impossível perverter com a cultura, o tal homem natural não tem nada de idílico, tem embutido em seus genes as mesmas características de todas as bestas feras que o precederam sobre a terra. Mas, ao contrário dos animais o homem tem escolha, uma escolha consciente, da mente humana intelectual, não animal que age sem escolha consciente possível, e é nesta consciência humana que reside a cultura, e é responsável pelo uso que faz de suas potencialidades.

Fabulosos e evidentes são os enganos de Rousseau, mas pior foi a leitura que a inveja ainda mais aguda dos homens inferiores fez de seu trabalho, gerando a estupidez do marxismo e sua luta de classes, como podem ver, o comportamento de gado que Rousseau despreza é a própria natureza do sentimento de classe; classe esta que não suporta o diferente, pois quer a tudo mediocrizar, e no momento de seu nascimento, era uma aristocracia decadente e uma burguesia ascendente que viraram alvo da inveja da massa medíocre.

Apesar de Rousseau ter reconhecido Bacon, Descartes e Newton como capazes de subsistir à cultura social mediocrizante, não ousou seguir seus escritos, e como bom homem inferior ignorou as palavras de Bacon:

Os que se dedicaram às ciências foram ou empíricos ou dogmáticos. Os empíricos, à maneira das formigas, acumulam e usam as provisões; os racionalistas, à maneira das aranhas, de si mesmos extraem o que lhes serve para a teia. A abelha representa a posição intermediária: recolhe a matéria-prima das flores do jardim e do campo e com seus próprios recursos a transforma e digere. Não é diferente o labor da verdadeira filosofia, que se não serve unicamente das forças da mente, nem tampouco se limita ao material fornecido pela história natural ou pelas artes mecânicas, conservado intacto na memória. Mas ele deve ser modificado e elaborado pelo intelecto. Por isso muito se deve esperar da aliança estreita e sólida (ainda não levada a cabo) entre essas duas faculdades, a experimental e a racional.

Um detalhe importante a salientar é que como viemos neste curso de uma sabedoria eminentemente religiosa, virtudes como lógica e razão eram consideradas divinas e metafísicas, mas de um ponto de vista epistemológico tendo a ver estes valores como fruto da observação e experimentação, da causalidade.

De um lado temos a cultura real, a que adquire-se do contato com as artes e a ciência, do outro temos o contato social, indireto, falso. Junto com o marxismo ganhou popularidade um tipo de estudo chamado historicismo, se levarmos em consideração os escritos de Hegel, as coisas não tem valores em si, mas apenas os que a sociedade lhe dá, assim em vez de imiscuir-se em artes e artesanias, cria-se uma narrativa falsa que substitui a coisa em si. Esta cultura de falsificações tornou-se o cerne das idéias marxistas, pois como uma religião Marx predisse que o fim da chamada luta de classes seria inevitável, mas há aí muita, toneladas de besteiras, a primeira e mais fundamental é a própria idéia de classe, agrupar pessoas nestes cercados de gado é tirar toda sua humanidade e cultura verdadeiras.

O homem inferior sente inveja do superior e tenta sabotar aquilo que cobiça, quer destruir o que não pode ser, mas ser superior ou inferior é uma escolha à disposição de todos, e para isso é só descobrir os verdadeiros gostos e prazeres que tem no contato exclusivo com seus objetos de estudo, sejam eles quais forem. E desta escolha vem o desenvolvimento mental, o homem torna-se inteligente não por seus genes mas por sua atitude diante do conhecimento, da cultura. A partir do momento que tem prazer em uma atividade você constrói sua cultura, seu saber, como já demonstrou Piaget, você tem um modelo vivo, e a partir dele novas informações são incorporadas gerando o fenômeno da acomodação, isso cria um todo conectado e coeso, diferente de informações simplesmente memorizadas e descontextualizadas do conteúdo geral, que não se encaixam, e portanto não formam o entendimento como um todo.

Em todo esse processo o livro tem sido o principal veículo da cultura, só ele é capaz da intimidade intelectual necessária, houve época que achava que livros não mais valiam como ferramenta de comunicação de massa, uma vez que muito menos gente lê, mas depois de muito explorar toda a linguagem de vídeo e áudio, cheguei à conclusão que certo conteúdo intelectual é inviável nestas mídias, pois não se consegue transmitir conceitos intelectuais complexos. No livro lemos e relemos, paramos para pensar e organizar as idéias e este ritmo é pessoal, vídeo e áudio, mesmo pausando, não tem esta versatilidade para induzir o pensamento profundo. Vídeo e áudio são ótimos acessórios, mas para conceitos intelectuais complexos, não são suficientes, nada supera a intimidade que a mente tem com o livro, e nem precisamos dos grandes tratados de filosofia para provar, qualquer livro de estória é muito mais vívido que o melhor dos filmes, não há filme que consiga nos transportar para uma realidade imaginária com tanta eficiência. Assim, é inevitável ver que uma sociedade com menos livros, em que se lê menos, é uma sociedade mais estúpida.

É bem evidente o processo de desvirtuamento cultural em que vivemos, na época em que o acesso é mais fácil, mais democrático, as falsificações culturais proliferam, a sociedade humana mais organizada e institucionalizada é a que mais prega a mediocridade; universidades, em vez de serem centros difusores de excelência, tornaram-se os bastiões dos medíocres. Cabe aos que prezam a cultura, os que dela tiram prazer, caminhar independentes para não serem cerceados pela massa.

Com o mercado ditando o que se imprime, o e-reader veio devolver a diversidade fundamental para o mundo dos livros e da literatura, o próprio livro gratuito para quem tem e-reader é um tabu, pois nunca foi assim, livros sempre custaram, sempre foram objeto, este ebook sem corpo é uma aberração, pois tudo que traz é a literatura e cultura despidas de todos os fetiches, mas com toda a parte essencial. É um choque achar tomos de incomensurável valor cultural gratuitos na internet, é a cultura despida de toda inutilidade, mas preservada em sua essência. É uma quebra de paradigma, para aqueles que sempre tiveram relacionamento íntimo com o livro nada muda, a transição é prazerosa, pelas facilidades que traz, mas para quem tem um relacionamento idólatra, fetichista ou vigarista, o e-reader traz o desmascaramento da falsa intelectualidade, uma afronta, por isso tanta gente quer sabotar o e-reader, por isso tanta gente odeia o acesso que o e-reader trouxe para os ebooks e o acesso que dá a toda cultura. É também por este motivo que o governo cobra imposto no e-reader, pois sem a taxação ele fica acessível aos pobres e pode significar a quebra do ciclo de ignorância crescente do Brasil, um governo com base em teorias socialistas furadas precisa da ignorância do povo para que prospere a implantação do almejado regime ditatorial.

O que acho engraçado é que ninguém espelha-se mais nos grandes homens, é como se fossemos indignos, e é aí que começam as más escolhas, a inveja em vez do prazer e da virtude. Se muitos foram grandes é por inspirarem-se nos grandes, para um exemplo sonoro, pegue a primeira sonata de piano do Beethoven, ela é um desafio a Mozart, lógico que o segundo já não mais existia, mas era o mestre a ser batido, Beethoven parte de uma melodia muito parecida com as composições de Mozart, mas à medida que a música progride a estrutura vai ficando mais sofisticada, “melhorada”, ousou ir além, desafiou o mestre. Por melhores que sejam todos são homens, e podem ser ultrapassados por outros homens, mas o caminho da inveja faz com que os mestres sejam apenas desprezados, mas nunca superados, pois o invejoso é sempre indigno, para vencer necessita da falsificação e da complacência da massa medíocre que faz o seu sucesso, mas nunca seu mérito, é um conluio implícito onde o mérito verdadeiro é ofensa pois desmascara a farsa.

Sem descambar para o lado místico, adquirir cultura exige que primeiro siga o ditame das portas dos templos iniciáticos: “Conhece-te a ti mesmo”. Quem é você? Quais são seus  gostos? O que realmente lhe dá grande prazer? A partir daí siga a sua curiosidade, vá vivendo e encaixando todos os pedaços de informação que adquire segundo o mapa dado pela sua curiosidade, não se deixe seduzir pela pressão social, só você sabe o que você quer, e nessa relação ninguém pode se meter, e verá que terá os melhores amigos pelos assuntos em comum que te atraem, aqueles que podem acompanhar-te na busca pessoal e não os que queiram te desviar do que é seu, do que é você. O invejoso não consegue ter esta relação íntima com seus interesses, ele não tem prazer, inveja o prazer que outros tem e a cultura que por ventura virá, cuidado com esses tipos, eles não tem nada de bom a te oferecer.

De posse de um e-reader, vou dar-lhe algumas dicas: nunca se deixe intimidar por qualquer texto, faça perguntas, se não entende pergunte o porquê, pode ser que ele refira-se a outros textos ou conceitos que não estão no livro, se as palavras não fazem parte do seu léxico, o dicionário foi feito para isso, no e-reader basta um “clique”, e assim seu repertório cresce, pergunte, nunca fique calado! O grande problema ou solução é que cultura de verdade é sempre desafiadora, irrequieta, ela te faz questionar, e tudo que a massa medíocre não quer é este desafio. Certa polidez social, já denunciada por Rousseau, existe ainda hoje, e é ela que mantém a aparência dos impostores da cultura, que não devem ser desafiados para não serem desmascarados, eles ostentam uma posição social, mas não mérito moral, não são invejados pelo que são, mas pela posição que ocupam.

Seja verdadeiro, seja você, pergunte, desafie e cresça, se a cultura hoje é mais fácil e acessível a sociedade é mais ignorante e estúpida, enquanto os invejosos tem que tomar antidepressivos para dormir por perder de vista o verdadeiro prazer, siga em paz com o livro e deixe que te guie nos sonhos de grandeza que um dia embalaram os grandes homens.

Alex
Leia mais...