quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Os novos e-readers Kindle da Amazon.

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A Amazon anunciou nos EUA seus novos modelos de e-reader que estarão disponíveis depois de 2/10, o Kindle paperwhite continua basicamente o mesmo, só que agora todos os e-readers tem 4Gb de memória, mas ainda os e-readers da Amazon não tem entrada para cartão SD. Há agora um e-reader de topo acima do paperwhite, provavelmente para concorrer com o sucesso do Aura HD da Kobo, o nome é Kindle Voyage, a tela é de 6’ com 300dpi, menor que a do aura HD, e o preço é mais salgado U$199,00 com propaganda, também tem luz e um sensor para equilibrar a iluminação com a luz ambiente, eu tenho isso no meu Kindle fire HDX e acho inútil, o bom é que o novo aparelho tem botões de mudança de página além da tela sensível, uma novidade que eu já tinha no meu Sony de quatro anos atrás... Ao contrário do Aura HD ou H2O ele é menor e mais leve que os outros e-readers, mas não acho que isso faça grande diferença, pois os valores são mínimos, a bateria dura seis semanas.

O leitor mais básico da Amazon agora tem tela touch e não tem mais botões e 4Gb de memória, e custa dez dólares mais caro, resta saber quanto vai custar no Brasil com o imposto da vergonha que Dilma cisma em cobrar sobre ebooks e e-readers para manter o brasileiro ignorante, com certeza o Voyage virá bem salgado, quanto custará o modelo mais básico? Será que aumentará de preço? E quando serão vendidos no Brasil?

Alex
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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Qual o melhor e-reader?

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Sem qualquer dúvida esta é a pergunta mais freqüente para quem vai iniciar na literatura digital, mas como tudo na vida, não é simples; a realidade é que não há um e-reader com características perfeitas para todos e a resposta é dependente da necessidade do leitor. O que diferencia o e-reader é a tela e-ink que não produz luz, é um recurso que aumenta o conforto para ler livros, mas no geral é pior para todo o resto, assim o e-reader por óbvio que seja, é o aparelho para quem quer ler livros, e apenas para isso. Ao longo dos anos foram lançados diversos e-readers, com características e capacidades diferentes. Atualmente temos três linhas de equipamento em venda regular no Brasil, todos aparelhos ligados a livrarias, importados como meio de venda de livros digitais, pois assim como é o papel para o livro físico o é o e-reader para o ebook. As opções para o  brasileiro são os Kobos da livraria de mesmo nome vinculado à Livraria Cultura, o Kindle vinculado à Amazon, e o mais recente é o Bookeen Cybook revendido com o nome de Lev pela Saraiva e com recursos limitados em relação ao original, que permite múltiplos dicionários.

Minha intenção no momento não é discutir as opções de aparelhos à venda, mas dos recursos que existem ou já existiram no e-reader, é óbvio que aparelhos mais baratos tem menos recursos que os mais caros, mas até hoje nunca encontrei um e-reader que seja ruim para ler, quem quer conforto para ler livros digitais encontrará em todos os aparelhos com tela e-ink; e como é natural, aparelhos mais caros terão mais recursos, a mais óbvia diferença hoje em termos de preço são os aparelhos com e sem luzes embutidas para ler no escuro, nos aparelhos que não tem luz, mais baratos, é possível ler muito bem como em um livro de papel que não vem com luz, mas nos aparelhos com o dispositivo de iluminação é possível ler no escuro, não como um tablet, mas com o conforto do papel.

Tela - A maioria das telas de e-reader tem 6 polegadas, à primeira vista, para quem nunca leu em e-reader, só em papel, pode parecer pequena, mas é o compromisso ideal entre portabilidade e conforto de leitura, a Kobo já vendeu no Brasil o seu modelo pocket com tela de cinco polegadas, extremamente portátil e por incrível que pareça confortável para ler, já usei emprestado e gostei, assim como já havia testado o Sony Reader PRS-300 com o mesmo tamanho de tela mas um pouco maior. Existem e existiram modelos com telas maiores, a Amazon já vendeu o Kindle DX com tela de 9,7 polegadas, já brinquei com o iRex 1000 de tela 10,2” é muito bom para ler, mas para quem está acostumado com o e-reader de 6” parece um trambolho e não é prático para levar consigo, seria um aparelho para ler em casa. A Kobo vende no Brasil o Aura HD com tela ligeiramente maior (6,8”) e de alta definição1440x1080. A maioria das telas começaram com definição de 800x600 o que só em preto e branco dá uma ótima resolução e lê-se com todo conforto, com o tempo a tecnologia das telas melhorou e aumentou a definição e o índice de contraste, a diferença entre o preto e o branco, as telas atuais de 6” tem cerca de 1024 x 750 pixels, se colocar uma tela mais nova ao lado de uma mais antiga verá diferença, mas ambas são boas para ler.

Uma coisa que falam muito seria uma tela tipo e-ink colorida, o problema aí é que na atual resolução a tela colorida iria degradar sua capacidade de texto em preto e branco, não é uma questão trivial, para ter cores em e-ink é preciso um sistema CMYK, ou seja, a resolução da tela atual em preto e branco seria reduzida por quatro! Pois além do pixel preto e branco seria necessário um ciano, um magenta e um amarelo. A pergunta é: assim como a prensa de tipos móveis, qual a limitação do e-reader? Para quem lê livros exclusivos de texto, não faz diferença, mas para fotos e gráficos coloridos a atual tela monocromática não serve. Vale um leitor limitado aos livros de texto? Folgo em dizer que vale, mas apenas para quem lê.

Outro ponto que podemos incluir no item, mas tem mais em comum com o método de entrada de comandos é a tela sensível ao toque, presente ou ausente, e em diversas tecnologias. Na minha opinião a tela sensível é prática, facilita abrir a definição de dicionário e digitar texto em uma anotação ou até rabiscar a página do livro como um livro de papel no meu Sony PRS-600, nos e-readers sem tela sensível, é um pouco mais complicado digitar texto, pois deve-se escolher as letras com um cursor, o Kindle keyboard tem um teclado físico para isso, é prático mas aumenta o tamanho do aparelho, mas o que é vantagem é o botão físico para mudar a página, meu Sony tem ambas as possibilidades, mudar a página tocando a tela ou no botão específico, uso o botão, no meu Kindle Touch só tenho a opção de tocar a tela, não chega a ser problema, mas o botão é melhor.

Já vi quatro tecnologias de tela sensível: resistiva no meu Sony, infravermelho no meu kindle, caneta tipo Wacon no iRex e a tela capacitiva mais em moda. Fala-se muito na vantagem da tela capacitiva mais sensível ao dedo, mas ela tem baixíssima resolução, cerca de 3mm, quem consegue digitar texto nestes celulares com tela 3”? É um suplício, mesmo com o uso de uma caneta stylus, a tela precisa de um contato condutor com cerca de 3mm. A tela resistiva mais antiga é pouco sensível ao dedo pois precisa da pressão localizada, normalmente usa-se um stylus que é uma mera ponta fina plástica que funciona muito bem e dá ótima definição, no meu Sony eu rabisco a página do livro como fosse papel, aliás, melhor que papel, pois ao aperto de um botão o vandalismo desaparece, eu que nunca tive o hábito de rabiscar livros pois acho que vicia uma segunda leitura, achei fantástico e passei a rabiscar as páginas sem o menor pudor e tenho dificuldades de abandonar o antigo Sony por conta deste recurso. A tela de infravermelho do meu kindle faz seu trabalho, mas qualquer toque na tela vira a página e não é muito sensível, mas permite-me usar o aparelho em um saco estanque para ler na praia, o que a tela capacitiva não permite. Em minha opinião para o e-reader a tela resistiva com stylus é mais prática, principalmente com o software da Sony que permite rabiscar a página do livro, a tela tipo Wacon é até melhor, resolução de 0,3mm, mas é mais cara e gasta mais bateria e o stylus tem que ser específico.

Método de entrada – Já falei das telas sensíveis, e nos e-reader temos botões direcionais e teclado, além lógico, de um e-reader poder ter todos, tela sensível e botões, caso do Sony, acho que botões de mudança de página são bem vindos, mesmo nas telas sensíveis, caso do Nook que foi vendido pela Barnes&Noble.

Sistema operacional – Um e-reader é um computador, e como todos tem um sistema operacional, na maioria ele fica oculto sob o software leitor, o usuário não tem acesso, em todos que vi é uma versão de linux. O que se discute é se deve-se ter um sistema operacional que permita instalar programas, já existe e-reader com Android, mas o que instalar em um sistema tão restrito? A própria tela e-ink limita bem as coisas, qualquer animação vai exaurir a bateria muito rapidamente, fora todo tipo de incompatibilidade. Um e-reader dedicado, assim como um liquidificador, é um aparelho para uma função, ler livros, você não vai digitar texto no liquidificador, e muito menos ver vídeos no e-reader, assim o melhor é um sistema “redondo” e que consuma o menos de recursos do sistema e bateria em conjunto com o software leitor. Mas acho que o software, assim como o hardware deve ser transparente para quem quiser auditar o aparelho ou modifica-lo, simples questão de direitos.

Software leitor – Aqui é onde existe maior diferença, a primeira e maior são os formatos de ebook capazes de serem lidos, os da Amazon não lêem epub, o formato mais comum de ebook, ela tem seu formato próprio: mobi e azw, que além da desvantagem de serem exclusivos, não se tem muita documentação no sentido da criação dos livros. Apesar da maioria dos e-readers ler epub, nem todos o fazem da mesma maneira, assim alguns livros aparecem diferentes e outros nem abrem no aparelho, um grande problema. Outro ponto importante é a capacidade de ler ebook com DRM, o software deve ser capaz de decriptografar o arquivo protegido, o Kindle da Amazon não abre arquivos codificados com DRM da Adobe, o mais comum, e os outros e-readers não lêem os arquivos codificados da Amazon. Acho arquivos travados um desserviço à literatura, pois limita os direitos que um leitor tem ao comprar um livro: emprestar e vender sua cópia.

Outro ponto importantíssimo em um e-reader é a capacidade do leitor colocar seus próprios livros independente de onde foram comprados, ou até pegar livros de domínio público, por mais que os e-reader sejam vendidos por livrarias, nenhuma até agora teve coragem de vender um sistema totalmente fechado, onde o leitor não pode colocar seus próprios livros e documentos, provavelmente o leitor recusaria e compraria um e-reader onde tem liberdade de colocar os próprios livros. Foi anunciado uma espécie de e-reader muito barato, o Txtr Beagle mas que só funcionaria como uma tela leitora de ebooks vinculados a um celular e uma conta de telefone vinculada a um serviço de aluguel de ebooks, ou seja, exclusivo, impossível de carregar seus próprios documentos, não foi para frente. Uma série de e-readers chineses não consegue abrir o Adobe DRM, assim o leitor fica impossibilitado de comprar na maioria das lojas que vendem com DRM.

Bateria - Outro ponto importante a considerar é a bateria, com mais ou menos carga, maior ou menor duração dependendo do gasto energético do sistema, no meu Sony ela dura duas semanas, no meu Kindle Touch dois meses, quase todos e-readers à venda tem bateria para cerca de um mês, dependendo do uso, ler PDF que requer um monte de zoom e reposicionamento exaure rapidinho a bateria, tanto que sua duração era dada em número de viradas de página.

Uma coisa importante a pensar sobre as baterias é a possibilidade de trocar uma antiga por uma nova, elevando a longevidade do aparelho e evitando gerar lixo tecnológico que se não for bem dispensado vira um contaminante de incríveis possibilidades no ambiente. As atuais baterias de lítio íon ou lítio polímero, mesmo que não sejam usadas oxidam, e na impossibilidade de reposição deixa um e-reader em perfeito funcionamento inútil. A obsolescência programada ou a falha determinada de um aparelho eletrônico é um assunto que precisa ser seriamente pensado, a cultura do descartável, muito lucrativa para a indústria prova-se deletéria para o ser humano e o ambiente em que vive.

Memória – Cada dia os chips de memória ficam mais baratos, mas por você simplesmente não poder trocar a memória interna, aparelhos com maior memória custam muito mais, é a lógica parecida com o motor de carro, onde quanto maior o buraco, maior a cilindrada e muito maior o preço, paga-se pelo status de um motor mais forte com um buraco maior. Mas há algo que chamam de tendência, mas não é “tendência”, colocar menos memória nos aparelhos e obrigar o usuário a usar a “nuvem”, é apenas uma vigarice tendenciosa para obrigar o usuário a ficar plugado em uma loja ou um serviço. Não é muito mais simples, barato e prático ter um chip de memória no aparelho em vez de precisar de um servidor na internet, conexão e os recursos de wifi ou 3G que como sabemos falham? E alguns dirão que a “nuvem” é melhor pois se perder seu aparelho seus livros estarão salvos na nuvem, desde que usava disquete de 51/4 já havia a palavra backup, mas a “nuvem” é mais segura, é mesmo? Os atuais ataques e perdas de dados provam o contrário. A verdade é que não há boas justificativas para os aparelhos não terem mais memória. Pior ainda são aparelhos como o Kindle que não tem uma entrada para um mísero cartão SD, não é só uma escolha, é uma política contra sua liberdade, a realidade é que tanto em e-readers como tablets e celulares eles não gostam desta idéia do usuário poder compartilhar conteúdo, tanto é assim que os novos sistemas android tem um arquivamento totalmente obscuro para o usuário comum, que não vê um monte de recursos. O android é uma perversão de um sistema aberto e auditável com um kernel de altíssima tecnologia, para conter todos os vícios e obscuridades que existem em um windows aproveitando-se de gente que com as melhores intenções trabalhou de graça para criar um sistema tão bom. Se há brechas legais para apropriar-se de trabalho em GNU, não há justificativas morais, é nojento. Assim, fique esperto com esses sistemas que querem limitar o seu uso e desfrute do aparelho que comprou, ou pior, querem ficar te espionando e vendendo sua vida, seus dados, com sistemas obscuros que relatam não se sabe para quem o que faz na privacidade do seu equipamento. Ter bastante memória e sua biblioteca consigo o tempo todo é barato e prático, uma entrada SD é um diferencial que o consumidor vê na hora da compra, é ao rejeitar os aparelhos que querem limitar sua liberdade que o consumidor protege-se dos planos arbitrários e velados de comerciantes gananciosos ou governos persecutórios.

A tecnologia atingiu uma estabilidade, nos últimos anos vimos poucos avanços no e-reader, mas por quantos anos o papel manteve-se igual? Isso é bom? Claro, o que importa é a literatura, não o papel que a suporta ou o e-reader onde se lê os ebooks, como vimos existem já melhores práticas que poderiam condensar-se em um único aparelho, e a realidade de mercado é que há procura por e-readers “premium” como é o caso do Kobo Aura, qual e-reader para aqueles que preço não faz diferença de tanto dinheiro que tem?  Ou para quem quer um pouco mais de frescura na sua leitura? Poucos, pode parecer irrelevante, mas é nos dispositivos mais caros que aparecem as novas tecnologias, lembrem que o e-reader e-ink era caríssimo, frescura para poucos bolsos, mas foi aí o desenvolvimento da tecnologia que hoje torna a literatura muito mais simples e acessível. Nesta “verve” de e-readers “premium” é que a Kobo lança agora uma versão tipo o Aura, mas à prova d’água, o H2O. Existe os que criam, os que copiam, quem não conhece muito do assunto pode pensar que o Kindle da Amazon foi o pioneiro, mas foi a Sony, que ainda detém o melhor conjunto da tecnologia por ter sido a desenvolvedora, junto com alguns parceiros, da tecnologia que tornou-se popular. É preciso pensar os aparelhos, há boas tecnologias que desapareceram, não por serem desprezíveis, mas por que um marqueteiro teve uma idéia “brilhante”. Afinal, por que usar canetas ou lápis se podemos molhar o dedo no tinteiro...

Alex
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domingo, 24 de agosto de 2014

Amazon x Hachette; Amazon x Brasil; e eu com isso?

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Para os que andam ligados nessa coisa de ebook e e-reader o caso da Amazon contra a Hachette tem sido um prato cheio de dramas, fofocas e cabeçadas que está passando do limite razoável, e em princípio isto nada tem conosco, por isso evitei de divulgar o assunto aqui no blog, é um caso restrito aos EUA, todo dia há notícias de novos empreendimentos no ramo do ebook por lá, eles nascem e morrem e nada chega aqui, por isso para nós brasileiros falar destas estórias parece coisa de alcoviteiro, o interessante de ver é a verve empreendedora que existe por lá, negócios nascem e morrem às centenas antes de um ir adiante e quem tiver curiosidade recorra aos blogs e jornais Norte Americanos, uma vez que para pouquíssimos brasileiros isso tem qualquer interesse; mas vou entrar hoje nesta história sórdida pois há no Brasil a tentativa de uma briga semelhante.

Para oferecer um background melhor para que nossos leitores entendam o assunto preciso retroceder um pouco ao caso onde o departamento de justiça americano abriu um processo contra a Apple e as cinco maiores editoras americanas por combinação de preços, a palavra em inglês é “collusion”, evito de traduzir pois os significados jurídicos são diferentes entre a palavra traduzida aqui e sua contraparte, assim, entenda como uma combinação secreta para lesar o consumidor aumentando o preço dos livros. O caso é que a Apple com sua loja e as seis maiores editoras da época juntaram-se para criar o que foi chamado de “agency pricing”, basicamente as editoras diziam qual o preço final de venda e a Apple levava uma porcentagem deste preço, desta maneira o preço final que o consumidor pagaria em um título seria ditado pela editora, sem a possibilidade das livrarias darem desconto, até aí não há grandes problemas a princípio, mas ao que parece e os dados comprovam, houve uma combinação para subir o preço de livros de papel e ebooks, e foi isso que fez o departamento de justiça americano abrir um processo, várias editoras preferiram fazer um acordo para ressarcir o consumidor em vez de esperar o processo ir até o final, a Apple não, e as decisões do juiz responsável tem sido desfavoráveis, resta saber qual vai ser a conta no final, se vai ficar barato ou caro para a Apple.

A Amazon não gostou desta história de “agency pricing”, ela é conhecida por dar desconto nos livros, quem é consumidor Amazon de longa data sabe, sempre foi assim, na maioria das vezes o título almejado está mais barato na Amazon; mas, com o “agency pricing” esta política de descontos é impossível. A Amazon entrou em conflito com algumas editoras e parou de vender seus títulos, e hoje, quando uma gigante como a Amazon tira seus livros fora do catálogo, você sabe que vai perder uma parte significativa de sua renda, e como é normal em sociedades livres, ninguém é obrigado a vender ou comprar de ninguém, é o que se chama livre negociação, só temos problemas quando a coisa vira um monopólio, por maior que seja a Amazon ela ainda não é um monopólio, assim, apesar de ter um enorme poder de fogo em qualquer negociação, o negócio ainda é livre. Tudo que estou falando é exclusivo do mercado dos EUA, aqui a Amazon ainda é irrelevante se não contarmos seus bolsos cheios de dólares para investimentos, mas a indústria brasileira de livros é mais irrelevante ainda, desta maneira editores estão em polvorosa com a entrada da Amazon no mercado brasileiro, ela é uma empresa capitalista fazendo o que deve fazer: ganhar dinheiro, ao contrário dos nossos editores que sempre se preocuparam mais em manter a concorrência fora do que desenvolver o mercado de leitores para aumentar seu faturamento.

Agora podemos falar do caso Amazon x Hachette, a história é a seguinte: a Hacchette é uma das grandes editoras Norte Americanas, ela vende livros; a Amazon é atualmente uma das maiores livrarias, ela compra livros para revender; o caso ocorre na venda de ebooks, como é o normal a Amazon quer que a Hachette lhe diga o preço do livro, para depois vende-lo ao preço que bem entender, contrário ao preço de “agency” onde é a editora que diz o preço final de venda. A Amazon pode não comprar nada da Hachette, e não vender nada da Hachette, mas aí ambos perdem, quem perde mais? Para compensar que o esquema com a Apple foi pego pelo departamento de justiça do governo, a Hachette queria cobrar caro nos ebooks vendidos para a Amazon e assim ela não poderia vender mais barato e concorrer com os livros de papel da editora, em resposta a Amazon retirou os livros da tal editora de sua loja e a gritaria pública começou. Tirar os livros da Hachette do catálogo da Amazon é uma enorme perda de dinheiro para a editora, e ela colocou parte da negociação aberta fazendo seus autores contratados escrever uma carta pública para a Amazon, a coisa ficou patética, ridícula mesmo, mas para piorar a Amazon mandou uma carta para seus leitores/autores para que escrevessem ao CEO da Hachette defendendo o seu lado, o que já era ruim ficou pior, este embate tem mais rounds com escritores proeminentes e jornalistas pronunciando-se contra ou a favor, quem quiser saber mais vá aos blogs norte americanos de e-reading, não é um história bonita nem divertida, mas acho que este resumo nos serve para entrarmos em outras questões e em especial aos últimos movimentos em relação ao Brasil.

Nesta história há dois grandes jogadores: Amazon e Hachette, dois lados: Amazon e Hachette, portanto tome seu acento na torcida correspondente, mas isso é uma idiotice, há mais lados nesta coisa, há mais argumentos e muita coisa envolvida. Dicotomias imbecilizantes são uma tática velha para polarizar opiniões e empobrecer o debate, quer um exemplo clássico? A velha briga direita versus esquerda. É um paradigma inútil que tem empobrecido a vida política mundial e excluído do debate as pessoas e suas vidas que é o que realmente importa, direita ou esquerda são conceitos genéricos e para muita gente tem significados diferentes, assim qualquer debate neste sentido carece de verdadeira objetividade, e as verdadeiras questões que importam nunca são ditas, ficam perdidas neste debate inútil e infindável que não se apóia em qualquer parâmetro objetivo. A realidade é que levadas ao extremo, direita e esquerda são apenas formas diferentes de ditadura, e como todos sabem ditadura é tudo igual, não importando a cor de sua bandeira ou o discurso vigarista a justificar as atrocidades. A realidade é que auto-determinação é algo que ninguém dos que gostam de poder tem simpatia, eles querem te controlar, e você não quer ser controlado; é isso que ocorre com o caso Amazon/Hachette, quem está de um lado é rebanho de um, quem está do outro é animal de curral do outro, e quem pensa e quer viver sua vida e ter seus argumentos está fora. Por que digo isso? Pois vocês verão que há algo muito mais profundo nesta estória e por mais que tenham falado do assunto à exaustão muitos aspectos não foram abordados.

Preciso apenas de mais um adendo para deixar claro para os brasileiros todo o processo envolvido: para quem não está acostumado a comprar livros em inglês, há uma dinâmica que não existe aqui: “hardcover” e “paperback” o livro de capa dura e a brochura; lá, quando um livro de relativo sucesso é lançado, primeiro há uma edição de capa dura bem mais cara, e quem quiser ler tem que pagar pelo “luxo”, só depois quando as vendas caem ou depois de um ano é que lançam a versão brochura mais barata. Com este processo as editoras ganham muito mais com a capa dura, e quando o mercado cai exploram outras faixas com o paperback, e dependendo dos livros até os de bolso super baratos em uma terceira exploração do mercado. Com ebooks e lançamento simultâneo, a obrigatoriedade de pagar mais para ler na edição de capa dura desaparece. Para quem é de fora da máquina editorial imprimir um livro, principalmente de capa dura é proibitivo, mas para editoras com a máquina estabelecida é bem barato, é uma fração pequena do preço final do livro, e a diferença de um hardcover para um paperback também é relativamente pequena, este menor custo de impressão que as editoras têm perto dos “civis” é o que lhes dá o controle do mercado. Aqui não é muito diferente. Outro ponto é que editoras pagam relativamente pouco aos autores, desta maneira impressão e o texto em si são uma parte menor do valor pago pelo consumidor.

Entendida a dinâmica do mercado atual americano, vamos nos concentrar um pouco na história da Amazon que conto como um de seus antigos fregueses. O mundo AM ( antes da Amazon) era um local quase sem internet, informação era difícil, editoras eram reclusas e livrarias os pontos de encontro entre pessoas e livros, às vezes ouvia-se falar de um livro, mas não havia onde procurar, com muita sorte e muitas livrarias às vezes encontrávamos um exemplar, e aí víamos a coisa em si, o livro que antes era só boato, e não pensem que estou falando de tomos obscuros, achar um mero Advanced Dungeons & Dragons era uma “quest”. Mesmo com as informações corretas, nome e endereço da editora era quase impossível adquirir o livro, as editoras não tinham interesse e não se davam ao trabalho de vender um único livro, ainda mais atravessando continentes. Este era o mundo AM, cheio de livros, mas difíceis de comprar. Com a entrada da internet surgia uma possibilidade, vender coisas on-line, ninguém botava muita fé, apesar dos EUA terem muito bem consolidada a venda por catálogos de papel; ao que parece, pelas necessidades não atendidas do leitor, livro seria o mercado ideal para começar a vender coisas na internet. Primeiro problema, desconfiança, segundo a própria logística. A Amazon começou pequena, a mim a grande diferença era que eles enviavam livros para o Brasil, a maioria das livrarias Norte Americanas não enviava, mas ao longo deste diferencial eles começaram a construir um catálogo muito completo, assim se eu queria saber se um livro existia minha primeira parada era a Amazon, e o catálogo não era só de livros atuais, lá tinha tudo, e pasmem, mesmo que eles não tivessem o livro para vender eles procuravam em sebos para você! Acredita? Lógico que a Amazon tornou-se a única parada para comprar livros, tinha um frete marítimo bem barato, e aí você comprava dez livros ou mais, às vezes juntava com amigos, e por muitos anos pelo menos dois ou três livros eu comprava toda semana, e o que é melhor, muito mais baratos que os livros nacionais!

Para completar o pacote a gentileza e presteza do atendimento eram sem par, eu nunca tive problemas, o máximo que me aconteceu foi encomendar um livro e receber a versão em capa dura sem custo adicional, pois ele estava fora de estoque, com uma carta dizendo que se eu fizesse questão do paperback eles trocariam sem custo, pode parecer pouco, mas este tipo de gentileza deixa uma ótima impressão, com um amigo aconteceu dos livros molharem no transporte, substituíram rapidamente e ainda desculparam-se pela demora em receber os novos exemplares, tudo sem nenhum custo ou aborrecimento. Lógico que indiquei a Amazon para todos os amigos, e todos viraram fregueses satisfeitos. E até hoje nunca ouvi de nenhum amigo que a Amazon pisou na bola, o frete marítimo baratíssimo não existe mais, eles também não procuram mais livros em sebos, era tudo parte de uma estratégia comercial, funcionou! Estou magoado pelos serviços que deixaram de ser prestados? De jeito nenhum, é a natureza da relação comercial, eles não são meus amigos, sou apenas um cliente satisfeito, e o que eles se propuseram eles cumpriram.

Ao ter um catálogo extremamente completo e um atendimento de primeira a Amazon virou referência, assim, ao pensar em comprar livros nos EUA só existia uma livraria: Amazon, e no mundo PM (pós Amazon) era muito mais fácil e barato conseguir livros. Livro era apenas o início, a idéia sempre foi ter uma loja de tudo, mas pelas características do público leitor e dos livros a estratégia inicial foi excelente, hoje pelo que dizem livros são menos de dez por cento do faturamento da Amazon, mas o catálogo completo é uma referência que faz com que outras lojas sejam irrelevantes. Mas vamos ao caso oposto, a Amazon tem seu tablet, o Kindle fire, e sua loja de “apps”, programas para este tablet, mas ela é muito inferior à loja da Google, quem é cliente da Amazon de livros sente-se o primeiro, já na loja de “apps” quem tem um kindle fire sente-se em desvantagem, você vê um programa legal mas ele não existe na loja da Amazon, isso gera frustração, melhor pegar um Android genérico com acesso à loja da Google do que o Kindle fire, conseguem entender a natureza do jogo?

Vamos adiante, como vocês viram o mercado de livros foi apenas uma estratégia para iniciar a loja on-line da Amazon, mas imaginem o que aconteceria se deixassem estes clientes de lado ou começassem a pisar na bola, a sua loja de outras coisas perderia credibilidade, e aí alguém poderia tomar o seu lugar. Vender livros físicos tem um custo logístico muito grande, é muito item de baixo valor perto de outras coisas da loja, mas vender ebooks é muitíssimo mais barato, não só pelo papel, mas por toda logística envolvida. Ebooks não existem sem o e-reader e a Amazon tratou de lançar o seu modelo com seu programa e formato de livros que só rodam em sua loja, o Kindle não foi o primeiro nem pioneiro em nada, mas pela fama da livraria quase virou sinônimo de e-reader, e assim, mais que nos livros físicos a Amazon responde por mais da metade das vendas de ebooks dos EUA, ao aliar a comodidade da sua loja aos ebooks a Amazon atingiu uma dominância sem precedentes, e ao mesmo tempo reduz o custo de logística de manter seus clientes leitores felizes.

Para quem gosta realmente de ler o e-reader com o ebook é um avanço sem precedentes, ele tem o conforto do papel, sem o peso e todos os problemas, e além de tudo é mais barato, dá para ler mais e ainda tem muitos livros gratuitos, que por mais que sejam de domínio público, os de papel nunca foram gratuitos e alguns até caríssimos. Assim quando uma Amazon disponibiliza livros gratuitos não é por serem beneméritos, é para o leitor os baixar em sua loja e não os adquirir em outro lugar, a idéia é ser a primeira opção, que como vocês vêem, falha miseravelmente no mercado de programas para Android.

Em um mercado capitalista não se fazem coisas para ser bonzinho, mas por que elas dão dinheiro, a curto ou médio prazo, raramente longo, assim a Amazon agrada seus clientes pois isso lhe garante fidelidade e mais negócios, se os tratarem mal eles vão comprar em outro lugar, desde que o outro lugar exista, isso chama-se concorrência, se alguém faz algo melhor para quem compra ele leva o cliente e o negócio. São as tais regras de mercado que se auto-regulam desde que haja concorrência.

No caso Amazon x Hachette a editora tem um vasto catálogo, e se a livraria não tiver seus títulos e o leitor quiser comprar terá que ir a outro lugar, e quem sabe este lugar lhe dê uma boa impressão e ele passe a comprar lá não só livros mas outras coisas, a Amazon perde, o grande trunfo da Amazon não é só ser uma loja grande, mas ser a loja que tem tudo! Ao outro lado a Amazon tem um grande público e se os livros e ebooks das Hachette não estiverem à venda neste ponto ela perderá muitas vendas, e ainda outras editoras vão vender livros em seu lugar, pelo porte da Amazon é uma grande perda financeira imediata. A Hachette quer proteger seu mercado de papel, por isso quer que o ebook custe mais caro, por seu custo muitíssimo menor o ebook pode custar muito menos, mas vejam: se a Amazon vende os ebooks mais caros ela também ganha mais, em teoria, mas a realidade não é bem assim, pelos dados que tem a Amazon e só ela tem dados tão bons do mercado de livros, um ebook deve custar entre U$3 e U$9,99 e assim maximiza-se os ganhos, segundo o que dizem, mas isso não convém aos editores que ainda vendem seus livros de papel e querem proteger o seu mercado, aí está a briga que todos viram, mas há aí um outro detalhe, lembram do tal caso de “collusion” que o departamento de justiça pegou? Todas as grandes editoras combinaram preço juntas, todas queriam aumentar o preço do livro. Porque todas juntas? Pois eles sabem que se uma baixar os preços os outros estarão em desvantagem e ela ganhará uma fatia maior do mercado. Por qual motivo a Amazon insiste em forçar este confronto com a Hachette? Se ela aceitar baixar os preços os outros também serão obrigados a reduzir seus preços, entenderam este outro aspecto da negociação?

Tudo parece muito definitivo, mas não sentiram falta de algumas pessoas importantes na cadeia do livro? Autor e leitor, o segundo é tratado como uma massa amorfa e o primeiro quase inexiste, parece que livros tem geração espontânea, deixe em um canto uns restos de carne, roupa suja, papel e tinta que logo terá lá, surgido do nada, um livro! E a realidade é que com ebooks e e-readers tanto editores como livrarias tornam-se supérfluos, instâncias que não agregam qualquer valor no livro, que é uma relação entre autor e leitor.

Outro aspecto que tem sido cuidadosamente escondido são os direitos menores que o leitor tem sobre um livro eletrônico em relação à sua versão impressa, a desculpa neste caso é proteger o direito do autor, mas a realidade é que ele é quem menos ganha no processo, ele é apenas uma desculpa para os editores restringirem o direito dos leitores, essa idéia de comprar um livro e não poder fazer o que quiser com ele é absurda, imagine se Hitler estivesse no poder hoje, nem precisaríamos reunir asseclas em praças para queimar livros, seria apenas retirar o livro do sistema e ele deixaria de existir, ninguém mais poderia lê-lo, pode parecer exagero, mas Hitler existiu e não estamos a salvo de outros ditadores, hoje mesmo ditaduras sangrentas existem em Cuba aqui na América, na África e na Ásia. Já houve tempo que livros eram raridades, caso da biblioteca de Alexandria, imaginem que dos livros que foram vítimas do incêndio, os que só existiam lá nunca mais puderam ser lidos, o que perdemos? Toda nossa riqueza cultural está em livros, além disso há toda uma função social em compartilhar livros, e isso está definitivamente proscrito com as regras draconianas que querem impor aos ebooks.

Outro aspecto que acho fedorento são os serviços de aluguel de livros on-line, não por conta da remuneração que é a principal preocupação dos livreiros, mas pelos catálogos, eu assino TV a cabo, tem um monte de canal, um monte de programa, a grande maioria um lixo total que não assisto, mas pago por tudo! Pior, fomento essa ruindade, sempre escolhi os livros que quis ler, sejam de onde forem, mas veja o caso da TV a cabo, alugo um serviço e fico restrito à sua programação, e tem tanto filme bom que não passa; veja o caso dos animes, sempre sucesso mas ferrenhamente boicotados nos serviços de cabo brasileiros, lembram da história do jabá para tocar música no rádio? Só que rádio era de graça, TV por assinatura nós pagamos! Eles escolhem o que vamos ver, e por exposição o que fará sucesso, a mesma coisa com o serviço de “aluguel” de livros me dá nojo, espero que os leitores sejam espertos e não deixem o seu direito de escolha de lado, é fácil perder liberdades e direitos, difícil recupera-las.

Mas, e o Brasil, onde fica nisso tudo? Para começar somos um país de poucos leitores, tudo por culpa dos nossos editores, livro por aqui sempre foi caro, e assim sem acesso, sem leitores, é óbvio que a “indústria” editorial não cresce; uma realidade contemporânea e histórica nefasta, a falta de livros tem sido a principal causa do nosso subdesenvolvimento, e mesmo hoje que apregoam que o livro no Brasil é barato ele ainda é caríssimo e pouco acessível. A realidade é que para quem tem o hábito de ler, isso não sai barato, pois quem lê, lê vários livros em um mês, e pode colocar aí um gasto de uns trezentos reais ou mais, o livro é barato para quem compra um livro ao ano, talvez quatro, mas estes não são leitores, e o pior é que nos EUA um livro com o mesmo número de páginas custa mais barato que o nosso, piorando a situação pois lá eles também ganham mais, assim, os editores que dizem que o livro no Brasil é barato estão tentando dar nó em pingo d’água para dizer uma mentira tão cabeluda. E falaram muito esta asneira no jornal, é preciso muita cara de pau! Aí vem um imbecilzinho e diz: “dinheiro para comprar livro não tem, mas tem para tomar um chopinho com os amigos”, enquanto tivermos que escolher entre o chopinho e os livros estaremos condenados, um não é excludente do outro, se há esta necessidade de escolher um ou outro é por que estamos muito mal, é aquela visão deturpada do esquerdinha ignorante que não admite que alguém possa ler e ainda tomar uma cervejinha com os amigos, coisa de burguês, pobre que é pobre não tem escolha, é como se disséssemos, olha, se você quiser ler vai ter que tomar umas pauladas, tem que ter sacrifício. E assim nunca formaremos leitores, o único e verdadeiro leitor lê por prazer e só há prazer com liberdade.

Se nos EUA livros e ebooks são apenas uma questão de mercado, aqui é de cidadania, e os livreiros se comportam como cadelas do governo, e seus asseclas na internet ficam latindo para a Amazon, com um medo mortal da concorrência, vi até um sugerindo que os livreiros fariam o governo expulsar a Amazon! Sério, procurem por aí, só dando risada. O que detonou tantas reações raivosas pelo jeito foi o fato da Amazon anunciar que conseguiu um catálogo com mais de 150.000 livros, e isso foi um grande feito, como mostrei anteriormente, é a mesma estratégia da Amazon quando começou nos EUA, e ela é boa, vender livros físicos não é só um negócio, é um teste para o serviço de logística no Brasil, mas por ter entrado no varejo de livros físicos com um catálogo tão completo a Amazon atraiu para si o ódio de todo mercado editorial, que tem medo da concorrência, pior ainda é que grande parte deste mercado é o governo, por isso o mercado papeleiro é tão lambe botas do governo. Os e-readers que podem significar a liberdade no mercado do livro no Brasil são ferozmente combatidos por livreiros, editores e governo do PT. O ebook com o e-reader é uma ameaça à manutenção da mediocridade editorial brasileira, a Amazon, a Cultura com a Kobo e agora a Saraiva com a Bookeen trouxeram o aparelho, mas o imposto da vergonha que a Dilma mantém no aparelho o torna muito caro para o bolso do pobre, principalmente o não leitor, que não corre o risco de virar leitor; precisam garantir que o brasileiro ainda troque votos por dentaduras. O novo problema é que a Amazon a despeito de todos boicotes montou um catálogo invejável que vai alavanca-la ao primeiro posto, e ela deixará de ser desprezível e vai ter mais poder de fogo para negociar no preço dos livros, os editores estão borrando as calças de medo, o governo também não quer livro barato. Estão colocando a causa de lutar contra a Amazon como um dever nacional: Brasil x Amazon, mas nós leitores somos de opinião contrária, pois queremos livros mais baratos, mais leitores, mais cultura e educação.

Depois de vocês verem toda a história da Amazon, Hachette e o caso do processo contra as editoras e a Apple, veja este trecho de uma reportagem da folha:

“Haroldo Ceravolo Sereza, presidente da Libre, diz que o mercado passa por um momento de mudança que exige muita atenção das entidades.
“Em princípio, não achamos um problema a Amazon vender no Brasil. É bom que o mercado tenha mais um lugar para vender livros. Só queremos que eles respeitem as regras da concorrência, que não pratiquem preços abaixo do mercado, como fazem lá fora.”"


Se tiverem curiosidade leiam a matéria inteira, notaram alguma diferença? Nos EUA o departamento de justiça processou a Apple e várias editoras por tentar fixar preços e ferrar o consumidor acabando com a livre concorrência, as editoras querem manter os livros caros, o caso da pinimba com a Hachette, e aqui querem que o governo faça esta fixação de preços do livro para mantê-los caros e inacessíveis! Acreditam? Que regras da concorrência são essas que o cara diz aí em cima? Nos EUA elas são consideradas crime! O que seria um preço abaixo do mercado? Um preço abaixo do que o mercado combinou para ferrar o consumidor? As coisas aqui são tão surrealistas que o cara ousa dizer isso em um dos jornais de maior circulação! E sabe do pior? Quase ninguém vê o absurdo! O pior de todo o Brasil vem desta falta de livros, façam o que fizerem, sem livros continuaremos a ser um país de merda, e não nos subestime, a coisa ainda pode piorar muito, vejam a Venezuela, nem livros nem papel higiênico!

Alex


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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Língua e literatura na era eletrônica.

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A linguagem surgiu, cresceu e evoluiu com o homem, é viva por nós, e por nós muda e evolui, é ferramenta para um fim, não vive por si mas vive para nós. É importante pensar a língua, seus usos e sua capacidade, mas infelizmente muita mudança não é feita de forma racional, e sem que queiramos ou nos damos conta existem certos consensos no uso da língua que espalham e contaminam sem que sejam pensados ou benéficos. É inegável a influência do suporte na forma da língua e sua capacidade de comunicação, imaginem se ainda usássemos “tablets” de argila para escrever caracteres cuneiformes, grande parte da evolução social que conhecemos nunca aconteceria, como seria carregar um livro de oitocentas páginas de argila? O livro deixou o papel e agora é mais leve e prático no meio eletrônico, é inegável que haverá mudanças, mas cabe a nós verificar a verdadeira capacidade do meio digital para que a língua e literatura cresçam e não diminuam perante o passado que já tivemos.

Por falta de pensar a língua está espalhando-se uma versão capenga e mutilada que diz-se dominante por pura ignorância, ela é a versão contida nos manuais de redação e (falta de) estilo. As frases complexas compostas por subordinativos ou coordenativos, as vírgulas e definitivamente os ponto e vírgula, são recursos proscritos, e isso quando pretende-se comunicar assuntos complexos que tem diversas instâncias e vários níveis de hierarquia impossibilita a composição textual; desta maneira, o texto escrito que tem a propriedade de educar, pois pode conter assuntos em profundidade é sabotado, permitindo em sua versão mutilada expressar apenas assuntos simples ou a simplicidade leviana que mediocriza os assuntos complexos impedindo definitivamente qualquer possibilidade de real compreensão. O uso desta língua deturpada que já é norma em jornais e revistas de grande circulação tem dois efeitos: o primeiro é tornar levianos todos os assuntos que aborda uma vez que não pode aprofundar-se, antigamente liam jornais as pessoas que queriam ter um conhecimento mais profundo, hoje o conteúdo de jornais e telejornais é idêntico, com vantagens ao telejornal por ser mais rápido e atualizado; o segundo efeito diz respeito à educação do leitor, antes o jornal era uma iniciação do leitor na escrita complexa, assim ao encarar um texto de Machado de Assis o fosso não é tão grande, mas hoje com a escrita pobre dominando tudo, o leitor só encontrará alguma dificuldade nos livros, e a tarefa pode ser tão desafiadora que fará um leitor muito primário desistir. Evitar o uso da língua aleijada é uma espécie de “pièce de résistance” para não sucumbir à mediocridade geral, pode não parecer, mas muita gente bem educada e de vasta cultura, ao ler em computadores e tablets, sem perceber acabada desistindo ao meio de um texto mais exigente por cansaço, não percebem que é o meio que induz a esta imbecilidade programada; computadores e tablets não se prestam a literaturas complexas, não permitem atingir o nível de concentração necessário para decodificar estes textos, e assim, sem sequer perceber o leitor torna-se mais burro, incapaz. Talvez por isso muitos mantenham o hábito do papel, como nunca entenderam no meio eletrônico a diferença fundamental do e-reader e-ink para as outras mídias.

Existe um consenso dominante errado de que o leitor não deve ser desafiado, muito disto vem do reino da propaganda, onde um texto deve atingir o maior público possível, isto talvez o valha para quem quer vender limpadores de privada, mas é um tipo de texto que menospreza o leitor, pois considera o menor denominador comum e assim diminui o padrão de toda leitura, mas escrever é comunica-se, e dependendo do assunto, a quem se dirige o texto ou sua função, esta simplificação obrigatória é simplesmente ridícula; com isso o texto perde a função de educar o leitor, expandir seus horizontes e a capacidade de articulação lógica. As pessoas não percebem o quanto este uso de textos obrigatoriamente simplificados é degradante para a leitura, para os assuntos tratados e para o próprio poder de raciocínio. É um verdadeiro veneno que extermina todos os níveis da cultura.

Aprender e desenvolver-se exige esforço por parte do leitor, não é possível ensinar sem desafiar o leitor, esforço não é necessariamente uma coisa ruim, muito ao contrário, assim como aprender, mas nos focamos em tamanha passividade por parte de leitores que cobrar um mínimo de esforço parece heresia, há esforço prazeroso, há desafios que trazem recompensa, e o aprendizado é um deles. Desta maneira em vez de escrever para aqueles que são tão vagabundos que abandonam um texto a meio caso este lhes ofereça qualquer desafio, o melhor é focar nos objetivos mais altos, pois quem ler o texto sai ganhando e temos leitores que valem a pena. E aí vem um imbecilzinho preguiçoso nos acusar de elitistas por não sermos condescendentes e desprezarmos a capacidade cognitiva de nossos leitores, oferecendo-lhes um texto que ao desafia-los os fará crescer; cabe aqui acabarmos esta mistificação grosseira: procure por aí os textos dos fabricantes de relógios que custam o preço de carros e carros que custam o preço de casas, verá que quem evidentemente produz itens para uma elite que pode dar-se ao luxo de pagar por objetos de status não usa textos complexos, muito ao contrário, são simplórios, portanto, onde está o tal texto “elitista”? Tudo isso para mascarar que a grande cultura humana hoje está gratuita a quem dispuser-se a ler, se a dois séculos foi um item de diferenciação de classes por conta do acesso restrito, hoje não é mais, assim acusar de elitista é imbecilidade a não ser que se refira a uma elite pensante, mas pensar ainda é de graça. Muito do que pensam é errado, escrever usando todo o potencial da língua não é um fator de exclusão, muito ao contrário, é a verdadeira inclusão, mas o leitor precisa fazer o esforço de desafiar-se para ser incluído. Um texto ruim exclui sem possibilidade oposta, pois mesmo que o leitor suceda na leitura está excluído, pois nunca oferece a oportunidade de crescimento.

Até aqui falei apenas de textos predominantes em jornais e revistas que ao optarem pela simplificação da língua perdem sua capacidade de tratar de assuntos com a complexidade merecida e assim falham em informar corretamente e formar o leitor. Mas e a literatura? Aí o caso é ainda mais grave: literatura antes de mais nada é arte, diria ainda uma das mais difíceis pois não tem guias, o artista que enveredar por esta modalidade terá que criar seu próprio caminho, as regras da gramática são paupérrimas perto de toda diversidade encontrada na literatura, que às vezes a desafia frontalmente e sai ganhando esplendorosa. Literatura aprende-se lendo, é uma vivência, só se aprende fazendo, não adianta, não existe outro caminho, e justamente por este particular fabricamos monstros estranhos: pegue um garoto nos seus dezessete anos e o enfie em um curso de letras, qual sua vivência como leitor? A maioria nenhuma, e aí o encha de livros aos quais deverá fazer uma “leitura técnica” como preconizam seus mestres, o garoto que não viveu a literatura agora vai ver o texto de forma mecânica ou ideológica, resultado depois de quatro anos de faculdade: alguém que não lê mais por prazer pois não teve tempo, quatro anos é muito pouco para tantos livros, mas ganhou o título de especialista em literatura. Especialista em quê, se não teve tempo de ler? Esse garoto agora com uns vinte e um anos vai ensinar língua e literatura... Já viram o desastre, não? É o que vemos hoje, mas tem lados piores, o rapaz em vez de ensinar nas escolas escolhe a vida acadêmica e vai ser um crítico literário: o pobre menino que não teve sua vivência com os livros vai agora falar sobre livros, não do ponto de vista do leitor, mas com os estudos acadêmicos que não interessam a ninguém que não sejam seus pares; resultado: ao encontrar o livro bem escrito mas sem experimentalismos inúteis vai logo taxa-lo de: “romanesco” em tom pejorativo, e se lhe cair em mãos um texto de Machado sem a assinatura do autor dirá que não é grande coisa, mas irá elogiar vilipendiando os adjetivos quando encontrar um texto experimental e ruim que não diz nada, não quer dizer nada, nem pode ser compreendido, o ápice do nada com a coisa nenhuma, a arte do nada!

A grande estupidez no meio acadêmico ou pseudo-acadêmico, é que não conseguem mensurar a extensão de sua ignorância, criando um universo analítico que tal como a taxonomia vê o livro não como vivo, mas como peça morta a ser dissecada, a verdade é que o todo é maior que as partes; leia uma análise semiológica, ela parece com um livro da mesma maneira que a descrição taxonômica de um gato parece com o animal vivo, a academia é muito boa em guardar o passado, mas inútil na criação artística. O viés cientificista é a causa desta cegueira, primeiro e mais importante: cientificismo não é ciência, é seu uso ignorante, pois a ciência dá conta do que são as coisas. A ciência observa o que é, a arte cria o que será; ciência é observação, arte criação. Desta maneira um acadêmico ao taxar algo de romanesco repete os mesmos preconceitos dos românticos ao criticar a literatura clássica, o modernismo ficou velho e o pós-modernismo ao desvencilhar-se da estética trouxe um viés ideológico que fez da não arte uma arte, assim tudo passa a ser arte e ao mesmo tempo nada mais é, não existe arte pós-modernista, pois criou-se uma falta de conceito, cabe ao observador ou leitor ter conceitos e decidir o que é arte, pós-modernismo em essência é o sofismo moderno, o discurso vazio, o relativismo, e ninguém representa melhor isso que o meio acadêmico, pois  o que era para ser o ápice do conhecimento tornou-se uma panelinha de relativistas inúteis, apodrecidos e preocupados apenas com seus próprios salários em vez de seus objetos de estudo.

A maior prova da impotência acadêmica na literatura é que a maioria dos bons escritores não vem de seus quadros, um leitor bronco mas não ignorante como o Faulkner é infinitamente mais capaz que a maioria acadêmica, é da realidade da escrita e da leitura. Escrever é a arte do ilusionismo com palavras, o leitor percebe o efeito mas não vê a mecânica, que na realidade é um conjunto de truques simples, por isso a maioria dos escritores não fala dos próprios escritos, por isso que não há manual. O escritor é um mágico que não gosta de revelar seus truques. Antes de estudar a literatura como um peixe morto é necessária vivência, deixar-se maravilhar com os truques dos vários autores, ver o texto vivo antes de partir para a dissecção, por isso criamos monstros deformados, os estudiosos nunca foram leitores, e sem ler não vêem o efeito das ilusões que formam o cerne da criação literária; o leitor vê o efeito sem conhecer o truque, o acadêmico procura o truque sem saber qual é o efeito. E assim criou-se todas essas distorções que vemos por aí, gente que louva textos ineficientes, sem efeito, trejeitosos e inúteis. Assim prospera uma literatura contemporânea estéril, inútil e enfadonha, que não cativa leitores nem cria nada de bom. Aposto mais na literatura taxada pejorativamente de entretenimento, pois há mais chances de ver real arte aí do que no lixo propagandeado pela crítica acadêmica.

Voltemos novamente ao meio, talvez por conta da influência de jornais e revistas ou pela escrita pobre de massa dos textos de propaganda, gerou-se um consenso não pensado onde o meio eletrônico só comporta textos curtos e linguagem simplória, lógico que em serviços como o twitter que limita as mensagens a grunhidos de poucos caracteres, é impossível, mas não é a realidade eletrônica, aliás, muito ao contrário, antes um livro de muitas páginas era difícil de ser impresso pois custava mais, livros comerciais eram sempre limitados a duzentas ou trezentas páginas, mais que isso só se já fosse um “bestseller” de venda garantida, caso contrário a publicação seria muito cara, no meio eletrônico não existe esta diferença, um ebook pode ter qualquer extensão que é replicado com o mesmo custo, isso é um ganho! Uma expansão da capacidade que tínhamos antes. Um texto de internet deve ser curto e de linguagem simples para que os leitores não desistam, por que focar-se em escrever um texto para quem não lê em vez de fazer ao contrário, escrever para os que lêem, tem capacidade ou não tem preguiça? Se não se está vendendo porcaria, mas se quer ter um diálogo de alto nível, não faz sentido escrever para os idiotas que não lêem. A língua em nosso cotidiano tem também a função de formar as estruturas lógicas do pensamento humano, foi analisando a conversa de crianças que Piaget percebeu que a estrutura lógica da língua induz ao pensamento complexo, se em crianças de seis anos as formulações lógicas são menos freqüentes e muitas vezes inconscientes, em garotos maiores há mais freqüência no uso lógico da língua, e sem esta vivência não há o desenvolvimento mental. Ao aleijar a língua evitamos que as pessoas treinem o intelecto e impossibilitamos o surgimento dos raciocínios complexos. O uso pobre da língua inviabiliza o pensamento complexo e mais que um estilo ou moda, induz à pobreza de pensamento, e isso reflete-se em toda cultura e vida social, é por este motivo que as visões dicotômicas e ignorantes imperam em nossa sociedade, pois qualquer complexidade além da imbecilidade binária, não tem capacidade de ser processada, todo assunto complexo que envolve mais de dois lados torna-se um problema insolúvel. Veja o uso de uma dessas simplificações ignorantes: em uma democracia todos temos direito à voz, liberdade de expressão, assim todos temos direito a uma opinião, seja ela verdade ou mentira, certa ou errada, mas tende-se a usar o “direito à opinião” como justificativa para cassar o direito de expressão do outro no caso de que discorde de nossa opinião, assim como alguém tem direito a dar uma opinião, esta opinião não impede o outro de manifestar-se contra, pois ele tem a mesma liberdade de expressão; é assim que funciona a argumentação, uma opinião recebe uma contra-opinião, um argumento recebe um contra-argumento, esta é a liberdade democrática. Quem não gosta de argumentação pois tem argumentos ruins tende a querer usar a opinião como direito de caçar a liberdade de expressão. Complicado? Não muito, mas é mais simplório dizer que “todos tem direito a uma opinião”, que é uma simplificação grosseira e que esconde a realidade do direito democrático.

Literatura é tudo menos simples, muito ao contrário, é justamente a diversidade e sua complexidade que faz sua riqueza, assim, veja como esta estrutura lingüística mutilada é derrogatória da apreciação artística da literatura que não cabe em qualquer dicotomia imbecilizante, um Hemingway não está acima de um Shakespeare, nem abaixo; é a existência de Faulkner, Cervantes, Goethe, Virginia Woolf, Defoe, Chaucer, Sterne, Conrad, Byron, Yates, Shelley, Walt Whitman, Chekov, Machado, Kafka entre muitos que faz da literatura a potência que é. E nenhum autor é uma unanimidade, veja Joyce em Ulysses e em Finnegans Wake, o primeiro foi ao limite, o segundo passou do limite, criou uma obra mutilada que perdeu o foco do leitor e empobreceu-se na língua, a soma de suas partes ficou menor que o todo. Imagine o quanto deste universo o garotinho estudante de letras já teve tempo de apreciar, quase nada, não há curso de quatro anos que substitua uma vida de leitura. Por isso a impotência acadêmica na literatura é tão gritante.

Ler, como tudo que vale a pena na vida, exige certo esforço, fazer um texto para preguiçosos que não querem ter o mínimo de esforço é escrever inutilidades, banalidades nunca farão ninguém crescer, cada grande autor criou o seu jeito de escrever, não é só questão de estilo, pois bom ou ruim todos tem um, o escritor artista criou um jeito que funciona, expande as possibilidades da linguagem para contar suas estórias, por isso cada novo autor é um novo aprendizado, um novo esforço e um novo universo expressivo, é assim que se cresce. Quem não consegue ler um bom autor confunde o ruim com o bom, não tem capacidade de diferenciar um do outro, por isso a literatura contemporânea é tão cheia de embusteiros, escritores incompetentes que mascaram sua ruindade com experimentalismo vazio.

O meio eletrônico traz novas possibilidades para a literatura, é preciso ver sua real capacidade e descartar os consensos ignorantes que mutilam a língua e os seres humanos, a literatura será o que faremos dela, é preciso conhecer a arte dos grandes homens, por prazer, criando assim a apreciação artística e o domínio da língua, seja no papel ou no e-reader e-ink mais acessível e democrático; depois de viver ler é a experiência mais próxima, vivemos uma vida, mas através da literatura vivemos milhares.

Alex
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segunda-feira, 21 de julho de 2014

O Brasil dos perdedores: a luta do PT para evitar que o e-reader seja acessível ao povo.

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Não há fogo sem combustível, não há água sem hidrogênio e nem cultura sem livros, uma realidade óbvia, mas os que querem um brasileiro ignorante, crédulo e fácil de ser enganado, teimam em afirmar que há fogo sem combustível, não há! Livro é essencial para cultura, mais ainda para educação, e sem livros não se aprende a ler, e isso explica o motivo de 75% da população brasileira ser de analfabetos funcionais, aleijões da leitura, deficientes fabricados a propósito. Dilma, o PT e em particular a deputada Fátima Bezerra querem a todo custo inviabilizar o e-reader para o brasileiro pobre, uma vez que nunca tivemos e não teremos livros de papel acessíveis, o e-reader é a melhor aposta para divulgar a literatura entre todos cidadãos e assim melhorar a leitura, educação e cultura. Por este motivo o PT direciona todos os esforços para manter o e-reader caro e inacessível ao pobre, eles precisam de ignorantes! E isso mostra um ponto fundamental: o PT não é o partido dos pobres mas sim da pobreza, pois dedica-se a manter os brasileiros miseráveis. Vocês tem dúvidas? Vejam a Venezuela, é o mesmo modelo ideológico que segue o PT, hoje lá papel higiênico é um luxo! Vocês querem viver naquela miséria? O PT lhes dá a receita!

Vemos no andamento do projeto PL4534/2012 uma analogia de tudo que tenta o PT para tomar o poder de forma autoritária e tornar os brasileiros cidadãos de segunda classe em seu próprio país. Mostro a vocês com extrema clareza: diz o texto constitucional que é vedado ao governo de qualquer esfera instituir imposto sobre “livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão”. A constituição é um texto perene, assim o ebook e o e-reader como sinônimo moderno do que é o livro, pela hermenêutica mais básica já contaria com a proteção deste dispositivo constitucional. Mas Dilma não quer! Ela não quer que o brasileiro seja educado e por isso taxa o e-reader, pois sem ele não há ebook, com a popularização no mundo o e-reader tornou-se relativamente acessível, sem os impostos do PT ele custa o preço do celular mais barato, e isso é um perigo para a ideologia petista, vai que o cidadão começa a ler e percebe seus truques básicos, tragédia! Não iam mais ser eleitos nem para faxineiros de banheiro público. Por isso o projeto do senador Acir Gurgacz que já foi aprovado no senado deve ser rejeitado, pois ele diz apenas que ebook e e-reader são livros e gozam da mesma imunidade de impostos.

O projeto foi aprovado no senado depois de dois longos anos, mesmo com o PT sendo contra, tempo demais para um país onde a educação é precária, foi para a câmara onde o presidente Marco Maia petista fez com que tomasse o caminho mais longo possível para evitar que fosse aprovado; na comissão de Cultura a relatora é a deputada também petista Fátima Bezerra, dois anos de lenga-lenga e a deputada divulga seu parecer onde inviabiliza a retirada dos impostos ao e-reader, chega a ser piada, mas o relatório é contraditório em si mesmo, não colou, o deputado Ônix Lorenzoni fez voto em separado concordando com a não tributação do e-reader e a deputada inventou uma espécie de audiência pública, que não tem nada de pública pois foi feita apenas com seus convidados, para justificar a sua decisão, a coisa foi uma vergonha, uma verdadeira palhaçada e nós demolimos os argumentos ruins com a maior facilidade. Mas a realidade que todos escondem é que justamente por falta de apoio que a deputada Fátima Bezerra não enterrou de vez o e-reader nos impostos, são os deputados, os representantes do povo que não permitem que a vontade ditatorial do PT tenha êxito. Por pior que seja nossa democracia representativa, ela é melhor que a ditadura do PT. Foi tanta demora que o projeto passou do tempo regimental para ser apreciado uma vez que é oriundo do senado, o deputado do PMDB do RS Darcísio Perondi exigiu que o processo fosse votado em plenário, e se for, aí veremos o que acontece, a realidade é que a mesa da comissão de cultura dominada por esquerdistas nunca colocou o projeto em votação com medo de perder, eles precisam da ignorância do povo, mas não tem maioria para rejeitar a proposição do Senador Gurgacz. Ou seja: a nossa democracia representativa, mesmo precária impõe-se contra os desejos totalitários do PT, mas o que é pior, quem acompanha o andamento do projeto na imprensa vai pensar que ele já naufragou pela vontade exclusiva da deputada Fátima Bezerra do PT, o que é a mais ignóbil mentira! Ela e sua proposição encontram-se em posição de fraqueza e não conseguem rejeitar o projeto, mas como dominam a presidência da comissão ficam protelando.

Há inúmeros exemplos práticos a se tirar do que acontece: a tal audiência pública que a deputada Fátima Bezerra convocou não tinha nada de pública uma vez que só participavam os convidados, ou seja, uma audiência pública que não é pública é uma mentira! E isso não é novo, é parte da ideologia, tanto que tem até um nome: “Nomenklatura”, na antiga URSS as pessoas não eram todas iguais, a nomenklatura representava a casta dominante, a que mandava, e eles ocupavam todos os postos formando o "Apparatchik" , e desta maneira os cidadãos ficavam fora do governo que mentia dizendo representar todos os cidadãos. Na tal audiência pública foram privilegiados os membros da nomenklatura, mas sem estes nomes burocráticos a coisa é a simples panelinha. A tal audiência que era para ser pública não era, pois tinha privilegiados os membros da panelinha do governo. É assim que age o PT, e se fosse por eles o projeto já teria chumbado, mas não, os deputados não petistas ainda não concordaram com a coisa e o PT não tem o poder sozinho, eles fazem estas palhaçadas para tentar solapar a representatividade dos outros deputados, mas ainda não funciona, ainda temos um resto de democracia, por pior que seja, é melhor que a ditadura do PT.

O tal decreto 8243 da Dilma é uma maneira de impor as panelinhas do PT em todas as instâncias do governo, assim como a audiência pública da Fátima Bezerra, que não é pública pois participam dela apenas seus convidados, os membros da panelinha ou nomenklatura. O tal decreto quer fazer com que os únicos cidadãos que contam sejam os que o PT considera, assim os membros da panelinha ganham voz e o resto dos brasileiros viram cidadãos de segunda classe tendo que se conformar com os desígnios ditatoriais do PT. Eles dão a desculpa que esta seria uma democracia direta, um pinóia! Democracia direta depende do sufrágio universal, todos sob a mesma lei, todos iguais perante a lei, esta palhaçada nada tem de democracia direta, é apenas uma mentira para encobrir um método de ditadura! Um jeito da panelinha do PT dizer para você o que fazer, controlar suas vidas. Democracia é muito mais que isso, e logo mais entro em detalhes, mas vamos a outros exemplos.

O decreto 8243 cria os tais conselhos populares, vulgo a panelinha do PT, o Ministro Gilberto Carvalho já tenta viabilizar grana pública para essa nomenklatura com o pagamento de passagens e diárias, a coisa tenta ser rápida. Dizem que não há problemas pois os tais conselhos já estão em funcionamento, e é verdade, veja o caso que mostramos aqui do enxovalhe de Machado de Assis, foi aprovado por uma tal de CNIC, Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, apesar do absurdo de deturparem Machado de Assis com montes de dinheiro público, o que nós cidadãos podemos fazer? Nada! Nós não temos voz, eles fazem o que querem, e como a própria Patrícia Engel Secco declarou no programa Globo News Literatura, o projeto veio de dentro do governo, da panelinha, de uma conversa na coordenação de livro e leitura do Ministério da Cultura, o projeto foi para a tal CNIC e foi aprovado com a bagatela de mais de R$1.000.000,00 do dinheiro do brasileiro. Estou sendo bem claro? Se dependesse de tais comissões o projeto do e-reader já estaria condenado, mas depende dos outros deputados que representam partidos diferentes do PT, é a nossa precária democracia que nos protege da ditadura do PT que nos obrigará a sermos felizes com uma pobreza venezuelana.

É necessário entender o motivo da sabotagem da educação de verdade ser prioritário para toda ideologia de esquerda: ela é ruim, fraca e mentirosa e não sobrevive a um debate honesto com pessoas inteligentes e esclarecidas, ela é apenas uma desculpa para grupos vagabundos tomarem o poder e viverem de forma nababesca sustentados pela ditadura do estado, os maiores genocídios do século passado ocorreram em regimes ideológicos de esquerda, não há nada de humano, mas de genocida, e isso mostram os livros com a maior facilidade. Por isso Dilma quer a todo custo barrar o e-reader, pois ele representa a circulação livre de livros que podem educar o cidadão, vemos todo dia propagandas ufanistas da Petrobras na televisão, e todos sabemos da derrota da companhia tomada pelos petistas, os casos de corrupção avolumam-se nas páginas jornalísticas, e mesmo assim eles não tem vergonha na cara de fazer propagandas superlativas gastando mais ainda do dinheiro público, não estão promovendo um produto da companhia, mas sim a mentira do governo. O que custaria seguir a constituição no caso do e-reader? Quase nada perto dos montes desperdiçados pela Petrobras, mas o e-reader é perigoso, torna os livros mais livres e corre o risco de educar o cidadão, que não mais cairá nestas propagandas vagabundas e mentirosas. Não é apenas mesquinharia que impede o e-reader é somente a mais pura inumanidade, a mesma ideologia que proporcionou montanhas de cadáveres.

Muito falou-se sobre o livro do tal Piketty, e isso é patético, qualquer pessoa semi-esclarecida vê o quanto o livro traz uma argumentação patética para justificar o marxismo já ultrapassado e demolido em seus fracos dogmas. Ou seja, qualquer um que tente defender as ideologias da esquerda não é um pessoa muito inteligente e assim não pode enfrentar de maneira frontal e honesta uma argumentação, um livro como “O Capital” só sobrevive se a pessoa nunca leu outra coisa, qualquer um com um pouco mais de leitura vê como as idéias de Marx são fracas, e mais, injustas, o tal valor trabalho é absolutamente ridículo e nega uma realidade básica do ser humano, somos todos diferentes, impor este tipo de “igualdade” é massacrar o ser humano, o tal marxismo que diz revestir-se de um planejamento científico é apenas uma crendice que não resiste ao confronto com a própria realidade. O livro do Piketty fez sucesso não por ter bons argumentos, mas por tentar validar uma ideologia já morta que seus cultuadores não tem mais argumentos; a desigualdade no mundo aumentou? Os mais pobres vivem melhor hoje com maior desigualdade ou antigamente quando a desigualdade era menor? Qual era a desigualdade nos países socialistas onde os líderes vivem no mais alto luxo enquanto a povo vive na mas hedionda pobreza? Não é Cuba um bom exemplo para enterrar o Piketty? Ou seja, como disse antes, este tipo de estupidez só prospera pela ignorância, que os livros livres podem acabar, por isso livro e liberdade de expressão são tão combatidos por todas as ideologias de esquerda.


Toda ideologia de esquerda odeia a democracia pois ela enseja em si a idéia de educação e liberdade individual, mais que isso, democracia não se presta a ser ideologia ou dogma, é um conceito que evoluiu com o tempo e hoje é a nossa melhor prática de convívio social, é ignorância associar democracia só a voto, pois este não é o seu cerne, vota-se quando não se chega a um consenso na argumentação, pois é o debate livre, a argumentação esclarecida o cerne da democracia. Por isso para o cidadão exercer a democracia ele precisa aprender a argumentar, voto unicamente não representa democracia, se assim o fosse 51% poderiam decretar a morte dos outros 49%, isso não existe. Quem resume democracia ao voto não sabe o que é democracia, é a mediocrisação de um debate muito mais profundo que só prospera se aliado à ignorância. O voto pode ser aparelhado e usado para destruir a democracia, os demagogos já o faziam na Grécia antiga, mas a educação de verdade, esta só liberta, e ela hoje está aliada à livre circulação de idéias com livros livres, por isso a constituição brasileira impede que livros sejam taxados, por liberdade de expressão, divulgação da cultura e fomento da educação. Mas quando temos um supremo dominado por membros da nomenklatura, os defensores da constituição e dos direitos individuais salvaguardados na carta tornam-se seus algozes.

Nosso momento atual não deve ser visto com leviandade, estamos na encruzilhada entre a pobreza e a ditadura da Venezuela, ou ao desenvolvimento social que um povo tanto merece, ou tomamos a nós a responsabilidade ou os vagabundos vão nos escravizar na pobreza para manter seus privilégios ditatoriais. Se o mensalão não foi um aviso bom o suficiente onde os dirigentes petistas tentaram destruir a república, o decreto 8243 não podia ser mais claro para criar os “soviets” no Brasil e assim jogar o brasileiro de verdade ao escanteio para que a nomenklatura tome seu lugar. E digo e afirmo mais uma vez: só crescemos com educação, e educação de verdade precisa dos livros livres. Não é uma receita direta, mas é o passo mais fundamental para que possamos ter um país mais humano de verdade. Não vote nulo, vote contra o PT, não vote em branco, vote contra o PT, não deixe de votar, vote contra o PT, e não importa em quem vote desde que não seja o PT, pois como vocês viram, por pior que seja a nossa democracia, a ditadura do PT é ainda pior, por ela o e-reader já estaria proscrito. E vamos cobrar por um sistema eleitoral auditável pois não podemos conviver com a suspeita de fraude, ou o sistema é transparente ou não há confiança em seus resultados, ainda mais com os membros da nomenklatura controlando o processo.

Alex

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quinta-feira, 26 de junho de 2014

3 diferenças entre livros impressos e digitais: a perspectiva de uma editora

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Todo mundo está falando sobre as diferenças entre livros impressos e digitais do ponto de vista do leitor. Quem ama a cópia física fala do perfume das páginas, do toque do papel e como arruma os exemplares na estante. Os que preferem as cópias eletrônicas falam da conveniência, porque podem ler onde quiserem usando um smartphone, tablet ou leitor favorito, todos eles aparelhos leves e que podem armazenar milhares de títulos.
Mas, quais são as diferenças entre os livros impressos sob demanda (conhecidos como "POD" em inglês, de "print-on-demand") e os livros digitais do ponto de vista daqueles que montam o produto? No que os editores têm que pensar e o que eles precisam prever quando o assunto é fazer o design e o planejamento visual do livro? Vou falar um pouco das minhas experiências quando organizei os dois volumes da coletânea Contemporary Brazilian Short Stories (CBSS), dedicada a contos brasileiros traduzidos para o inglês.




1. Numeração de páginas x Cliques interativos
Duas versões do índice:
impresso (acima) e eletrônico (abaixo)
Isso é algo bem óbvio: você precisa numerar as páginas para saber onde parou de ler um livro ou encontrar um capítulo. Porém, isso não é necessário num livro eletrônico, não é? Uma das maiores vantagens da leitura digital é que você pode mudar o estilo e o tamanho da fonte no aparelho. E, depois que um leitor muda essas configurações, você sabe que a maneira como você concebeu o visual do livro digital vai por água abaixo...
Então, o mais importante é compreender a principal diferença entre a cópia impressa e a eletrônica: não é necessário numerar as páginas no último caso, seja no canto da página ou no índice. Do que você precisa mesmo é links no índice para levar o leitor ao respectivo capítulo ou parte do livro.
O mesmo vale para as notas de rodapé, já que elas não aparecerão da mesma maneira (no pé da página) e deveriam aparecer como notas no fim do livro, ou seja, palavras seriam associadas a essas notas por meio de links, em vez de números sobrescritos para organizar a informação.
E, enquanto você estiver com a mão na massa, capriche na interatividade ao criar links em outras partes do livro para páginas externas, tais como o site do escritor ou outros livros que você tenha escrito.
Esses são os passos que eu segui ao editar os livros do CBSS no formato digital: o índice mostra os títulos de cada conto e o nome do respectivo autor com links para cada página relevante. Dessa maneira, os leitores podem clicar e ir direto para o conteúdo desejado.


2. Imagens e páginas de autor
Biografia do autor, versão impressa
Lembra que eu falei sobre o planejamento visual do livro? Então, na versão impressa você pode colocar uma imagem em um canto da página e o texto vai contorná-la. Você pode aumentar ou diminuir o tamanho da imagem para alinhá-la ao parágrafo, isto é, para evitar que muitas ou poucas linhas fiquem ao redor da imagem.
E, onde é que você provavelmente vai usar imagens em um livro? Na página sobre o escritor, é claro! Falando nisso, se você geralmente não coloca uma página sobre o autor no final do livro, tá marcando bobeira! Essa é uma ótima oportunidade de colocar uma breve biografia, dar mais informações sobre os seus livros e a sua carreira e deixar links para o seu site ou outros títulos que escreveu. Hoje em dia, é preciso prender o leitor não só com uma história original, mas com a sua história de vida também!
Biografia do autor, versão digital
Planejar tudo no papel é fácil, mas a melhor coisa a fazer na versão digital é não alinhar imagens com texto. Coloque-a centralizada, acima ou abaixo do parágrafo. Assim, não importa o que os escritores façam para personalizar o visual do texto no aparelho de leitura, a sua imagem nunca vai atrapalhar e o alinhamento não vai ficar esquisito.
Quando editei os dois volumes do CBSS, usei dois modelos: o impresso mostra a foto do autor e uma breve biografia no lado esquerdo da primeira página que traz a tradução do seu respectivo conto e, na versão eletrônica, as biografias foram organizadas alfabeticamente no fim do livro, com a foto posicionada logo acima da biografia.
Na versão eletrônica, ficou tudo mais centralizado, já que os leitores podem ver a foto, a breve biografia e todos os links necessários para saber mais sobre o escritor (e-mail, site/blog, Twitter, Facebook, YouTube e outros livros publicados). Para o livro impresso, por causa do espaço limitado, optamos pela foto com biografia na versão em inglês do conto e a foto com as informações de contato na versão em português (original).

3. Preços e promoções
Ah, o debate que vemos desde sempre, pelo menos desde que surgiram os livros digitais: por que o livro eletrônico às vezes é tão caro quanto a versão impressa? Bom, cada editora ou escritor independente tem seus próprios motivos para estabelecer preços diferentes para cada versão de um livro, mas o que posso dizer da minha experiência pessoal é que os livros digitais podem (e devem!) ser mais acessíveis.
Vamos apelar para a matemática: cada exemplar de um livro físico precisa ser impresso, o que é feito em papel e papel custa dinheiro. A distribuição dos livros impressos também custa dinheiro. Então, se você decidir disponibilizar o seu livro em formato impresso, haverá despesas associadas ao custo da impressão sob encomenda. Com um livro digital você só precisa de um original e várias cópias podem "viajar" pela internet até destinos diferentes, ao mesmo tempo, sem muito custo adicional.
Assim sendo, ao calcular o preço dos seus livros, verifique se ele reflete as despesas correspondentes usando aquelas calculadoras convenientes oferecidas pela sua plataforma preferida de publicação. Durante o processo, você poderá estimar quanto ganhará em royalties e qual será a comissão que a plataforma receberá. E, apesar de maximizar os seus royalties parecer uma boa ideia, você poderá alcançar um público maior se oferecer os livros digitais a um preço mais em conta.
Além disso, se você decidir fazer uma promoção, fica mais fácil trabalhar com cópias digitais. Se você prometeu distribuir livros autografados, por exemplo, precisará comprar algumas cópias (com desconto, obviamente). Foi isso que fiz durante uma palestra para a Associação Americana de Tradutores realizada em San Antonio, no Texas, quando levei 20 cópias para ajudar com a distribuição e promover o projeto. Agora, se você distribuir cópias digitais, poderá pagar bem menos, criar cupons de desconto para algumas campanhas ou até mesmo enviá-los gratuitamente, dependendo do seu canal de distribuição.
Bom, estas são as três principais lições que eu aprendi ao organizar os dois volumes do CBSS. Quais lições você gostaria de compartilhar sobre as suas próprias experiências com publicação?


RAFA LOMBARDINO é tradutora e jornalista brasileira, radicada na Califórnia. Trabalha como tradutora desde 1997 e, em 2011, deu início a uma colaboração com escritores independentes para traduzir suas obras para português e inglês. Além de atuar como curadora de conteúdo no eWordNews, também dirige a Word Awareness, pequena rede de tradutores profissionais, e coordena dois projetos que promovem a literatura brasileira no mundo: Contemporary Brazilian Short Stories (CBSS) e Cuentos Brasileños de la Actualidad (CBA).
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